Oscar reforça tradições e se fecha ao terror de Pecadores

Oscar reforça tradições e se fecha ao terror de Pecadores – 16/03/2026 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Filmes de terror e blockbusters são cada vez mais bem-vindos no Oscar —contanto que respeitem padrões da Liceu de Artes e Ciências Cinematográficas e se distanciem de prêmios máximos. A regra não dita acaba de ser reforçada por “Pecadores”, híbrido entre as duas searas que levou só quatro dos 16 troféus que disputou oriente ano.

O longa se tornou um dos sucessos mais inesperados de 2025 ao unir o drama histórico —tradição que já conquistou muitos troféus— e o horror com vampiros, mostrou que o boca a boca ainda faz a diferença para atrair espectadores e conquistou a sátira com discussões raciais e voltadas à apropriação cultural.

Por um lado, é o tipo de projeto que beneficia uma premiação que, uma dez detrás, foi rechaçada por organizar uma edição só com artistas brancos em categorias principais, e que hoje vê a internet uma vez que responsável por discussões do tipo numa Hollywood politicamente retraída. Por outro, o fenômeno de “Pecadores” também interessa a uma Liceu que, nos últimos anos, vem sendo assombrada pela dificuldade de manter a audiência.

Liderado principalmente por atores negros —derrotado nas categorias coadjuvantes e numa inédita, de direção de elenco—, o filme se tornou o mais indicado da história e venceu as estatuetas de melhor ator, pelo papel de Michael B. Jordan, melhor roteiro original, melhor trilha sonora e melhor retrato.

Se secção da prensa via o filme uma vez que único que podia derrubar o nepotismo de “Uma Guerra Em seguida a Outra” —título de Paul Thomas Anderson que levou seis estatuetas, incluindo as de melhor direção e de melhor filme—, outra parcela já suspeitava que o histórico de prêmios para seus estilos cinematográficos seria um proibitório incontornável.

Finalmente de contas, desde participações pontuais nos anos 1970, os filmes de terror e os blockbusters são incorporados exclusivamente uma vez que modo de reconhecer, mas nem sempre premiar, as habilidades rigorosas de certos cineastas e seus fenômenos técnicos inegáveis.

Em 1973, por exemplo, a indicação de “O Exorcista” à categoria máxima se deu na esteira do Oscar de melhor filme que William Friedkin recebera um ano antes, pelo drama policial “Operação França”. Dois anos mais tarde, quando Steven Spielberg revolucionou o mercado de sucessos comerciais com o seu “Tubarão”, a pouquidade do longa sobre um predador sicário poderia ter provocado um estranhamento.

Mais tarde, em 1991, “O Silêncio dos Inocentes” fez do suspense, título rejeitado pelos que classificam o filme uma vez que terror, uma forma de caluniar a estatueta principal. Ao final daquela dez e no início da próxima, produções multimilionárias, uma vez que o “Titanic” de James Cameron e o terceiro “O Senhor dos Anéis”, de Peter Jackson, se tornaram recordistas ao empilhar diversos troféus numa mesma edição.

Hoje, num mundo em que o primor visual é cada vez mais vasqueiro, se tornou cômodo à Liceu, dividida entre novos membros e a velha guarda, mascarar tradições ao aproximar filmes não ortodoxos de categorias técnicas —o “Frankenstein” de Guillermo Del Toro, por exemplo, venceu os prêmios de melhor cabelo e maquiagem, melhor figurino e melhor design de produção— e reservar as principais para longas de maior status.

Fora os prêmios de retrato e de trilha sonora concedidos para “Pecadores”, votantes também parecem crer premiar a relevância social desses projetos, mais que a sua originalidade, parece ser o suficiente. Isso pode explicar a vitória do diretor Ryan Coogler uma vez que roteirista, conquista próxima a de Jordan Peele com o horror “Corra!”, que em 2018 foi recebido enquanto uma inovadora sátira ao racismo.

Na era, Peele colhia os frutos de sua aclamada estreia na direção. Nos anos seguintes, conforme as mensagens políticas de seus “Nós” —longa em que versões alternativas de seres humanos assassinam as suas figuras de origem— e “Não! Não Olhe!”, homérico que mistura faroeste e alienígenas, se tornaram menos explícitas, as críticas positivas permaneceram, mas as nomeações à cerimônia da Liceu evaporaram.

A repudiação das tramas e imagens propostas pelo cineasta não foram o único motivo de revolta por secção da cinefilia. Protagonista de “Nós”, Lupita Nyong’o —vencedora do troféu de melhor atriz coadjuvante por “12 Anos de Escravidão”— se juntou a atrizes uma vez que Toni Collette, de “Hereditário”, e Florence Pugh, de “Midsommar”, que caíram nas graças da sátira, mas tiverem seus papéis esnobados pelas premiações.

Apesar do progressão, a vitória de Amy Madigan por “A Hora do Mal”, um ano em seguida a nomeação de Demi Moore por “A Substância” —que, naquela noite, recebeu só o prêmio de melhor maquiagem e penteado— também mira um reconhecimento ilustrativo e que procura a aproximação com os espectadores.

Não por contingência, ainda que “A Hora do Mal” tenha sido indicado exclusivamente à categoria de atriz coadjuvante, a Liceu celebrou uma de suas cenas mais marcantes ao aventurar uma lisura divertida e que rendeu muitas risadas. Mesmo o grande vencedor da noite, “Uma Guerra Em seguida a Outra”, encontrou no estabilidade entre o seu humor irreverente e comentários sobre as atuais políticas de imigração americanas a força de sua campanha.

Ao reunir gêneros diversos, uma vez que ação, suspense e comédia, o longa surgiu uma vez que estratégia perfeita para reconhecer tardiamente a curso de Paul Thomas Anderson —que, apesar da graduação épica, costuma ser elogiado pela profunidade de seus dramas e personagens—, diagnosticar problemas atuais da sociedade americana —sem que os mesmos fossem diretamente enunciados durante a cerimônia—, e substanciar as tentativas de tornar a cerimônia mais conseguível.

Para filmes de sucesso, mas repletos de litros de sangue falso, seres dentes pontiguados e outros elementos sobrenaturais, entretanto, o caminho para a categoria máxima ainda parece longo.

Folha

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