Manoel Carlos durante entrevista no Rio de Janeiro em outubro de 2016
Estevam Avellar/Mundo
Responsável de grandes novelas da TV brasileira, Manoel Carlos morreu neste sábado (10), aos 92 anos, no Rio de Janeiro. A morte foi confirmada pela família. A culpa da morte não foi divulgada.
Além de responsável, foi também produtor, repórter, diretor e ex-ator. Ele deixa duas filhas: a atriz Júlia Almeida e a roteirista de novelas Maria Carolina.
Veja aquém a repercussão da morte do responsável.
Lilia Cabral
Em entrevista à GloboNews, a atriz Lilia Cabral lamentou a morte de Maneco. Em Páginas da Vida, a atriz deu vida a Marta, uma das mais icônicas vilãs da TV brasileira.
“Acho que, para a minha vida, ele foi fundamental, porque as pessoas deixaram de me enxergar exclusivamente uma vez que uma atriz divertida, colorida, e ele me enxergou uma vez que uma atriz densa, com a possibilidade de dar tristeza e profundidade a muitos personagens que eu fiz nas novelas dele”, disse.
“Eu queria estar do lado dele agora, mas acho que não vai ser verosímil. Queria ter grato a ele. Eu sempre agradeci em todos os meus posts, toda hora que eu falo, todas as novelas que reprisam, eu falo da valor dele na minha vida, mas acho que não foi o bastante.”
Carolina Ferraz
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“É com grande tarar que venho prestar minha homenagem a leste responsável que tantas coisas boas fez na dramaturgia brasileira. Tive o prazer de estar com ele em algumas de suas obras e sempre fui surpreendida com sua magnanimidade e habilidade incrível de tratar o dia a dia com trova.
Maneco sempre escreveu muito muito para mulheres, suas personagens femininas são inesquecíveis e foram vividas por um grande elenco de atrizes talentosíssimas.
Sei do seu solidão nos últimos anos por razão de saúde e sempre, quero repetir sempre, fui e serei agradecida pela parceria e oportunidades maravilhosas! Trabalhar com vc foi um grande prazer.
Um ósculo grande e carinhoso, pleno de reverência à toda família.”
A história
Maneco, uma vez que era publicado, começou na Mundo em 1972, uma vez que diretor-geral do “Fantástico”. Antes disso, já havia pretérito por diversas emissoras brasileiras, atuando uma vez que responsável, produtor e até ator. A curso artística começou ainda nos palcos, aos 17 anos.
Ao longo dos anos, suas novelas ficaram marcadas pelo Rio de Janeiro uma vez que cenário — e também uma vez que personagem — e pela abordagem de conflitos no núcleo da família brasileira.
Outro traço marcante de sua obra foram as “Helenas”. De Baila Comigo (1981) a Em Família (2014), as personagens retratavam mães das quais paixão pelos filhos superava qualquer repto.
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Carioca de coração
Manoel Carlos nasceu em 1933, em São Paulo. Apesar disso, sempre se considerou carioca de coração.
Rebento de um negociante e uma professora, Maneco começou sua trajetória profissional aos 14 anos uma vez que facilitar de escritório, mas já estava conectado às artes desde logo, se reunindo diariamente com um grupo de jovens na Livraria Municipal de São Paulo para ler e discutir literatura e teatro.
Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Fabio Sabag, Flávio Rangel e Antunes Rebento faziam segmento deste grupo, batizado de Adoradores de Minerva.
Manoel é pai da atriz Júlia Almeida e da roteirista de novelas Maria Carolina, que colaborou com ele em diversas obras. O responsável teve outros três filhos, que faleceram: o dramaturgo e ator Ricardo de Almeida (morto em 1988), o diretor Manoel Carlos Júnior (2012) e o o estudante de teatro Pedro Almeida (que morreu aos 22 anos, em 2014).
Manoel Carlos durante entrevista no Rio de Janeiro em outubro de 2016
Estevam Avellar/Mundo
Estreia na curso artística
Apesar de todo seu sucesso uma vez que responsável, Maneco iniciou sua curso artística uma vez que ator. Aos 17 anos, atuou no “Grande Teatro Tupi”, um programa de teleteatro da TV Tupi. No ano seguinte, foi premiado uma vez que ator revelação e estreou uma vez que produtor e diretor.
Em 1952, começou a grafar programas da TV e iniciou uma trajetória por várias emissoras, passando pela período principiante da TV Record e pela TV Itacolomi, de Belo Horizonte, além de uma estada no Jornal do Commercio, em Recife. Na TV Tupi, do Rio de Janeiro, adaptou mais de 100 teleteatros.
Na dez de 1960, Manoel Carlos participou das últimas produções da TV Excelsior.
E na TV Rio, entre outros projetos, dividiu a redação do programa “Chico Anysio Show” com Ziraldo e Mário Tupinambá, e dirigiu “O Varão e o Riso”, também com Chico.
Na TV Record, fez segmento da equipe que escreveu e produziu programas uma vez que “Hebe Camargo”, “O Fino da Bossa”, “Bossaudade”, “Esta Noite se Improvisa”, “Alianças para o Sucesso”, “Para Ver a Filarmónica Passar” e “Família Trapo”.
Trajetória na TV
Maneco estreou na TV Mundo uma vez que diretor-geral do “Fantástico” em 1972, permanecendo no programa por três anos.
Em 1978, fez sua primeira romance para a emissora, a “Maria, Maria”, uma adaptação do romance “Maria Dusá’” de Lindolfo Rocha. No mesmo ano, adaptou o romance “A Sucessora”, de Carolina Nabuco. A romance tinha estrelas uma vez que Susana Vieira, Rubens de Falco e Arlete Salles.
O responsável inspirou em sucessos da radionovela para solidificar seu estilo de escrita em dramaturgia.
Em 1980, além de grafar alguns episódios do seriado “Malu Mulher” – protagonizado por Regina Duarte –, foi convidado por Gilberto Braga para dividir a autoria de “Chuva Viva”.
A romance contava com Reginaldo Faria, Raul Cortez, Betty Faria, Tônia Carreiro, Glória Pires, entre outras estrelas.
Além de suas históricas novelas, Manoel Carlos também escreveu minisséries uma vez que “Presença de Anita” (2001), e ‘Maysa – Quando Fala o Coração’ (2009).
O responsável Manoel Carlos
Cedoc/TV Mundo
Helenas, Rio de Janeiro e conflitos familiares
Em 1981, escreveu “Baila Comigo”, romance que levou sua primeira Helena ao ar. A personagem era interpretada pela atriz Lílian Lemmertz.
As “Helenas” foram peças marcantes dos trabalhos de Maneco. Heroínas nas tramas, as personagens eram mães das quais paixão pelos filhos era capaz de superar qualquer repto.
Ao Memória Mundo, Maneco explicou que a origem do nome vem de sua paixão pela mitologia grega: Helena é o símbolo da mulher possante, guerreira e capaz de tudo em nome do paixão.
“Elas são aquelas mães abnegadas e ao mesmo tempo não se esquecem delas mesmas. São vaidosas, são justas e injustas na medida certa, né? Elas são mentirosas, elas escamoteiam a verdade em favor de um rebento, por exemplo. Elas defendem um rebento até a injustiça. É muito difícil alguém evadir, uma mulher evadir da sua semelhança com a própria mãe”, contou Manoel ao “Fantástico” em 2014.
O responsável Manoel Carlos
Cedoc/TV Mundo
Outras marcas do responsável em suas novelas são o Rio de Janeiro uma vez que cenário e o mergulho em conflitos familiares.
“Dizem que eu faço uma dramaturgia realista, naturalista, mas eu não acho zero disso. Procuro exclusivamente fazer uma coisa verossímil. O paixão se parece em todas as línguas, todos os países. O ódio, a inveja, o inveja. E eu retrato só essas coisas, entende? E isso tudo existe em qualquer família. Eu ouço muito conversa em moca, em bar, e tudo se parece”, explicou ele em entrevista à Mundo News em 2016.
Outrossim, ele também motivava ações socioeducativas, abordando temas uma vez que campanhas para doação de medula, contra o alcoolismo, violência contra a mulher, preconceito e inclusão social.
“Situo as minhas novelas no Rio de Janeiro. Faço coisas muito fortes, sob um firmamento muito azul. As tragédias e os dramas acontecem, mas o dia está lindo. A praia e o espírito carioca dão uma coloração rosa ao contexto cinzento. E o público acaba absorvendo as tramas de uma maneira mais ligeiro”, afirmou o responsável em entrevista ao Memória Mundo.
Em 1991, Maneco levou para a TV a romance “Felicidade”, que começou a esboçar 12 anos antes. A trama foi inspirada em diversos contos de Aníbal Machado e levava a segunda Helena de Maneco, interpretada por Maitê Proença.
Em 1995, mais uma Helena aparecia na tela em “História de Paixão”. A personagem de Regina Duarte integrava um triângulo amoroso e era apaixonada por Carlos Alberto (José Mayer), um médico casado com sua rival, Paula (Carolina Ferraz). A responsável já afirmou que escreveu a romance paras as duas atrizes.
Três anos depois, levou a história de uma mãe que abre mão de seu rebento em nome de outra filha, na romance “Por paixão”. Novamente, Helena foi interpretada por Regina Duarte.
Outra história de sacrifício materno que marcou a curso de Maneco foi em “Laços de Família” (2000). Na trama, Vera Fischer viveu Helena, uma mãe que que descobre que sua filha está com leucemia e que a única forma de salvá-la era gerar um rebento do mesmo pai da pequena. Porém, ela não nutriz mais o varão.
A romance traz uma das cenas mais marcantes das novelas de Maneco: o momento em que Carolina Dieckmann, tradutor de Camila, raspa o cabelo. O responsável afirmou que escreveu a personagem principalmente para a atriz.
Com a romance, Maneco venceu vários prêmios uma vez que Troféu Prelo, Troféu Internet e Prêmio Extra de Televisão.
Em ‘Mulheres Apaixonadas’ (2003), Maneco exaltou a força feminina e colocou Christiane Torloni uma vez que sua Helena.
“Acho que a mulher move o mundo, não só pelo vestuário dela ser geradora do ser humano, mas porque eu acho a mulher mais possante, mais sofrida, e injustiçada. Tem mais dificuldade na vida e no trabalho e ela faz disso uma fortaleza”, explicou o responsável ao falar sobre a romance.
Em 2006, trouxe Regina Duarte para sua terceira Helena. Desta vez, uma médica em “Páginas da Vida”.
Três anos depois, estreou “Viver a Vida”, com Taís Araújo estrelando a primeira Helena negra de Maneco. A atriz interpretava uma top model internacional que, no auge da curso, largava a profissão para se matrimoniar com Marcos (José Mayer), que tem uma filha que luta para se restabelecer de um acidente que a deixou paraplégica.
A última Helena de Maneco foi a herdeira de sua primeira musa: o responsável convidou Julia Lemmertz, filha de Lilian Lemmertz, para estrelar “Em Família” (2014).
Fonte G1
