Psytrance une brasil e israel e gera polêmicas na guerra

Psytrance une Brasil e Israel e gera polêmicas na guerra – 01/09/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Sabido por festas que seriam um reduto de silêncio, paixão e união, o mundo do psytrance vem sendo comovido desde o início da guerra em Gaza. O cerne da questão é Israel, país de grande relevância para o gênero. O último choque veio em julho: o DJ israelense Skazi cancelou sua participação no Tomorrowland, um dos maiores festivais de música eletrônica do mundo, alegando preocupações com sua segurança.

Seu temor surgiu depois ativistas pró-Palestina apontarem sua proximidade com as forças militares de seu país. Referência mundial para o psytrance e autodenominado “DJ de combate”, o artista já fez shows para o tropa de Israel, produziu uma música para o grupo patriótico The Social Front e participou de um evento em memória da rave atacada pelo Hamas em outubro de 2023.

A sarau era um braço do festival brasílio Universo Paralello em solo israelense, exclusivamente uma risca da longa relação entre os dois países no psytrance. Sabido por seu curso depressa, batidas saturadas e texturas atmosféricas, o gênero move há décadas uma comunidade global que tem entre seus líderes, hoje, artistas e festas brasileiras e israelenses —um intercâmbio que suscita questões.

“Israel sempre foi o pólo do psy, é de onde saíram os principais artistas, nomes uma vez que Astrix, Infected Mushroom, Skazi, entre outros”, diz Pedro de Freitas, cofundador do Papo Paralello, podcast especializado em psytrance. “Mas hoje em dia o Brasil ultrapassou Israel em termos de festas e artistas: o público de Israel quer muito ver DJs brasileiros, muitos têm ido para lá, e tem DJs israelenses que veem o Brasil uma vez que o principal objetivo de curso.”

Embora opção, a cena do psytrance no Brasil é consolidada. O calendário de festas no país dura o ano inteiro e vai de sul a setentrião, de festivais uma vez que o Amazontribe, na região de Manaus, a Cyclus, no Rio Grande do Sul. “As festas grandes hoje tem tapume de 15 a 20 milénio pessoas, festas uma vez que a Flor da Vida, que ocorreu em março, chegam a ter um público de tapume de 25 milénio pessoas”, afirma Freitas.

É geral que artistas israelenses se apresentem nesses eventos, e ver bandeiras daquele país na pista também é recorrente. O Festival Maya, em setembro, terá na programação o mesmo número de artistas brasileiros e israelenses. A própria Flor da Vida teve quatro artistas de Israel em sua última edição —o maior grupo de DJs estrangeiros do evento. A proporção também vale para o palco psytrance do Tomorrowland Brasil, marcado para outubro, que terá três DJs israelenses: Blastoyz, Infected Mushroom e Omiki.

No Brasil, o evento é realizado pelo festival belga em parceria com a DC Set e tem uma vez que diretor universal Mario Sergio Albuquerque. O empresário é também sócio e fundador do Espaço Boceta. A lar iria receber a sarau britânica Boiler Room no início de agosto, mas o evento foi cancelado por pressão de movimentos pró-Palestina: lideranças alegam que a companhia mantem laços com Israel por intermédio da firma de investimento KKR.

No dia seguinte ao cancelamento, o Espaço Boceta recebeu o artista Nicolas Jaar do qual mais recente trabalho homenageia as populações mapuche, do Chile, e palestina. Outra grife de festivais que tem ligações com o fundo de aporte, o DGTL também cancelou seu evento no Brasil previsto para outubro.

“Nossa programação é guiada pelo talento e originalidade músico, não pela nacionalidade”, afirma Debby Wilmsen, porta-voz do Tomorrowland. “Medidas de segurança adequadas sempre estão em vigor para prometer a segurança de todos os envolvidos no festival, e temos acordos claros com todos os artistas sobre o que é e o que não é permitido no palco.”

Na edição belga do Tomorrowland, dois homens vistos com uma bandeira do tropa israelense foram detidos e interrogados pela polícia. “Bandeiras são bem-vindas desde que sigam nossas regras de segurança e não promovam ódio, discriminação ou violência”, diz Wilmsen. “Reconhecemos que, no atual cenário geopolítico, a exibição de certas bandeiras pode ser sensível, e por isso monitoramos ativamente o espaço do festival e intervimos quando necessário.”

O psytrance surgiu nos anos 1980 em Goa, na Índia, no interceptação entre movimento hippie, música eletrônica e um caldeirão de espiritualidade que jovens ocidentais buscavam no sul da Ásia. O som, um encontro de cânticos tradicionais, sequenciadores eletrônicos e atmosfera de raves, se tornou um fenômeno ao longo dos anos 1990, atraindo para a costa indiana gente do mundo todo, inclusive brasileiros e israelenses.

“Muitos jovens israelenses viajam por um tempo depois do serviço militar obrigatório, eles vão para a América do Sul ou para países da Ásia, e naquela estação Goa era um orientação muito geral”, afirma Bryan Meadan, pesquisador canadense radicado em Israel que estudou o início do psytrance naquele país. “Foi mal o movimento chegou a Israel.”

A investigação de Meadan deu origem ao livro “Trancenational Alienation”, do qual título une o termo “desvairo” a um jogo de palavras com trance e transnacional. “O nacionalismo era alguma coisa mal visto por aqueles jovens. Eles se identificavam muito mais com uma teoria de transnacionalismo”, afirma ele. “E também se identificavam muito mais com a comunidade trance do que com as forças armadas ou com Israel.”

Meadan conta que, à estação, o psytrance se desenvolvia uma vez que cultura marginalizada em Israel. Eventos ocorriam às escondidas e seus organizadores tinham de mourejar com abordagens policiais frequentes. “Para ir a um desses eventos, você tinha que receber uma mensagem no celular com um endereço e, depois, ao chegar nesse ponto, você recebia um planta para chegar ao lugar da sarau.”

A crescente popularidade do psytrance passou a simbolizar, para secção da opinião pública, um choque às bases ideológicas do nacionalismo israelense —essenciais na instauração do país e no governo de Binyamin Netanyahu, logo em seu primeiro procuração uma vez que premiê. “É o que chamo de pânico moral, quando o governo começou a estrebuchar esse fenômeno: as festas passaram a ser ilegais, escondidas, secretas”, conta Meadan.

Nas últimas décadas, o psytrance virou um fenômeno de tamanho em Israel. A potente indústria tecnológica vernáculo, diz Meadan, também colaborou para a popularização ao facilitar o aproximação à juventude lugar a ferramentas de produção e performance de música eletrônica. “Eu moro em uma comunidade pequena e semana passada um garoto de 16 anos comemorou seu natalício em um parque cá e a noite toda eles estavam ouvindo psytrance, é alguma coisa que se tornou mainstream”, diz Meadan. “É uma música de sarau.”

Foi também durante esse período que artistas israelenses passaram a lucrar palco em outros países do mundo, alçados pelo sucesso lugar e proximidade com a Europa. O Brasil entrou no planta a partir dos anos 2000, com festas uma vez que a Trancendence, em Goiás, que trouxe o Skazi, logo um duo, pela primeira vez ao país naquela dez.

“Na estação a gente trouxe de Israel o Domestic e o Pixel, o Astrix veio pela sarau Tribe, e eu também fui para Israel, toquei três vezes lá”, lembra Luiz Guilherme Salla, o DJ Mal-parecido, um dos organizadores da XXXPerience —sarau itinerante que chegou a reunir tapume de 20 milénio pessoas no seu auge.

Desde logo, a cena do psytrance brasileira cresceu, com artistas e festas nacionais ganhando notabilidade mundialmente e mantendo diálogo com a cena israelense.

Com o início da guerra em Gaza, porém, Israel se tornou persona non grata para alguns setores da música eletrônica. Assim uma vez que nos casos de Boiler Room e DGTL, o festival espanhol Sónar foi níveo de boicotes por sua filiação à firma de investimentos KKR. Grupos e artistas pró-Palestina também se posicionaram contra ao clube teutónico Berghain acusando sua organização de increpação a manifestações políticas na lar.

Forjada no niilismo hippie e na jornada místico, do início em Trancoso, na Bahia, ao sucesso em Cimeira Paraíso, Goiás, a comunidade brasileira do psytrance parece imperturbável ao conflito. “O psy é a união de todos, no sentido de encontrar uma liberdade que hoje em dia as pessoas não tem: a sarau é um domo, você entra ali e tudo fica para trás”, diz o DJ Mal-parecido.

Há, por outro lado, quem questione essa teoria. “Eu entendo que a presença de artistas israelenses em raves brasileiras é um tema multíplice, mormente no contexto do conflito, logo é importante considerar questões éticas e políticas envolvidas”, afirma Bruno Ottoni, o DJ Xamã, residente da Universo Paralello.

“Acho que o Skazi errou, ele levantou uma bandeira muito séria em uma estação muito difícil”, diz o artista, que afirma ser em prol da existência de dois estados, Israel e Palestina. “Embora o psytrance possa ser visto uma vez que um refúgio da veras, eu acredito que é impossível separar totalmente a música da política e dos eventos mundiais.”

Para Meadan, os tempos de país trance de Israel ficaram para trás. “O psytrance deixou de simbolizar uma contracultura”, ele diz. “Mas também não acho que naquela estação os artistas faziam música para reclamar: eles só faziam aquela música porque eles podiam, porque gostavam.”

Folha

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