Dois policiais militares foram presos em flagrante pela morte do jovem Igor Oliveira de Moraes Santos, 24 anos, ocorrida na noite desta quinta-feira (11) na comunidade de Paraisópolis, na capital paulista. Segundo o coronel Emerson Massera (foto em destaque), porta-voz da Polícia Militar de São Paulo, eles foram presos por homicídio doloso (propositado) depois as câmeras corporais terem assinalado que os disparos foram feitos enquanto Igor Oliveira já estava rendido, com as mãos na cabeça.
“A estudo dessas câmeras nos indicou que a morte do Igor Oliveira não foi dentro de padrões que nós esperávamos, dentro das excludentes de licitude”, disse Massera, em entrevista coletiva concedida no final da manhã de hoje. “Da mesma forma que somos implacáveis contra o transgressão, também não compactuamos com erros de policiais ou com crimes praticados por policiais”. concluiu.
Segundo o porta-voz da PM, as imagens demonstraram que os policiais agiram com ilegalidade e que zero justificava o disparo.
“Visualizamos, pelas câmeras, que os dois policiais que atiraram no Igor o fizeram já com o varão rendido. Por conta disso, a providência tomada foi a prisão em flagrante”.
Essas imagens foram produzidas pelas novas câmeras corporais que estão sendo utilizadas pela PM de São Paulo. Com elas, basta um policial acionar o sistema para que todas as câmeras dos policiais ao volta também sejam acionadas. “Todos os policiais que participaram dessa ação ou estiveram no sítio trabalharam com as câmeras acionadas involuntariamente. Só houve o primeiro acionamento manual e, depois, todas as outras câmeras foram acionadas involuntariamente”, detalhou Massera.
>> Siga o ducto da Filial Brasil no WhatsApp
A morte de Igor Oliveira ocorreu durante uma operação policial realizada ontem em Paraisópolis, uma das maiores comunidades da capital paulista. Igor, informou a PM, não tinha passagem policial e tinha respondido por ato infracional enquanto era jovem por roubo e tráfico. Além dele, uma outra pessoa foi morta ontem em Paraisópolis uma vez que consequência dessa operação policial e um policial ficou ferido, com um tiro no ombro.
Ação
De conformidade com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, a morte de Igor ocorreu depois policiais terem recebido uma denúncia sobre a presença de homens armados em um ponto de venda de drogas em Paraisópolis.
“Ontem, por volta das 16h, nós tínhamos duas equipes – duas patrulhas com motocicletas – para verificar denúncias que recebemos via Disque Denúncia. As denúncias eram sobre tráfico de drogas em uma rua. E quando os policiais entraram nessa rua, quatro pessoas com mochilas nas costas começaram a passar e entraram numa mansão. Os policiais foram detrás e conseguiram localizar a mansão em que eles estavam. Ali foram presas três pessoas e uma foi morta pelos policiais”, explicou Massera.
Nas mochilas de Igor e dos outros três presos que estavam nessa residência foram encontradas 595 porções de maconha preparadas para venda no varejo, 49 porções de maconha sintética, 521 porções de cocaína, 208 porções de crack, 22 frascos de lança-perfume, 4 comprimidos de LSD, 32 comprimidos de ecstase, além de um caderno de anotações, uma balança e R$ 1,3 milénio em quantia.
Revolta
Essa ação policial causou revolta nos moradores de Paraisópolis, que responderam com protestos. Houve fechamento de vias, queimada em objetos, barricadas e até arrastão.
“Nós tivemos vários episódios ali de agressões a tiros e de uso de fogos de artifícios contra os policiais. Foi uma situação bastante tensa”, contou o coronel da PM.
Foi durante estes protestos, que houve “uma intensa troca de tiros”, informou Massera. O saldo disso foi uma morte, um policial ferido e uma pessoa presa em flagrante por ter incendiado um carruagem.
“Nós tivemos um sargento da Rota [tropa de elite da PM] que foi baleado no ombro e a munição acabou se alojando na clavícula. Ele está internado. Ele foi socorrido imediatamente ali ao Hospital Albert Einstein e agora foi removido para o Hospital das Clínicas. Ele está muito e está fora de risco, mas a equipe médica está avaliando a urgência de uma cirurgia nas próximas horas”, disse Massera.
“Nesse confronto nós tivemos uma pessoa atingida também, que foi o Bruno Leite, e que tinha passagens por tráfico de drogas, latrocínio e roubo e era egresso do sistema prisional. Esse varão morreu em confronto com policiais da Rota”, acrescentou.
De conformidade com o porta-voz da PM, no momento dos protestos foi necessária a atuação de 300 agentes policiais para sustar a situação. E hoje a comunidade de Paraisópolis continua cercada por poderoso pompa policial. “Nós temos lá a Rota, o terceiro Batalhão de Polícia de Choque, o COE (Comando de Operações Especiais) e também o comando de aviação quando houver urgência de esteio. Portanto temos uma estrutura significativamente maior lá hoje do que nos dias normais e rotineiros”.
Um sindicância policial militar foi instaurado para investigar todos os fatos que ocorreram ontem em Paraisópolis. Mas Massera destaca que a polícia continuará atuando naquela região. “Nós não podemos retroceder nesse trabalho que já vem sendo feito há vários meses de resgatar a distinção e o recta à cidadania da comunidade que mora em Paraisópolis. As pessoas que estejam nos ouvindo agora fiquem tranquilas porque a Polícia Militar não vai retroceder no combate à criminalidade mesmo diante de tantas adversidades”, pontuou Massera.
