Por que romance de Juquinha e Lorena abala redes sociais

Por que romance de Juquinha e Lorena abala redes sociais – 11/12/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Foi no embalo de “Relicário”, regravação de Anavitória da música eternizada na voz de Cássia Eller, que Juquinha e Lorena deram o primeiro ósculo na romance “Três Graças”, nesta quarta-feira (10). O gesto foi ovacionado por fãs nas redes sociais, em um furor inédito para um par de mulheres no horário transcendente da televisão brasileira.

A frase “Selinho Loquinha”, junção dos nomes Lorena e Juquinha, ficou entre os assuntos mais comentados do X quando o ósculo foi ao ar. Entre as postagens, fãs pedem por mais cenas de afeto físico entre as duas e por beijos mais intensos. O par interpretado por Alanis Guillen e Gabriela Medvedovsky já é o predilecto da romance, de convenção com dados do Google Trends. Os vídeos de cenas do par publicados na conta solene da Mundo no X acumulam milhares de curtidas.

Um ósculo entre duas mulheres na telinha não é novidade, mas a velocidade e a naturalidade com que ele aconteceu ajudam a explicar a empolgação do público. Juquinha e Lorena não passaram vários capítulos dando longos abraços, beijos nas bochechas e fazendo insinuações sobre uma tensão sexual óbvia para, no último capítulo da romance, exclusivamente encostarem os lábios. Esse costuma ser o roteiro clichê para casais homoafetivos.

Enfrentar o preconceito também não é o que dá às duas tempo de tela, uma vez que frequentemente acontece com personagens LGBTQIA+ —ainda que a narrativa dê a entender que o namoro será motivo de conflito entre Lorena e seu pai, o empresário Ferette, vivido por Murilo Benício.

Na trama, Juquinha é investigadora e dupla de Paulinho, par romântico da protagonista Gerluce, que quer desmantelar o negócio proibido de falsificação de remédios de Ferette. Os dois policiais provavelmente vão se envolver na investigação do esquema. Enquanto isso, Lorena passa a vacilar da morte do tio Rogério, ex-melhor camarada de Ferette, que já sabemos estar vivo.

Apesar de serem personagens laterais, as duas desempenham papéis importantes para o desenvolvimento da história. Juquinha, por exemplo, trouxe à tona a investigação arquivada da morte de Rogério a pedido de Lorena —e é verosímil, evidente, que o ocorrência também seja obra de Ferette. Mas o que vem empolgando mais as fãs são os minutos de tela dedicados ao flerte entre Lorena e Juquinha.

A química entre as duas é tanta que atiçou até espectadores internacionais, depois de cenas da romance chegarem, por meio do X, a comunidades de fãs interessados por conteúdos de mulheres que amam mulheres. Medvedovsky, que dá vida a Juquinha, chegou até a gravar um vídeo em espanhol nas suas redes sociais endereçado às novas seguidoras estrangeiras.

Vale lembrar que o par enamorado aparece em horário transcendente depois da Mundo ser acusada, em 2023, de trinchar beijos gays das tramas de “Vai na Fé” e “Terreno e Paixão” para fazer média com seu público conservador, principalmente diante do prolongamento da população evangélica no país.

Até agora, a emissora parecia apostar em seu braço sob demanda, a Globoplay, para ocupar os telespectadores mais jovens e progressistas. Só neste ano, duas produções exclusivas para streaming trouxeram cenas quentes entre mulheres: a premiada “Guerreiros do Sol”, que recria o cangaço brasílio e tem um par formado pelas atrizes Alice Roble e Alinne Moraes, e “Vermelho Sangue”, série de vampiros e lobisomens com o triângulo amoroso vivido por Leticia Vieira, Laura Dutra e a própria Alanis Guillen.

A Mundo tem surfado na vaga do sucesso nas redes. Em seu X, a emissora vem postando vários recortes de cenas de Lorena e Juquinha com legendas celebrativas, uma vez que “sou muito loquinha” e “esse par me deixa sem ar”.

Basta uma rápida retrospectiva para lembrar que a representação do libido entre mulheres é rara em folhetins brasileiros. Glorinha e Roberta, interpretadas por Isabel Ribeiro e Renata Sorrah, fizeram o verosímil frente à repreensão dos anos de ditadura em “O Rebu”, de 1974, e conseguiram desabitar os maridos para viverem juntas. Na “Vale Tudo” original de 1988, Cecília e Laís vivem felizes em uma pousada, até que a primeira morre repentinamente em um acidente de coche.

A maldição do término trágico é geral para lésbicas na ficção, já provaram Martha Dobie em “Infâmia” e Tara em “Buffy, a Caça Vampiros” ou, até mais recentemente, Villanelle de “Killing Eve”. O mesmo aconteceu com as emblemáticas Leila e Rafaela, vividas por Sílvia Pfeifer e Christiane Torloni, em “Torre de Babel”, de 1998. As duas morreram queimadas em um incêndio depois de reações adversas do público ao romance.

Em 2003, dois anos posteriormente Cássia Eller lançar “Relicário”, Rafa e Clara, encarnadas por Paula Picarelli e Alinne Moraes, tiveram um final feliz. As duas enfrentaram o preconceito da mãe de Clara em “Mulheres Apaixonadas” e trocam um selinho no final da trama, ao viverem Romeu e Julieta em uma peça, depois de vários capítulos recheados de abraços e olhares desejosos. Apesar da timidez com que o romance foi retratado, o par foi um marco para a era. No ano seguinte, o ósculo entre Eleonor e Jennifer, de “Senhora do Rumo”, foi censurado.

O primeiro ósculo lésbico premeditado de uma romance das 20h aconteceu em 2014, entre Clara e Marina, interpretadas por Giovanna Antonelli e Tainá Muller, depois do histórico ósculo gay entre Felix e Niko, o primeiro em uma telenovela no país. Se parecia que as coisas progrediam, no ano seguinte, o mesmo gesto entre Fernanda Montenegro e Nathália Timberg em “Babilônia” revoltou a parcela mais conservadora do público, que pressionou a Mundo a trinchar outras cenas de afeto entre as duas, enquanto de outra secção, levantou críticas sobre uma vez que o romance entre as personagens não teve tempo suficiente para se desenrolar e atrair a simpatia dos espectadores.

Desde logo, o paixão minguou, tirando uma ou outra participação coadjuvante. Cecília e Laís do remake de “Vale Tudo”, por exemplo, se beijaram no último capítulo da romance, durante seu consórcio. O romance era pouco envolvente, até porque a função das duas na trama parecia se somar à possibilidade de perder a guarda da filha adotiva e a ter sua maternidade sempre questionada por outros personagens.

O histórico explica a empolgação nas redes sociais e também a do próprio Aguinaldo Silva, responsável de “Três Graças”, que afirmou sempre ter desejado emplacar um par lésbico com profundidade na televisão.

Folha

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