Ele já apareceu em showrooms da Tesla, nas linhas de produção da empresa —e até posou ao lado de Kim Kardashian.
Mas a visão de Elon Musk para o robô humanoide Optimus é muito mais ambiciosa do que isso.
Desde que o apresentou pela primeira vez em um evento da Tesla em 2022, o bilionário da tecnologia tem dito que o robô de sua empresa poderá desempenhar um papel enorme nos lares e na vida de pessoas em todo o mundo.
Junto com os táxis-robôs autônomos e os caminhões Cybertruck, Musk acredita que os robôs da Tesla são peça-chave para solidar a presença da empresa no campo da lucidez sintético (IA).
E os investidores que aprovaram, na quinta-feira (6), seu pacote salarial de US$ 1 trilhão (muro de R$ 5,6 trilhões) parecem concordar.
Uma das metas que Musk precisa executar para receber esse pagamento astronômico é entregar um milhão de robôs com IA na próxima dezena.
Mas a grande aposta da Tesla em robôs humanoides tem base científica —ou é ficção?
GRANDE POTENCIAL
O Vale do Silício está mirando cume nos humanoides.
Um relatório divulgado pelo banco Morgan Stanley nesta sexta-feira (7) previu que a Apple —que, segundo rumores, também estaria desenvolvendo robôs desse tipo— poderia faturar US$ 133 bilhões (muro de R$ 750 bilhões) por ano até 2040 com a tecnologia.
A Foxconn, por sua vez, estaria implantando robôs humanoides em sua fábrica da Nvidia, no Texas.
A teoria de uma lucidez sintético avançada dentro de um corpo com forma humana é, ao menos em teoria, uma combinação incrivelmente poderosa. Ela permitiria que a tecnologia interagisse com o mundo físico —e sim, inclusive conosco.
Enquanto muitas empresas têm desenvolvido robôs humanoides para uso industrial e fabril —porquê a britânica Humanoid— algumas já planejam levar a tecnologia para dentro de morada.
O Neo, robô da empresa 1X, com lançamento previsto para 2026, promete executar tarefas simples porquê esvaziar a lava-louças, vergar roupas e buscar objetos.
O preço? US$ 20 milénio (muro de R$ 115 milénio) —mas com uma salvaguarda: segundo o Wall Street Journal, o robô é na verdade controlado por uma pessoa usando um headset de verdade virtual.
O crítico Brian Hopkins, da Forrester, afirmou que a queda no dispêndio dos componentes, somada aos avanços na destreza dos robôs e na lucidez sintético, está tornando os humanóides viáveis em diferentes contextos.
“De armazéns e restaurantes a cuidados com idosos e segurança, novos usos estão ganhando força rapidamente”, escreveu em seu blog.
“Se as tendências atuais se mantiverem, os robôs humanoides poderão transformar profundamente muitas indústrias de serviços físicos até 2030.”
Musk já havia dito a investidores que seus robôs “têm potencial para, com o tempo, se tornarem mais importantes do que o próprio negócio de veículos”.
Depois da aprovação de seu pacote salarial, ele foi além: declarou crer que o Optimus pode ser “o maior resultado de todos os tempos —muito maior que os celulares, maior que qualquer coisa”.
O empresário também sugeriu que o projeto poderia impulsionar as ambições de IA da Tesla, principalmente no progressão de sistemas de lucidez sintético universal (AGI) —capazes de igualar habilidades humanas.
“O Tesla AI pode desempenhar um papel na AGI, já que treina com base no mundo real – principalmente com o vinda do Optimus”, escreveu ele na rede X, em 2022.
Em outro ponto desse mesmo setor, o Atlas, robô hidráulico da Boston Dynamics, cativou milhões de pessoas no YouTube com suas acrobacias e coreografias de dança.
Os vídeos virais mostrando seus saltos, giros, cambalhotas e mortais ilustram os avanços da robótica nos últimos anos —agora potencializados pela explosão da IA, que permite que esses sistemas executem tarefas cada vez mais complexas.
Quando foi reformado no ano pretérito, o Atlas foi substituído por um novo protótipo totalmente elétrico, que, segundo os desenvolvedores, é capaz de vergar sua estrutura metálica de formas ainda mais impressionantes.
Mas muitos dos especialistas em robótica com quem a BBC conversou ao longo dos anos costumam revirar os olhos quando ouvem falar de empresas de tecnologia moldando robôs à imagem humana.
Na prática, há pouca razão para que robôs tenham pernas.
Os mecanismos e o hardware necessários para criá-las são muito mais complexos e custosos.
Uma vez que resumiu um investigador: “rodas são muito mais eficientes.”
E melhor nem perguntar por que um robô precisaria ter cabeça.
Do ponto de vista psicológico, porém, os humanoides sempre exerceram um fascínio profundo sobre nós – um tanto refletido há décadas na ficção científica.
Basta lembrar de personagens porquê C-3PO, de Star Wars; Bender, de Futurama; ou o Exterminador do Horizonte para entender que os humanos tendem a se sentir mais à vontade diante de um tanto que se parece conosco.
Na vida real, todavia, as máquinas humanoides costumam ser muito menos refinadas —e mais desajeitadas, limitadas e cheias de falhas— do que suas contrapartes da ficção.
Mas isso parece estar mudando com o progressão de modelos porquê o Optimus e outros robôs mais elegantes, que nos aproximam cada vez mais daquele desconfortável “vale da estranheza”.
O robô da Tesla tem aparecido em contextos públicos com mais frequência —recentemente, servindo hambúrgueres e pipoca aos clientes da lanchonete da empresa em Hollywood.
Sam Altman, diretor da OpenAI (criadora do ChatGPT), disse em maio não crer que o mundo esteja prestes para os humanoides – embora também os tenha descrito porquê “um momento que está prestes a chegar”.
Apesar da rivalidade pública entre ele e Elon Musk, neste caso parece ter um ponto de convergência: os robôs estão vindo, e Musk certamente tem o poder, a influência e o verba para fazer isso intercorrer.
Levante texto foi publicado originalmente cá.
