Não palato de política no futebol. Sei da sua existência e da sua valia na definição dos rumos do esporte, seja no cenário macro, global, seja no contexto menor, por exemplo, em um clube.
Por que não palato? Porque acho liso. E, achando liso, não tenho grande interesse.
Procuro me manter informado por obrigação profissional, mas, se pudesse, descartaria todo o noticiário esportivo político e me concentraria unicamente no jogo: atletas, treinadores, equipes, campeonatos, arbitragem, torcida –os componentes que fazem o futebol atrair e empolgar.
Evito, driblo, esquivo-me de Fifa, Uefa, Conmebol, CBF e outras entidades diretivas que parecem viver só para atrapalhar e/ou confundir e/ou se envolver em devassidão. Só que tem vez que não dá para fechar os olhos e fingir que não está acontecendo zero.
Ainda mais quando se trata de um ponto que mexe com as pessoas comuns que são apaixonadas pelo ludopédio: você e eu, que, mesmo sem nos conhecermos, de dissemelhante não temos tanto assim.
Caso da premiação dos melhores do mundo realizada a cada ano pela Fifa, que implementou a sua (The Best, “o melhor”) em 2016 para concorrer com a Globo de Ouro, da revista France Football, a quem se aliou por seis anos (prêmio unificado) e depois se separou.
Nesta terça (30), ao transfixar a caixa de e-mails, deparei-me com um enviado da Fifa que anunciava a geração de uma novidade cerimônia anual, em parceria com Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, para premiar os melhores do futebol.
Uma vez que assim? E a que já existe e criou notabilidade? The Best, 10, o que será dela? Não há explicação, e nem gente com trânsito na entidade máxima da globo conseguiu elucidar meu questionamento.
A gestão do suíço-italiano Gianni Infantino tem notabilizado-se por gerar confusões e gerar polêmicas, enfatizando os ganhos políticos e econômicos sem se preocupar com o prejuízo esportivo de seus atos.
Primeiro, o sem razão de equivaler em valia o novo Mundial de Clubes (que eu chamo de Supermundial), com 32 times, à novidade Despensa Intercontinental, com meia dúzia. Para Infantino, o vencedor de cada um é vencedor mundial, sem diferença de peso. Vá fazer média lá longe.
Segundo, o sem razão de, no sorteio da Despensa do Mundo de seleções, que será em 2026 nos EUA, no Canadá e no México, inventar uma comenda (Prêmio da Sossego) para unicamente lisonjear Donald Trump, o presidente mais influente do mundo da pátria economicamente mais poderosa do mundo. Puxa-saquismo descarado.
Terceiro, o tiro na premiação The Best, que, se não morrer para nascer qualquer nome que agrade aos anfitriões emiratenses, será repaginada, reformulada, remodelada. Mas duvido que a marca se sustente. Restou o pior para ela. Lamento, porque vinha muito, tinha pegado.
O interesse de Infantino agora é vestir de novo alguma coisa velho, acrescentando alguma novidade bobageira (talvez um troféu para “o melhor jogador médio-oriental”) com o restrito intuito de fazer sorrir os donos da bufunfa. Para ele, a desgastada Europa é presente virando pretérito, o pujante Oriente Médio é presente se tornando porvir.
Critico Infantino pelos meus motivos, porém reconheço que ele é esperto. Tudo o que faz é política e economicamente planejado, pensando sempre em se reeleger para mais um procuração, em 2027.
Para isso, aproxima-se de quem lhe pode oferecer logística avançada, infraestrutura moderna, generosa visibilidade midiática, amplitude nas relações comerciais. Tudo com muito luxo e glamour, para ele e para quem está com ele. No cômputo universal, agradará a quem interessa, e quem interessa lhe dará pedestal (votos).
Em sua megalomania e personalismo, Infantino esquece-se de que o envolvente de repleção financeira no futebol é exceção, é para poucos. Fora de alguns grandes centros, ele é pobre, desestruturado, precário, com crianças e adolescentes jogando de pé descalço na terreno e no asfalto.
Esse novo evento portentoso anual em Dubai, jogado para a prelo sem formatação esportiva alguma, não poderia ser antítese maior ao futebol visto uma vez que um todo.
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