Oscar: Hamnet de Chloé Zhao revira passado de Shakespeare

Oscar: Hamnet de Chloé Zhao revira passado de Shakespeare – 13/01/2026 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Em novembro pretérito, quando a première de “Hamnet” tomou conta do maior cinema do Museu da Liceu, em Los Angeles, a diretora Chloé Zhao, ganhadora do Oscar por “Nomadland”, em 2021, teria tudo para permanecer nervosa.

Ali, no coração de Hollywood, ela apresentava seu primeiro longa desde o fracasso de sátira e público de “Eternos”, da Marvel, logo depois de Steven Spielberg ter discursado no palco do David Geffen Theater sobre “o milagre de filme” que ela havia criado.

Diante de milénio convidados, Zhao não pareceu sentir qualquer pressão. Em vez de palavras de agradecimentos a executivos e ao elenco, ela fez o inesperado —começou a comandar um longo treino de reflexão para todo o cinema. Com uma voz suave e tranquila, quase hipnótica, a cineasta chinesa pediu para cada testemunha fechar os olhos, pensar em um ponto de tensão, respirar fundo e saber que não precisava carregá-lo sozinho. “Temos uns aos outros nesta noite”, disse ela.

A atitude zen budista foi importante para a meio de “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”, que venceu diversos prêmios de público em festivais, levou os troféus do Orbe de Ouro de melhor filme de drama e de melhor atriz para Jessie Buckley no último domingo, e é sério candidato ao Oscar deste ano.

Chloé Zhao foi a primeira escolha da produtora Liza Marshall quando ela adquiriu os direitos do livro homônimo de Maggie O’Farrell sobre Agnes, uma misteriosa mulher que lida com a morte do rebento pequeno, Hamnet, de uma forma dissemelhante do marido, um professor de latim que escreve uma peça chamada “Hamlet” para mourejar com sua dor. Mas a cineasta só toparia se a autora também participasse do roteiro.

“Falei que se ela não fizesse, eu não faria”, afirma Zhao, que passou a trocar mensagens de áudio com a escritora irlandesa até finalizar um roteiro com 90 páginas. “Maggie deve ter escrito dez livros para poder chegar à versão final do seu livro, portanto, sem ela, não conseguiria olhar para perspectivas diferentes de tantos personagens.”

Uma das mudanças aplicadas por Zhao foi expelir os flashbacks, recurso narrativa com o qual teve dificuldades em “Eternos”, e dividir o foco do protagonismo entre Agnes e lta o professor de latim —que, simples, ganhou o nome verdadeiro de William Shakespeare.

“O livro se concentra em Agnes, mas estava em um ponto da minha vida que precisava compreender minha ‘guerra social interna’, meus lados masculino e feminino. Sabia que aqueles dois personagens poderiam simbolizar as forças arquetípicas. Com a permissão de Maggie, trouxemos mais Will e tiramos a tensão disso”, explica Zhao, meses antes da première em Los Angeles.

Com Jessie Buckley já no papel de Agnes, a produção foi detrás de Paul Mescal, um dos atores mais festejados do momento, para viver Shakespeare. O planeta de “Normal People” e “Gladiador 2” diz que não cresceu sob à sombra intimidadora do dramaturgo por ser irlandês, mas se sentiu grato pelo filme ter se interessado pelo varão por trás do mito.

“Ele é um marido e um pai. Senti que seria uma maneira para iniciar a trabalhar o personagem e não interpretar o gênio repórter”, diz ele, que releu diversas peças do trovador sobre luto para aplicá-las a “Hamnet”. “Conheci e amei Shakespeare de uma maneira que não veio de uma legado obrigatória. Você percebe isso no filme, que foi feito com muito paixão e homenagem.”

Ao reprofundar na dor de um pai que perde um rebento e deságua seu tarar na encenação de uma das maiores histórias da dramaturgia mundial, Mescal encontrou os maiores desafios da sua curta, mas celebrada curso.

“Foi uma espécie de Olimpíadas da atuação”, afirma o ator ao descrever a cena em que descobre que sua filha doente está viva, mas que perdeu Hamnet. “Vou da alegria à devastação em questão de 35 segundos. Foi complicado, não unicamente pela cena em si, mas por habitar aquela mente por três semanas.”

O ator diz que passou a compreender mais Shakespeare depois a experiência. “Acho que cometemos o erro de encontrar que ele é um pensador. Evidente que ele é, mas Shakespeare vive mais em seu coração do que na sua mente. Isso ampliou o sentido de suas peças para mim.”

“Sua genialidade não se deve à formosura da linguagem, mas à compreensão fundamental da quesito humana e ao vestuário de que ele a documenta com as frases mais lindas que já pousaram sobre uma folha de papel.”

A maior segmento da produção ganhou vida nos periferia de Londres, onde réplicas das casas típicas do século 16 foram erguidas, assim porquê a versão cinematográfica do segundo lar de Shakespeare, o famoso Globe Theatre —o verdadeiro ofídio tapume de R$ 430 milénio por noite para ser fechado ao público.

A equipe também filmou por três semanas no País de Gales, que serve de cenário para as cenas externas, mormente a da exórdio do longa. “Desenredar o buraco preto no solo da floresta foi o momento da viradela. Quando apontamos a câmera para a árvore e depois para o firmamento, percebi que ali estava o filme”, diz Chloé Zhao sobre a introdução.

Mesmo com o propagação da valimento de Shakespeare na trama do filme, a história de “Hamnet” ainda é a de Agnes, vista em seu vilarejo porquê uma mulher ligada a antigas tradições pagãs de bruxaria.

“O pouco que se sabia sobre ela não era muito lisonjeiro, porquê é o caso sobre toda mulher por trás desses homens gigantes”, diz Buckley. “De certa maneira, isso foi uma oferta, porque me deu a oportunidade de encontrá-la porquê uma desconhecida na rua. Ao mesmo tempo, Agnes é uma mulher muito segura em seu corpo e inflexível em relação à sua natureza rudimentar e à natureza do mundo.”

O estilo sensorial, poético e viajado de Zhao, que não passa muitos diálogos para seus atores, mas estimula uma versão mais livre, quase levou o elenco e a equipe aos limites. Faltando unicamente quatro dias para o término das filmagens, ela concluiu que o final escrito no roteiro não era o ideal.

“O texto dizia unicamente ‘ele morre violentamente no palco e ela olha ao seu volta’, e a música era o término. Sabia que não funcionaria cinematograficamente”, diz a diretora. “Jessie também sentiu.”

“Estava nervosa, me senti completamente perdida”, diz Buckley, ao falar dos momentos finais do longa, que têm repercutido desde a passagem da produção por festivais. É quando, no Globe Theatre, Agnes assiste à encenação de “Hamlet” pela primeira vez. “Um tanto se quebrou em mim quando vi Jessie me olhando. Essa segmento inteira foi muito difícil de filmar, porque há muitas falas, mas também é incrivelmente catártica”, afirma Mescal.

A inspiração para esse fechamento veio quando Buckley voltava para vivenda depois das filmagens frustradas. Ela ouviu “On the Nature of Daylight”, uma das composições mais famosas de Max Richter, que também criou a trilha sonora de “Hamnet”, e a enviou para Zhao. A peça emocional que faltava finalmente se encaixou no último minuto.

“É porquê diz ‘Not Dark Yet’, a música de Bob Dylan, ‘por trás de toda formosura, há qualquer tipo de dor’. Acredito em sincronicidade. Não creio que possa controlar uma história, porque ela é um pouco maior e existe simultaneamente no pretérito, presente e horizonte”, diz a cineasta. “Certas histórias só se revelam quando você está preparada.”

Folha

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