Quem se apresentou primeiro com os rostos pintados: secos e

Quem se apresentou primeiro com os rostos pintados: Secos e Molhados ou Kiss?

Celebridades Cultura

Polêmica antiga acusa de ‘plágio’ ou a filarmónica brasileira ou a filarmónica americana, ambas formadas na dezena de 1970. A celeuma é antiga e voltou à taxa depois a estreia de Varão com H, cinebiografia do cantor Ney Matogrosso, dirigida por Esmir Fruto.
Cinebiografia de Ney Matogrosso, Varão com H, mostra a subida do cantor com os Secos e Molhados
Divulgação/Paris Filmes (BBC)
Ney foi instado a responder, de novo, à mesma pergunta durante a divulgação do filme: quem foram os primeiros a se apresentar com os rostos cobertos com maquiagem, os roqueiros do Kiss ou o Secos e Molhados, grupo do qual foi líder?
O cantor brasílio, desta vez, não entrou na provocação. Só deixou simples que não copiou grupo nenhum, mesmo porque nem conhecia a filarmónica de hard rock americana.
Uma vez que já contou anteriormente o cantor brasílio, na dezena de 1970 ele estava mais interessado, por exemplo, no kabuki — o teatro nipónico divulgado por suas performances estilizadas, maquiagem elaborada e trajes coloridos.
“Eu comecei [a maquiar o rosto] porque ouvi proferir que artista não podia caminhar na rua, que artista não tinha privacidade. Eu só tinha 31 anos, eu não queria perfurar mão da minha privacidade. Fundamentado no kabuki, eu fui num lugar lá que vendiam as maquiagens brancas e pretas, e eu fiz uma face para mim baseada neles. Só que eles faziam maquiagens muito coloridas, e a minha eu fazia de preto e branco só”, contou Ney Matogrosso ao jornal Correio Braziliense em 2016.
Uma dezena antes dos Secos Molhados e do Kiss adotarem o uso de maquiagem, artistas uma vez que David Bowie e Alice Cooper já haviam sido vistos no palco com os rostos pintados.
Era o caso também da filarmónica The Crazy of Arthur Brown, liderada pelo cantor londrino Arthur Brown no termo dos anos 1960. Esquisitão, o vocalista apresentava-se nu e maquiado em alguns shows, além de usar um penacho de metal que pegava lume.
Trailer de ‘Varão com H’, cinebiografia de Ney Matogrosso
‘Não tenho teoria de quem sejam’
Mas nenhum desses artistas e grupos ficaram tão associados ao uso de máscaras quanto os Secos e Molhados e o Kiss.
Aliás, os dois contribuíram para a polêmica, com declarações venenosas nas últimas décadas sugerindo que o plágio veio do outro lado.
Em 2006, em entrevista ao Ducto Brasil, Ney declarou: “Fomos ao México [em 1974]. Dois empresários americanos quiseram me levar para os EUA. (…) Inclusive, disseram que minha imagem era boa, mas que o som tinha que ser mais pesado. Eu não ia mudar nosso som por pretexto disso. Uns seis meses depois, começou o Kiss, com uma maquiagem uma vez que a nossa e um som mais pesado”.
Das poucas vezes que falaram sobre o objecto, Gene Simmons e Paul Stanley, os dois fundadores do Kiss, desdenharam do grupo brasílio.
“Nunca ouvimos falar nessa tal filarmónica. Não temos teoria do que seja ou de que tocam”, declarou Paul Stanley em 1994, em coletiva de prensa.
Gene Simmons, também em coletiva, debochou: “Conheço essa mito. Já ouvimos falar dessa história. Não é verdade. Muitas pessoas acreditam nisso, mas também há muitas pessoas que acreditam em discos voadores, não?”
Jogada de marketing?
A filarmónica novaiorquina Kiss posando em Londres em 1976; performances combinavam rock de qualidade com efeitos pirotécnicos
Getty Images
É relativamente fácil desmontar a tese de plágio de ambos os lados, basta se ater ao histórico das duas bandas e uma vez que elas se formaram.
O Secos e Molhados nasceu três anos antes do Kiss, em 1970, o que não assegura nenhuma vantagem no debate. Até porque os primeiros a se apresentarem com o rosto pintado de branco foram Simmons e Stanley, quando ainda formavam o obscuro grupo Wicked Lester.
Mas é muito improvável que uma filarmónica do volta recíproco novaiorquino tenha servido de inspiração para os Secos e Molhados.
Os brasileiros podem usar a seu obséquio o veste de que foram os primeiros a fazer sucesso em grande graduação com o rosto pintado de branco — e, portanto, com grande visibilidade, ficaram mais suscetíveis a plágios.
Os americanos podem rebater, alegando que foram vistos no palco, pela primeira vez usando maquiagem, em março de 1973, três meses antes do lançamento do álbum Secos e Molhados, o célebre disco em que os brasileiros aparecem na toga com os rostos pintados, servidos em bandejas de prata.
As datas, portanto, não servem para esclarecer zero, só para colocar mais pontos de interrogação na história. Tudo começa a permanecer menos nebuloso quando se entende melhor as motivações, o contexto político e influências culturais vividos por cada uma das duas bandas.
Formado em Novidade York, o Kiss se tornou uma das bandas mais cultuadas e carismáticas da cena rock. As performances de Paul Stanley, Gene Simmons, Ace Frehley e Peter Criss combinavam rock de qualidade com efeitos pirotécnicos, uma marca do grupo, que vendeu mais de 100 milhões de discos.
O Kiss dava uma grande valimento ao marketing, na melhor forma de promover a filarmónica — e por isso manteve oculta por anos a verdadeira identidade de seus integrantes.
Isso só foi verosímil porque todos eles se apresentavam com o rosto pintado de branco.
Cada um representava um personagem. Stanley era Starchild, o artista que sonhava em ser uma estrela rock — e por isso era visto no palco com uma estrela pintada em torno do olho recta.
Simmons encarnava Demon, fã de filmes de terror, sempre fazendo face de mau.
Ace Frehley, o guitarrista, louco por ficção científica, aparecia com uma maquiagem futurista, no papel de Space Ace.
Por termo, o baterista Peter Criss, amante de felinos, virava o homem-gato Catman.
Em 2022, o Kiss fez uma turnê de despedida dos palcos, que passou pelo Brasil.
Barra pesada
Enquanto os roqueiros americanos brincavam de história em quadrinhos, cá no Brasil os Secos Molhados viviam numa verdade totalmente dissemelhante.
Quando o primeiro disco do Secos e Molhados foi lançado, em 1973, o AI-5, o mais rigoroso decreto presidencial da ditadura brasileira, ainda estava em vigor.
Ser artista no Brasil da repreensão e da tortura era tão aventuroso quanto ser militante político.
Ainda mais levante grupo, cuja atitude ousada e perfomática chamava a atenção, assim uma vez que seu sucesso — o disco de estreia vendeu murado de 300 milénio cópias, um verdadeiro feito na estação para uma filarmónica até logo desconhecida.
No ano seguinte, o Secos e Molhados saiu em turnê pelo Brasil, lotando teatros e o ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro (RJ).
“Ninguém nunca tinha cantado e vestido do jeito que eu me vestia. Ninguém tinha cantado com o rosto escondido uma vez que eu. Pintar o rosto era uma forma de me poupar do desprazer de não caminhar na rua, porque diziam que artista não andava na rua. Uma vez que é que eu ia perder o recta de caminhar na rua com 31 anos de idade?”, disse Ney em entrevista ao programa Conversa com Bial, em abril deste ano.
Os integrantes do Secos e Molhados, uma vez que muitos artistas de sua geração, foram fichados pelo Dops, órgão de repressão da ditadura. E vigiados de perto.
“Volta e meia, eu botava a face para fora da janela e via dois agentes à paisana dentro de um [carro] Dodge Dart com um binóculo”, lembrou Gerson Konrad.
Já Ney chegou a receber cartas anônimas com ameaças de morte.
Em 1974, a filarmónica brasileira gravou mais um LP, mas Ney Matogrosso, por divergências com os outros dois integrantes, João Ricardo e Gerson Conrad, desligou-se do grupo e partiu para a curso solo, assim uma vez que João Ricardo.
Os Secos e Molhados voltaram a se reunir outras vezes, com formações diferentes, mas sem o mesmo sucesso.
Polêmica sem termo
Polêmicas e lendas à segmento, zero parece ter valimento diante da genialidade de duas das mais celebradas bandas da história da música, que certamente fariam o mesmo sucesso maquiados ou de face limpa.
Recentemente, Oswaldo Vecchione, líder da filarmónica Made in Brazil, foi às redes sociais trazer um novo capítulo para o “buchicho” sobre os rostos pintados.
Ele contou que a filarmónica brasileira de rock havia se apresentado assim em… 1969!
“A gente sempre usou maquiagem em show. Para surpresa nossa, o Secos e Molhados fez três programas do Papo Pop com a gente e nunca usaram maquiagem. Quando saiu o disco deles, pô, um ‘tava’ usando maquiagem que parecia a do Cornélius, outro ‘tava ‘ usando maquiagem que parecia a do meu irmão, outro ‘tava’ usando uma maquiagem que parecia a minha. Foi uma surpresa, né? Foi uma coisa assim, meio estranha”.
Vai estrear tudo de novo.

Fonte G1

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