Oscar: Por que idade média de vencedoras está aumentando

Oscar: Por que idade média de vencedoras está aumentando – 15/03/2026 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Quando Michelle Yeoh recebeu o Oscar de melhor atriz de 2023 aos 60 anos, pelo filme “Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo”, ela declarou: “Senhoras, não deixem ninguém manifestar a vocês que já passaram do auge. Nunca desistam.”

Yeoh julgou ser necessário fazer esta certeza pública porque ela é uma dentre unicamente sete mulheres que já receberam a estatueta de melhor atriz com mais de 60 anos de idade.

Até hoje, unicamente uma mulher venceu a premiação com mais de 80 anos: Jessica Tandy (1909-1994), em 1990, por “Conduzindo Miss Daisy”. E só uma outra ganhou o prêmio na vivenda dos 70, que foi Katharine Hepburn (1907-2003), em 1982, por “Num Lago Dourado”.

Os eleitores da Ateneu tradicionalmente favorecem as mulheres na vivenda de 20 e 30 anos de idade, gerando uma clara discrepância de idade entre os vencedores do Oscar de melhor ator e de melhor atriz.

Adrien Brody é, até hoje, o único vencedor na categoria de melhor ator com menos de 30 anos, por “O Pianista”, em 2003. Paralelamente, 32 atrizes já ganharam o Oscar na vivenda dos 20 anos de idade.

Mas os tempos certamente mudam, mesmo que com lentidão.

Uma pesquisa da BBC demonstra que a idade média das indicadas ao Oscar de melhor atriz vem aumentando ao longo das décadas.

Nos anos 1940, a média de idade era de 33 anos. Ela aumentou para 36 nos anos 1970, atingiu 40 na dez de 2000 e, entre 2020 e 2026, chegou a 44 anos de idade.

Ao lado de Yeoh, vencedoras recentes incluem Renée Zellweger (aos 50 anos), Frances McDormand (63) e Jessica Chastain (45). E recentes indicadas incluem Annette Bening (65), Demi Moore (62) e Fernanda Torres (59) —ainda que, no ano pretérito, a vencedora tenha sido Mikey Madison (25) por “Anora”, mesmo com o nepotismo de Moore.

A idade média de 27 anos na dez de 1940 reflete uma indústria que priorizava as mulheres mais jovens.

No seu livro “The Star Machine” (“A máquina de estrelas”, em tradução livre), de 2007, a escritora e professora de história do cinema Jeanine Basinger comenta que “era difícil uma mulher persistir”.

“As mulheres glamourosas eram um resultado frágil… A câmera era um observador cruel e observava a idade…”

“Se uma estrela conseguisse persistir uma dez, ela realmente se pagava. Se ela durasse duas décadas, era um sucesso fenomenal. Se durasse mais do que isso, era um milagre e, hoje, podemos chamá-la de mito.”

As estrelas daquela era incluem vencedoras do Oscar uma vez que Bette Davis (1908-1989), Ingrid Bergman (1915-1982) e Vivien Leigh (1913-1967). As três ganharam a estatueta de melhor atriz na vivenda dos 20 anos de idade.

O “milagre” mencionado por Basinger pode ser Katharine Hepburn, que detém o recorde de maior número de troféus de melhor atriz —quatro, três deles conquistados com mais de 60 anos.

Os fatores que levaram à mudança

Stacy L. Smith é a fundadora da Iniciativa de Inclusão Annenberg da Universidade do Sul da Califórnia, nos EUA, um grupo de estudos que examina questões de desigualdade no setor do entretenimento.

Ela declarou à BBC que, agora, em relação aos filmes de “prestígio” (os que atraem o interesse das premiações), as mulheres têm um período de curso mais longo.

“Quando começamos oriente trabalho em 2007, eu sempre brincava que a mulher precisava se invocar Judi [Dench], Maggie [Smith, 1934-2024] ou Meryl [Streep] para trabalhar com mais idade em Hollywood”, ela conta. “E acho que oriente não é mais o caso.”

“Você tem um número maior de papéis disponíveis em filmes deste tipo e menos viés ou foco em mulheres mais jovens para conduzir a história.”

Stacy Smith destaca que, “atualmente, a Ateneu reconhece filmes que tipicamente ganham menos numerário. Eles têm teor mais artístico, são filmes de arte.”

“E, neles, o trabalho do ator é realmente considerado.”

Atrizes veteranas com décadas de experiência “agora têm filmes feitos para elas”, um pouco vasqueiro até recentemente, segundo Elizabeth Kaiden, uma das fundadoras da organização The Writers Lab, que apoia roteiristas mulheres com mais de 40 anos de idade.

“Já se comprovou que as atrizes podem ter carreiras longas”, destaca ela.

“São as Meryl Streeps, as Helen Mirrens, as Nicole Kidmans. Elas conseguem atrair roteiristas, diretores e produtores que observam seu valor ao escalar uma estrela madura.”

“Estamos vendo cada vez mais filmes sobre mulheres complexas com certa experiência de vida, que elevam a idade [das vencedoras de prêmios de melhor atriz] supra de onde costumava permanecer.”

Também há quase uma dez, as campanhas #OscarsSoWhite e #MeToo reivindicaram maior paridade e heterogeneidade na Ateneu. E alguns desses esforços trouxeram frutos.

De 2021 para cá, seis mulheres foram indicadas para o Oscar de melhor direção e duas delas venceram: Chloé Zhao (em 2021, por “Nomadland”) e Jane Campion (2022, por “Ataque dos Cães”).

Mas, antes delas, só uma havia vencido: Kathryn Bigelow, em 2010, por “Guerra ao Terror”.

Muitas dessas diretoras e roteiristas mulheres escolhem protagonistas femininas.

Em 2025, Coralie Fargeat, de 47 anos, foi indicada ao Oscar de melhor direção por “A Substância”, com Demi Moore no papel principal.

E, em 2024, a diretora francesa Justine Triet (45 anos) ganhou o Oscar de melhor roteiro original por “Anatomia de uma Queda”, que também lhe valeu a indicação para o prêmio de melhor direção.

Seu filme é estrelado pela atriz alemã Sandra Hüller, que também foi indicada para o prêmio de melhor atriz de 2024, aos 45 anos de idade.

“Acho que mais mulheres estão atingindo uma posição em que elas podem escolher o material que querem fazer”, afirma Kaiden.

“Jessie Buckley foi indicada ao Oscar oriente ano por ‘Hamnet: A Vida Antes de Hamlet’, que teve o livro e o roteiro escritos por mulheres, além de Chloé Zhao uma vez que diretora.”

“O filme anterior de Zhao, ‘Nomadland’, teve Frances McDormand uma vez que protagonista. Ela estava na vivenda dos 60 anos”, prossegue Kaiden. “Aquele filme provavelmente nunca teria sido feito 50 anos detrás, nem Chloé Zhao teria tido a oportunidade de fazê-lo.”

“O incumbência da mulher diretora realmente é fundamental para esta mudança”, confirma Smith.

“Mesmo em 2010, nós observávamos o que acontecia em uma produção quando havia uma mulher diretora detrás da câmera. Concluímos que, neste caso, você tinha mais mulheres e meninas uma vez que personagens principais ou importantes —e mais mulheres com mais de 40 anos de idade na tela.”

Outro fator para o reconhecimento cada vez maior das atrizes com mais idade no Oscar pode ser o vestuário de que a Ateneu ampliou seus quadros, incluindo mais eleitores internacionais.

Esta decisão também aumentou a quantidade de indicações de títulos do cinema mundial.

Tudo isso pode ter diferente as coisas, segundo Smith. Para ela, nos Estados Unidos, “ainda existe um grande viés pró-juventude” que é menos proeminente em outras partes do mundo.

“As preocupações culturais em torno do envelhecimento variam de país para país”, afirma ela.

O filme brasiliano “Ainda Estou Cá”, do diretor Walter Salles, tem Fernanda Torres uma vez que protagonista aos 59 anos. E “Emilia Pérez”, de Jacques Audiard, traz a atriz trans Karla Sofia Gascón, de 52. Ambas foram indicadas na categoria de melhor atriz em 2025.

Em 2017, a atriz francesa Isabelle Huppert foi indicada aos 63 anos de idade pelo seu papel uma vez que sobrevivente de estupro no drama em língua francesa Elle, de Paul Verhoeven.

Ainda há mudanças pela frente

Na verdade, o aumento da média de idade das indicadas ao Oscar de melhor atriz não reflete o que acontece no restante de Hollywood.

A Iniciativa de Inclusão Annenberg da Universidade do Sul da Califórnia pesquisou os 100 filmes de maior bilheteria de Hollywood, todos os anos, desde 2007.

Dados ainda não publicados fornecidos à BBC indicam que a idade média das protagonistas ou coprotagonistas mulheres nesses filmes em 2025 era de 34 anos. Já a idade dos seus equivalentes homens, no mesmo ano, era de 42.

Aliás, a média de idade naquela categoria para as mulheres nunca ultrapassou os 36 anos, desde o início do estudo.

Os resultados relembram o duplo padrão divulgado em 2015 por outra indicada ao Oscar, Maggie Gyllenhaal. Ela contou que foi considerada “velha demais” para simbolizar, aos 37 anos, par romântico de um ator varão de 55 anos de idade.

O estudo mais recente da Iniciativa Annenberg também concluiu que, nos 100 principais filmes de Hollywood do ano pretérito, unicamente quatro mulheres com mais de 45 anos atuaram uma vez que protagonistas ou coprotagonistas.

Somente uma delas ofereceu sua voz em uma animação: Ginnifer Goodwin, de 47 anos, em “Zootopia 2”. E todas eram brancas.

Por outro lado, 31 homens na mesma fita de idade se qualificaram uma vez que protagonistas ou coprotagonistas nesses filmes, incluindo atores uma vez que Anthony Mackie, Benedict Cumberbatch, Benicio Del Toro, Brad Pitt, Dwayne “The Rock” Johnson, Leonardo DiCaprio, Pedro Pascal e Tom Cruise.

“É impossível manifestar que, supra desta idade, não há atrizes qualificadas, capazes de fazer papéis de protagonistas na tela”, afirma Smith à BBC. “Na verdade, isso é discriminação.”

“E garanto a você que também existe um grupo restringido de mulheres que conseguem essas oportunidades para interpretar papéis no cinema”, destaca ela, sobre o número de atrizes com mais idade que podem ser consideradas para um filme mercantil, de grande orçamento, em relação a um projeto de arte, “de prestígio”.

As mulheres roteiristas com mais idade, segundo Kaiden e Nitza Wilon (outra fundadora de The Writers Lab), também são subrepresentadas na cinematografia popular.

Os dados do seu estudo fornecidos à BBC indicam que, de 511 filmes de longa metragem lançados em 2025, unicamente 12% foram escritos por mulheres com mais de 40 anos (e unicamente 20% foram escritos por mulheres de qualquer idade).

“A intervalo entre o Oscar e a verdade é muito grande”, segundo Wilon. “Não acho que podemos usar os Oscars uma vez que nascente confiável do que realmente acontece no mundo.”

“O Oscar é um espetáculo. É considerado entretenimento, não jornalismo.”

“Estou feliz por Demi Moore ser indicada aos 62 anos por ‘A Substância’, mas ela é uma mulher que não aparenta sua idade”, destaca ela. “Hollywood é uma bolha. Não é normal.”

O relatório “It’s a Man’s (Celluloid) World” (“É um mundo (de celuloide) dos homens”, em tradução livre), foi publicado no mês pretérito pelo Núcleo de Estudos das Mulheres na Televisão e no Cinema.

Ele traz notícias ainda mais sombrias para as atrizes com mais de 60 anos: unicamente 2% das principais personagens femininas nos filmes de maior bilheteria de Hollywood estavam supra dessa idade em 2025.

Elas incluíram Jamie Lee Curtis em “Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda!” e Amy Madigan em “A Hora do Mal”. Madigan também foi indicada para o Oscar deste ano, na categoria de melhor atriz coadjuvante.

A autora do relatório, Martha Lauzen, destaca que a quantidade de personagens homens também diminui muito quando eles chegam à vivenda dos 50 anos, mas os atores com mais de 60 anos de idade ainda representam 8% dos papéis principais – quatro vezes mais do que as mulheres.

É evidente que Luzen destaca que o etarismo feminino segue presente no cinema, apesar da esperança oferecida pelo Oscar.

“Quando o público observa Frances McDormand ou Demi Moore indicadas para o Oscar de melhor atriz, muitos acreditam que o etarismo no setor faz secção do pretérito”, afirma ela.

“Mas, para as mulheres na tela, seus números começam a desabar drasticamente com quase 40 anos e um pouco mais e continuam a diminuir na vivenda dos 50.”

“Quando chegam aos 60 anos de idade, elas se tornam invisíveis”, prossegue Luzen.

“Acho que oriente é um dos motivos por que os filmes com protagonistas mais velhas costumam invocar nossa atenção. Elas são raras.”

Folha

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