Por que Critics Choice Awards não é um termômetro do

Por que Critics Choice Awards não é um termômetro do Oscar – 04/01/2026 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Ser premiado no Critics Choice Awards, porquê aconteceu com “O Agente Secreto”, laureado porquê melhor filme internacional na noite deste domingo (4), é certamente alguma coisa a ser comemorado. Mas trespassar de mãos enxurro ou abanando nesta que é a primeira cerimônia da temporada de prêmios do cinema não indica necessariamente chances ampliadas —ou reduzidas— de receber um Oscar no dia 15 de março.

Nesse violência eleitoral de Hollywood, dois meses é muito tempo para virar o jogo, e existem diferenças gritantes no perfil desses prêmios, suficientes para que as listas de vencedores não mostrem muitas vezes configurações parecidas.

Há uma tendência em considerar os prêmios anteriores porquê “termômetro do Oscar”. Isso engloba as premiações de sindicatos da categoria, associações de críticos e até o Mundo de Ouro, que ainda traz porquê bônus categorias de filmes musicais e comédias, normalmente desprezados pelo Oscar.

Observando os vencedores dos últimos anos, é mais fácil possuir uma semelhança entre as listas do Critics Choice Awards e do Mundo de Ouro do que encontrar correspondência com os laureados do Oscar. São os dois primeiros prêmios desta temporada, e os votantes de ambos são jornalistas especializados, que trazem na bagagem as múltiplas listas de melhores do ano disparadas em dezembro. Daí pode surgir um consenso.

Mas, em relação ao Oscar, há uma diferença possante entre as bases votantes. O Critics Choice é oferecido por uma associação de críticos americanos e canadenses, criada em 1995 para essa finalidade. Já o Mundo de Ouro é entregue desde 1944, quando foi criado pela Associação de Correspondentes Estrangeiros em Hollywood.

É muito generalidade ler ou escutar que o Mundo de Ouro é oferecido por jornalistas estrangeiros em Hollywood, ou seja, profissionais de fora dos Estados Unidos. Mas também não é muito assim. Na verdade, americanos também podem votar, mas precisam satisfazer os critérios da Golden Globes Foundation, que só aceita jornalistas que façam uma cobertura de alcance internacional. É, portanto, uma eleição com visões de cinema de várias culturas pelo mundo.

Isso pode explicar o histórico da relação do Critics Choice com as brasileiras Fernanda Montenegro e Fernanda Torres. Ambas foram indicadas ao Mundo de Ouro e ao Oscar. A mãe concorreu aos dois prêmios em 1999, pelo filme “Médio do Brasil”, e a filha no ano pretérito, por “Ainda Estou Cá”, pelo qual levou o Mundo de Ouro.

Mas ambas foram ignoradas pelo Critics Choice. A não inclusão de seus nomes não é um desprezo exclusivamente talhado a brasileiras ou latinas. É muito difícil qualquer ator de fora dos Estados Unidos figurar na lista, porque a sarau carrega um tom rendeiro. Em seguida mais de um século de cinema, ainda há resistência entre os críticos americanos de falar a seus leitores sobre um filme que vem de fora.

No caso de Fernanda Torres, ainda, é bom esclarecer uma informação que foi assimilada erroneamente por muita gente. Em outubro de 2024, foi entregue o Critics Choice: Celebration of the Latino Cinema and Television, premiação que já tem cinco edições e contempla somente filmes e programação de TV produzidos em países latinos. É uma espécie de Grammy Latino, mas de filmes.

Seguindo a lógica do prêmio músico, é uma forma de deleitar ao público hispânico, cada vez maior nos Estados Unidos. Fernanda Torres ganhou porquê melhor atriz de filme internacional, numa cerimônia sem grande divulgação, em Los Angeles. Mas, semanas depois, não apareceu na lista do Critics Awards tradicional.

Nas discrepâncias entre as listas dos prêmios é preciso ressaltar também a influência da data de votação de cada um. O Mundo de Ouro encerrou o prazo de entrega dos votos neste domingo (4), poucas horas antes do início da cerimônia do Critics Choice, portanto não é provável falar de qualquer influência nos resultados de uma associação para outra.

O Mundo de Ouro, sim, pode influenciar o Oscar. Os integrantes da Ateneu começam a votação para escolher os indicados em 12 de janeiro, dia seguinte à sarau do Mundo de Ouro. Essa votação será concluída no dia 16. Em seguida anunciar os indicados, em 22 de janeiro, a escolha final dos nomeados do ano acontece de 26 de fevereiro a 5 de março.

Nesse período, os votantes já terão publicado também os ganhadores nos prêmios dos sindicatos dos atores, dos roteiristas e outras categorias profissionais do cinema, que também têm papel relevante na escolha.

Vale ressaltar, ainda, que nessas semanas anteriores ao Oscar as produções indicadas gastam muito quantia na divulgação para os votantes. Não é pouca coisa. Um filme pequeno, independente, pode chegar a gastar US$ 1 milhão para tentar lucrar uma estatueta. Os concorrentes de peso podem chegar a US$ 15 milhões. Esse investimento tem chance de mudar bastante o quadro de vencedores do Oscar em relação ao Critics Choice e ao Mundo de Ouro.

Algumas reviravoltas impressionam. Uma recente está nos quatro prêmios no Oscar para o sul-coreano “Sevandija”, de Bong Joon Ho, incluindo o de melhor filme, em 2000. Chegou à sarau da Ateneu porquê predilecto para filme estrangeiro, categoria que havia conquistado no Mundo de Ouro, mas ser o grande vitorioso da noite estava completamente fora das especulações.

Em 2022, “Ataque dos Cães” conquistou quatro prêmios no Critics Choice e três Globos de Ouro, mas passou pelo Oscar com ares de fracasso. Entrou predilecto, com cinco indicações, e só levou a estatueta de direção para Jane Campion.

O motivo? Críticas crescentes sobre a extrema violência da história de um quinteiro opressor. O Oscar preferiu devotar uma produção pequena, “No Ritmo do Coração”, drama edificante sobre uma família de pessoas surdas, que além do prêmio principal levou somente mais dois, ator coadjuvante, para Troy Kutsor, e roteiro ajustado.

Foi alguma coisa parecido com o que aconteceu com “Ainda Estou Cá”, vencedor do Oscar de filme internacional no ano pretérito. No Mundo de Ouro, “Emilia Perez” levou porquê melhor filme estrangeiro e melhor comédia ou músico. Mas causaram possante repercussão declarações antigas de sua atriz principal, Karla Sofía Gascón, consideradas racistas e xenófobas. Ela foi cancelada nas redes e a Netfix, produtora do filme, retirou o investimento de divulgação. Sem incerteza, facilitou o caminho para o filme de Walter Salles.

Folha

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