Pesquisa aponta que brasileiros têm pouco conhecimento do Holocausto

Pesquisa aponta que brasileiros têm pouco conhecimento do Holocausto

Brasil

Hannah Charlier, 83 anos de idade, é uma sobrevivente do Sacrifício. Nascida em 1944, na Bélgica, ela é filha de judeus que participavam da resistência contra o nazismo germânico. Sua mãe estava prenha quando foi capturada pelos alemães e levada para a prisão, onde Hannah nasceu.

Hannah era unicamente um bebê quando seus pais foram portanto encaminhados para o fuzilamento. Mas ela sobreviveu porque sua mãe, antes de ser fuzilada, a colocou em um pequeno pacote, que amarrou nas costas. Quando sua mãe foi fuzilada, acabou caindo sobre Hannah. “E, em cima dela, caíram outras pessoas”, contou Hannah.

Um solene germânico que acompanhou o fuzilamento notou que a mãe de Hannah, antes de ser fuzilada, tentava proteger alguma coisa. “Ele ficou curioso para saber porque ela dava tanta valimento para aquilo que ela tentou proteger. Logo, ele mandou todo mundo para morada e, quando todos saíram, ele voltou para lá e puxou esse ‘pacote’ que estava embaixo da minha mãe. Foi portanto que ele viu que era uma menino”.

O solene germânico a colocou em uma mochila, sem que ninguém a visse, e foi deixá-la entre um grupo de judeus da resistência. “Os resistentes sabiam que essa menino só podia ser filha da minha mãe, que era uma resistente que foi pega prenha. E eu acabei sendo entregue a uma senhora que era responsável pelo Serviço Social da Puerícia, uma mulher que acabou salvando mais de 5 milénio crianças judias”, contou.

Hannah foi levada a um orfanato e, quando completou 9 anos de idade, acabou sendo adotada por um parelha que imigrou para o Brasil, onde vive até os dias de hoje.

A história de Hannah ilustra o que foi o Sacrifício, o assassínio em volume dos judeus que viviam na Europa. O Museu Memorial do Sacrifício dos Estados Unidos o define uma vez que “a perseguição sistemática e o assassínio de 6 milhões de judeus europeus pelo regime nazista germânico, seus aliados e colaboradores”. 


São Paulo (SP), 22/01/2026 - A sobrevivente do holocausto Hannah Charlier participa do lançamento da pesquisa
São Paulo (SP), 22/01/2026 - A sobrevivente do holocausto Hannah Charlier participa do lançamento da pesquisa

Sobrevivente do sacrifício Hannah Charlier participa do lançamento da pesquisa Conhecimento sobre o Sacrifício no Brasil, no Memorial do Sacrifício de São Paulo – Foto: Rovena Rosa/Dependência Brasil

O Sacrifício teve início em janeiro de 1933, quando Adolf Hitler e o Partido Nazista assumem o poder na Alemanha, e terminou em maio de 1945, quando as potências aliadas derrotaram a Alemanha nazista no término da Segunda Guerra Mundial.

“Inserido na Segunda Guerra Mundial, o Sacrifício é a maior tragédia que a humanidade viveu no século 20”, explica Sergio Napchan, diretor executivo da Confederação Israelita do Brasil (Conib).

“O Sacrifício em si é um recorte, esses números não são precisos, mas morreram 6 milhões de pessoas. Um terço dos judeus que moravam na Europa foram exterminados por serem judeus”, ressalta, em entrevista à Dependência Brasil.

No próximo dia 27 é comemorado o Dia Internacional em Memória às Vítimas do Sacrifício. E, para marcar a data, foi lançada nesta quinta-feira (22), no Memorial da Imigração Judaica e do Sacrifício de São Paulo, uma pesquisa que apontou que a maior segmento dos brasileiros (59,3%) já ouviu falar do Sacrifício, mas somente metade deles (53,2%) soube defini-lo corretamente.

“A peroração principal que a gente está tirando dessa pesquisa é que tem uma grande parcela da população brasileira que não sabe exatamente o que foi o Sacrifício. O termo pode ser publicado, mas os detalhes não. Isso é muito importante nos dias de hoje, porque a gente está vivendo um momento em que o exposição de ódio está circulando muito pelas redes sociais. Os jovens estão consumindo muito teor com apologia ao nazismo e com banalização do Sacrifício”, destacou Hana Nusbaum, gerente de Instrução da Stand WithUs Brasil.

De concordância com o estudo, o conhecimento sobre o Sacrifício se mostra ainda mais frágil quando são analisados elementos específicos sobre o tema, uma vez que o reconhecimento de que Auschwitz-Birkenau foi um campo de concentração e de extermínio do povo judeu, o que foi feito por unicamente 38% dos entrevistados.

“Os holocaustos foram prioritariamente judeus, mas não unicamente. Toda essa população LGBT da estação foi condenada, prisioneiros políticos foram condenados, testemunhas de Jeová. Ou seja, essa história não é uma história judaica. Os judeus foram os mais vitimados, mas ela vai aliás e por isso que a gente tem um esforço muito grande de marcar essa data para que isso não aconteça com mais ninguém”, ressaltou Sergio Napchan.

Escolaridade

A pesquisa também demonstrou que a principal natividade de conhecimento sobre o tema é a escola (30,9%), seguida por filmes e livros (18,6%) e a internet e as redes sociais (12,5%).

Os museus, memoriais e instituições especializadas foram citados por unicamente 1,7% das pessoas, o que indicou inferior entrada a espaços formais de memória.

Para Carlos Reiss, diretor do Museu do Sacrifício de Curitiba, esses dados reforçam a valimento da instrução e da cultura para o conhecimento sobre esse incidente. 

“O museu tem um papel fundamental na construção dessa memória. A gente acredita muito na responsabilidade social dos museus e em uma museologia social que presta serviço para a sociedade, que se envolve nas pautas públicas e que se coloca contra os discursos de ódio, a violência, o racismo, a homofobia e a violência contra a mulher”, defende.

Para Hana Nusbaum, a instrução é elemento fundamental para combater o ódio e a violência que poderiam resultar em episódios uma vez que o Sacrifício. 

“Quando os alunos brasileiros compreendem o que foi o Sacrifício, isso fortalece justamente a formação cidadã deles. O sobrevivente Gabriel Waldman, quando é chamado para falar sobre isso, fala que está na sala de lição ‘para vacinar os alunos contra o ódio’. E é justamente isso que a gente precisa promover no ensino do Sacrifício nas escolas brasileiras”, ressalta.


São Paulo (SP), 22/01/2026 - A pesquisadora Hana Nusbaum participa dp lançamento da pesquisa
São Paulo (SP), 22/01/2026 - A pesquisadora Hana Nusbaum participa dp lançamento da pesquisa

Pesquisadora Hana Nusbaum destaca o papel da instrução para o combate aos genocídios no mundo – Foto: Rovena Rosa/Dependência Brasil

Sergio Napchan também destaca o papel da instrução para o combate aos genocídios no mundo. “Se você educar, se você falar, se você marcar, se você valer e der significado do que representou e o que não pode mais intercorrer, queira Deus que a gente consiga trabalhar com a premissa de que nunca mais vai intercorrer. A gente não garante zero. O mundo anda confuso. Mas queira Deus que fazendo isso, estaremos fazendo a nossa segmento”, afirma.

Pesquisa

Intitulada de Conhecimento sobre o Sacrifício no Brasil, a pesquisa foi desenvolvida pelo Grupo Ispo, a pedido da Conib, do Memorial do Sacrifício de São Paulo, do Museu do Sacrifício de Curitiba e da Stand WithUs Brasil.

Os dados começaram a ser coletados em abril do ano pretérito e se estenderam até outubro, ouvindo 7.762 pessoas de 11 regiões metropolitanas do país, com exceção da Região Setentrião. 

Segundo os pesquisadores, o estudo ainda será expandido para outros locais do país, inclusive para cidades do Setentrião do país.


São Paulo (SP), 22/01/2026 - Lançamento da pesquisa
São Paulo (SP), 22/01/2026 - Lançamento da pesquisa

Lançamento da pesquisa Conhecimento sobre o Sacrifício no Brasil, no Memorial do Sacrifício de São Paulo – Foto: Rovena Rosa/Dependência Brasil

Atos

Diversos atos ocorrem nos próximos dias para marcar o Dia Internacional em Memória às Vítimas do Sacrifício. No domingo (25), por exemplo, um ato será realizado na Congregação Israelita Paulista em memória às vítimas do Sacrifício, na capital paulista, com início às 18h.

No dia seguinte, a Vivenda do Povo, também na capital paulista, deve receber a presença da ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, para um encontro com instituições da comunidade judaica e do bairro Bom Retiro. O evento terá início às 18h20.

Fonte EBC

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *