Parte da história é omitida no turismo a cidades históricas

Parte da história é omitida no turismo a cidades históricas no país

Brasil

Ruas de pedra, casarões e igrejas são elementos muito conhecidos do turismo em cidades históricas de Minas Gerais, porquê Tiradentes. Segmento importante da história, no entanto, é excluída dos circuitos tradicionais: o indumentária de terem sido pessoas escravizadas as responsáveis por todas as construções e pela produção econômica sítio.

Levante foi um dos principais assuntos da mesa de debates Quando a conta é o silêncio: cemitérios apagados, memórias insurgentes, realizada nesta sexta-feira (12), em Tiradentes, no contextura do Festival Artes Vertentes.

A mesa discutiu o apagamento das pelo menos 22 milénio pessoas que foram forçadas a trabalhar na região principalmente ao longo do século 18, quando a portanto Vila de São José – que viria a se invocar Tiradentes – viveu da exploração do ouro e foi um dos importantes centros extrativistas de Minas Gerais.


Tiradentes (MG), 12/09/2025 – O antropólogo e fotógrafo, Patrick Arley durante mesa Quando a conta é o silêncio: cemitérios apagados, memórias insurgentes no Festival Artes Vertentes, no escritório técnico do IPHAN, no centro de Tiradentes (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Tiradentes (MG), 12/09/2025 – O antropólogo e fotógrafo, Patrick Arley durante mesa Quando a conta é o silêncio: cemitérios apagados, memórias insurgentes no Festival Artes Vertentes, no escritório técnico do IPHAN, no centro de Tiradentes (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Tiradentes (MG), 12/09/2025 – O antropólogo e fotógrafo, Patrick Arley durante a mesa Quando a conta é o silêncio, disse subsistir um apagamento não unicamente dos horrores da escravidão, mas de todos os saberes. Foto: Tomaz Silva/Escritório Brasil – Tomaz Silva/Escritório Brasil

Para o antropólogo, fotógrafo e educador Patrick Arley, que participou do debate, há um apagamento não unicamente dos horrores da escravidão, mas de todos os saberes, da filosofia e cosmologia das pessoas que foram trazidas à força para a região.

“A gente fala de cidade histórica, de patrimônio, mas o que é considerado patrimônio dentro desse exposição da cidade histórica? Em universal, a gente tá falando de igreja e de casarões que pertencem a famílias que tinham moeda, brancas. Todas as outras formas de sagrado, todas as outras formas de cosmologia, de filosofia, de saberes que também estavam cá nessa idade, é porquê se não existissem”, disse.


Tiradentes (MG), 12/09/2025 – O professor, escritor e chefe da divisão internacional da Fundação Cultural Palmares, Boaz Mavoungou durante mesa Quando a conta é o silêncio: cemitérios apagados, memórias insurgentes no Festival Artes Vertentes, no escritório técnico do IPHAN, no centro de Tiradentes (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasi
Tiradentes (MG), 12/09/2025 – O professor, escritor e chefe da divisão internacional da Fundação Cultural Palmares, Boaz Mavoungou durante mesa Quando a conta é o silêncio: cemitérios apagados, memórias insurgentes no Festival Artes Vertentes, no escritório técnico do IPHAN, no centro de Tiradentes (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasi

Tiradentes (MG), 12/09/2025 – O professor, jornalista e dirigente da subdivisão internacional da Instauração Cultural Palmares, Boaz Mavoungou. defendeu políticas públicas voltadas para prometer a justiça e para finalizar com o racismo. Foto: Tomaz Silva/Escritório Brasi – Tomaz Silva/Escritório Brasil

De consonância com os debatedores, preservar a memória é também uma forma de prometer que o que aconteceu, e ainda acontece nos dias de hoje, não seja esquecido e que haja políticas públicas voltadas para prometer a justiça e para finalizar com o racismo, porquê defende o assessor Internacional da Instauração Cultural Palmares, Boaz Mavoungou, que também participou da mesa.

“A justiça é quando a lei trata todo mundo com devido reverência e ninguém está supra do outro por qualquer privilégio”. 

“Somos um povo. Ainda não somos uma pátria. A gente não compartilha a mesma história. Em qualquer lugar tem uma pessoa que tem uma lápide do avô e outro que mal sabe onde está enterrado do pai. Alguns cemitérios foram apagados propositadamente, porque a arqueologia pode mostrar se alguém foi mal tratado”, enfatizou.

Os participantes também chamaram atenção para porquê é feito o turismo, muitas vezes de forma desrespeitosa, tirando fotos fingindo que se está encadeado em locais onde pessoas escravizadas foram brutalmente torturadas.

“Seria porquê chegar em Auschwitz [campo de concentração alemão onde judeus foram mortos na Segunda Guerra Mundial], entrar em uma câmara de gás e pedir para alguém me filmar fingindo que estou sem ar”, compara.

Preço de políticas públicas

O segundo dia do Festival Artes Vertentes foi marcado por debates. Outro destaque foi a mesa “Entre o Estado e a Rua: Políticas Públicas e Justiça Racial nas Margens do Atlântico”, que entre outras coisas, debateu a prestígio de políticas públicas para combater as desigualdades raciais no Brasil e para valorizar a cultura.

A deputada estadual de Minas Gerais Andréia de Jesus (PT), uma das integrantes da mesa defendeu a Lei Aldir Blanc de Fomento à Cultura (Lei 14.399/2022) e a Lei Paulo Gustavo (Lei Complementar 195/2022). “São fundamentais. Nós estamos descentralizando o orçamento da cultura, podendo atender de forma um pouco menos burocrática comunidades tradicionais, políticas culturais, políticas de cultura de rua. Estou falando de hip hop, do funk, que são manifestações negras”, destacou.

Ela enfatizou também que a cultura é também uma forma de “disputar cidade, disputar ideias, disputar o protótipo de pátria que nós queremos”, devendo por tanto ser valorizada e incentivada.

Mavoungou, que também participou dessa mesa, complementou: “A cultura é o que sobra quando esquecemos tudo. A cultura não é uma pintura, é o que ela expressa. A cultura não é uma cadeira de madeira esculpida, é o que ela conta sobre a história daquele povo. A cultura na África é o que sobra quando você esquece tudo. Aquela que te define o fundo da psique”.


Tiradentes (MG), 12/09/2025 – A deputada estadual de Minas Gerais, Andréia de Jesus durante debate sobre políticas públicas e justiça social no Festival Artes Vertentes, no Centro Cultural Yves Alves, no centro de Tiradentes (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Tiradentes (MG), 12/09/2025 – A deputada estadual de Minas Gerais, Andréia de Jesus durante debate sobre políticas públicas e justiça social no Festival Artes Vertentes, no Centro Cultural Yves Alves, no centro de Tiradentes (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Tiradentes (MG), 12/09/2025 – A deputada estadual de Minas Gerais, Andréia de Jesus defendeu a adoção de cotas para reduzir assimetrias, durante debate sobre políticas públicas e justiça social no Festival Artes V. Foto: Tomaz Silva/Escritório Brasil – Tomaz Silva/Escritório Brasil

Para reduzir assimetrias, Andréia de Jesus defendeu as cotas, sejam nos editais ou mesmo para o aproximação a universidades. Ela defendeu também políticas que sejam voltados especificamente para as particularidades dos territórios e das populações.

“Estamos em uma mesa com três pessoas retintas de diferentes continentes e nós três estamos dizendo que sofremos racismo. Existe um elemento estético que é usado para nos brigar. E isso vai cada vez mais fazendo as pessoas e o mundo acreditarem que existem povos inferiores. É isso que a gente sofre cá no Brasil. Por isso as ações afirmativas, para mostrar a nossa capacidade intelectual, a nossa capacidade produtiva e a nossa capacidade de gerar riqueza em qualquer lugar do mundo. Muitas vezes nós estamos disputando só o recta de ser cidadão”.

A comissária universal da Temporada França-Brasil 2025, Anne Louyot, defendeu que as desigualdades e o racismo vão além do Brasil e que é necessário um diálogo internacional para combatê-los.

“Eu acho que precisa de um diálogo realmente transatlântico, um diálogo internacional, para lutar contra as injustiças econômicas, as injustiças políticas, as injustiças raciais. Isso é fundamental porque senão, o conservadorismo vai lucrar, porque são muito fortes. Eu acho que esses movimentos conservadores se sentem ameaçados, por isso estão lutando, estão tentando se reinventar para lucrar novos públicos, novos, novas ferramentas de poder, porquê o caso das redes sociais, porquê o caso das religiões”.


Tiradentes (MG), 12/09/2025 – A comissária geral da temporada França-Brasil 2025, Anne Louyot durante debate sobre políticas públicas e justiça social no Festival Artes Vertentes, no Centro Cultural Yves Alves, no centro de Tiradentes (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Tiradentes (MG), 12/09/2025 – A comissária geral da temporada França-Brasil 2025, Anne Louyot durante debate sobre políticas públicas e justiça social no Festival Artes Vertentes, no Centro Cultural Yves Alves, no centro de Tiradentes (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Tiradentes (MG), 12/09/2025 – A comissária universal da temporada França-Brasil 2025, Anne Louyot defendeu um diálogo internacional na luta contra as injustiças econômicas, políticas e raciais. Foto: Tomaz Silva/Escritório Brasil – Tomaz Silva/Escritório Brasil

Festival Artes Vertentes

A 14ª edição do Festival Artes Vertentes começou na quinta-feira (11), com um cortejo do Congado Nossa Senhora do Rosário e Escrava Anastácia, seguido por cerimônia de lisura e apresentações musicais. 

A edição deste ano tem porquê tema Entre as margens do Atlântico, propondo um diálogo entre três continentes intimamente ligados pela história: América, África e Europa. A programação de 2025 também faz secção da Temporada França-Brasil, que ocorre até o final do ano em 15 cidades brasileiras e tem porquê objetivo aproximar, por meio da cultura, os dois países.

A programação do festival segue até dia 21, majoritariamente na cidade de Tiradentes, mas também com atividades previstas nas cidades de São João del Rei e Bichinho, onde haverá com sinais de cinema que discutem memória, ancestralidade e resistência. A maior secção da programação é gratuita. Mais detalhes no site artesvertentes.com.

*A Escritório Brasil viajou a invitação do Festival Artes e Vertentes

Fonte EBC

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