A Ilhota de Maré, um bairro que se estende por uma das ilhas da Baía de Todos-os-Santos, em Salvador, foi terreno para um projeto de desenvolvimento sustentável que beneficiou murado de 4 milénio moradores em 12 comunidades, sendo seis delas reconhecidas uma vez que quilombolas.
O projeto, chamado Planos de Bairro, e capitaneado pela Prefeitura de Salvador, buscou a integração de líderes comunitários, poder público, universidades e organizações locais em um processo de diagnóstico e planejamento.
A iniciativa buscou enfrentar desigualdades sociais e propor soluções para o desenvolvimento da região.
A pescadora quilombola Marizélia Lopes, moradora da Ilhota de Maré, enfatiza a relação entre a natureza e a atividade econômica dela.
“A gente não enxerga a natureza só uma vez que um espaço de exploração, a gente tem uma relação, a gente não consegue desassociar o que é natureza da gente, da vida da gente. Logo a gente é a natureza, né?”, diz.
Seleção de soluções
O exemplo baiano é um dos 16 projetos que fazem secção de uma seleção elaborada por uma parceria entre o governo brasílico e o Programa da Organização das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat).
A teoria é que os projetos sirvam de inspiração para outros países em desenvolvimento, o chamado Sul Global.
Outra iniciativa selecionada é desenvolvida no Recife e representa uma solução baseada na natureza. São os Jardins Filtrantes no Parque do Caiara.
Executado pela Sucursal Recife para Inovação e Estratégia (Aries), uma associação vinculada à Prefeitura do Recife, o projeto inclui a implantação de um sistema de jardins filtrantes na foz do Riacho do Cavouco, em uma dimensão de murado de 7 milénio metros quadrados (m²), para tratamento da chuva antes de chegar ao Rio Capibaribe.
Foram plantadas 7,5 milénio vegetalidade aquáticas nativas, formando um sistema oriundo de filtragem da chuva.
A mediação baseada na natureza também deu reflexos positivos para o parque, uma vez que o percebido pela moradora da região Gabriela Machado.
“O Jardim do Caiara, inaugurado e renovado, é um espaço que posso curtir do lado da minha moradia, um lugar da minha região, que traz valor para minha região”, disse Gabriela em testemunho à equipe que reuniu os exemplos de soluções urbanas.
Simetria urbana
O trabalho de seleção foi feito pelo Programa Simetria Urbana, lançado em 2023. Na parceria com o ONU-Habitat, o governo brasílico é representado pela Sucursal Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE).
A chamada pública permitiu a matrícula de iniciativas desenvolvidas por governos locais, instituições públicas, organizações da sociedade social e comunidades.
As áreas de mediação são relacionadas a um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o número 11, que trata de comunidades e cidades sustentáveis, e engloba temas uma vez que habitação, juventude, mobilidade urbana, planejamento participativo e paridade de gênero.
Paridade de gênero
O programa Marias na Construção, da Prefeitura de Salvador, une paridade de gênero, qualificação e geração de renda para mulheres em situação de violência doméstica ou familiar e outras vulnerabilidades sociais. Em dois anos, mais de 600 mulheres se formaram nos diferentes cursos oferecidos.
Janaína dos Santos é uma das alunas do Marias na Construção. “Já terminei um curso agora e vou inaugurar outros dois. Aprendi muita coisa. Quero crescer na dimensão. Futuramente, quero fazer um curso técnico, se assim Deus me permitir, fazer uma faculdade e ser uma grande mulher na construção”, projeta.
Inspiração
A parceria do Brasil e ONU-Habitat tem por meta que desafios semelhantes entre países do Sul Global podem ser motivadores para que soluções já experimentadas no Brasil sejam exportadas.
Para a arquiteta urbanista Laura Lacastagneratte de Figueiredo, exegeta de programas do ONU-Habitat, a publicação Simetria Urbana procura transformar boas práticas brasileiras em ferramentas concretas de cooperação entre países do Sul Global.
“Ao sistematizar soluções que já apresentaram resultados, amplia o potencial dessas experiências uma vez que referências para a cooperação e uma vez que modelos adaptáveis e inspiradores de políticas públicas, capazes de dialogar com realidades semelhantes”, explica à Sucursal Brasil.
“O objetivo é estimular intercâmbios, projetos conjuntos e o fortalecimento de capacidades locais, contribuindo para aligeirar a implementação de ações efetivas de desenvolvimento urbano sustentável em diferentes contextos”, completa a urbanista.
Iniciativas
O conjunto de soluções coletadas pelo Brasil afora inclui iniciativas uma vez que formação de jovens cearenses para projetos socioambientais; centros comunitários em territórios vulneráveis no Recife; design de interiores para habitação social, em Niterói (RJ); e desenvolvimento de ônibus híbrido elétrico-hidrogênio, em Maricá (RJ), entre outros.
A relação completa está disponível no site do programa.





