Às vésperas de completar 30 anos de atividades intensas, o grupo Cosmo Marumbi – Corpo de Socorro em Serra, que atua no parque estadual do mesmo nome, na Serra do Mar do Paraná. tem bons números de que se orgulhar, mas muitos desafios ainda pela frente. Primeiro ajuntamento criado para o resgate de pessoas acidentadas ou perdidas nessa espaço que é considerada início do montanhismo brasílio, o Cosmo cuida também da da manutenção das trilhas e promove ensino ambiental para os visitantes.
“Desde a implantação do parque, em 1996, se percebeu que, pelas características exigentes de suas trilhas e vias, seria ideal que existisse uma equipe de resgate ali dentro”, conta Lineu Araújo, vice-coordenador do Cosmo e segunda geração da gestão. “A proposta sempre foi poder fazer a prevenção e o manejo da segurança ali, no lugar”, acrescenta.
O trabalho do Cosmo, ressalta Araújo, é totalmente voluntário, mas está muito longe de ser amante. “O que segurou o Cosmo ao longo de todos esses 30 anos é a gestão de voluntários, termos pessoas muito focadas em gerir essas pessoas que não são voluntárias comuns, mas altamente especializadas”.
Araújo explica que o curso de formação de um voluntário que deseja entrar para o Cosmo é, assim, “quase uma faculdade”. O aluno fica quatro anos recebendo teoria, treinamento e avaliação até se firmar dentro da equipe e entrar para as rigorosas escalas de plantão de finais de semana obrigatórias —e não remuneradas. Ou por outra, em caso de urgência, alguns podem ser chamados durante a semana para uma eventual ocorrência.
“Chegamos ao protótipo atual porque somos todos montanhistas, os que fundaram o grupo eram montanhistas e a primeira geração ainda está conosco, eles foram buscar literatura na Europa, onde o montanhismo tem mais de 400 anos, tem regras de resgate, de socorro alpino”, diz Araújo. Primeiro se chamou técnicos do Corpo de Socorro Alpino Espeleológico italiano, que trouxeram a base técnica usada nos Alpes para resgate com cordas. “Mas a gente teve que tropicalizar as técnicas, adaptá-las ao envolvente virente, porque lá eles têm neve, cá não temos, portanto muito do que é feito lá não serve cá”, acrescenta.
A trouxa horária do curso fundamental para os voluntários pode chegar a 300 horas em um ano, sendo que depois vêm as especializações. Não é à toa que estudo realizado em parceria com a UFPR (Universidade Federalista do Paraná) apontava, em 2019, uma taxa de ocorrências de resgate de 1,68 para cada 1.000 visitantes. Os números ainda estão sendo atualizados à luz do poderoso incremento da demanda, mas o grupo está otimista.
Atualmente com um quadro de 50 voluntários, o Cosmo trabalha em parceria direta com o Corpo de Bombeiros lugar, que legalmente é a instituição responsável por resgates de todo tipo no Brasil. “Mas, uma vez que nós estamos dentro do parque, e temos um conhecimento diferenciado da espaço, fazemos o cadastro de todos os visitantes que entram na unidade e, se vemos que alguém subiu a serra mas não voltou a partir de certa hora, o plantonista aciona um projecto, confere a ficha de valoração e avalia a resposta que pode dar ao incidente “, relata Araújo.
O projecto, em universal, inclui percorrer a trilha que o visitante sumido havia enunciado que seguiria na matrícula da ingressão, buscando contato com ele para conferir se foi só um detença ou se pode ser um pouco mais sério. “O plantonista que está lá ai toda hora ver quantas pessoas estão na serra, quem voltou, quem não voltou. Não encontrou essa pessoa? Opa, temos uma ocorrência, ela sumiu”, alerta. A partir daí, são acionados os bombeiros, enquanto o voluntário continua procurando.
“Em qualquer operação, o bombeiro vai estar na liderança”, faz questão de frisar Araújo. “Quando a gente pega, por exemplo, alguém quebrado na trilha, o que acontece muito no Marumbi, disparamos o que chamamos de coelho, o primeiro voluntário que vai lá verificar a ocorrência. Chegando lá já presta o primeiro atendimento, até a chegada dos bombeiros. Se o tempo estiver bom, o bombeiro já leva para o helicóptero, porque temos essa relação simbiótica”.
A parceria é tão muito sucedida que a própria corporação envia soldados para formação de técnicos de resgate no Cosmo. “Eles reconhecem nosso curso uma vez que solene, portanto sempre que abrimos um curso novo, reservamos quatro ou cinco vagas para os bombeiros mandarem quem quiserem, e eles recebem o brevê de resgate para usar na farda, pois o curso segue os parâmetros internacionais e são conquistas para todos”, explica.
Para festejar os 30 anos dessa história pioneira —e que, pelo visto nos últimos anos, vai ser cada vez mais necessária— o Cosmo está preparando o lançamento de um livro que vai mostrar a evolução do grupo desde sua instalação, contada por seus membros. O título, “Delírio Tropical”, remete à avaliação feita pelos especialistas italianos há três décadas, que duvidava da viabilidade das vias do Marumbi. Para viabilizar o projeto, a ONG lançou uma campanha de arrecadação que pode ser acessada pelo link
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