Racismo no sub 12: mãe diz que filho tem crises de

Racismo no sub-12: mãe diz que filho tem crises de choro – 23/10/2025 – Esporte

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A cabeleireira Maria (nome suposto), 38, conta que zero voltou a ser porquê antes na vivenda em que mora com o marido e os filhos em Guarulhos, na Grande São Paulo, depois os ocorridos do último domingo (19).

O rebento de 12 anos, desportista do Manthiqueira, ainda não conseguiu voltar aos treinos de futebol desde que ouviu da mãe de um rival, na arquibancada do Estádio Municipal Professor Dario Rodrigues Leite, em Guaratinguetá, a frase “preto rebento da p… sem família”.

O nome da mãe será postergado pela reportagem para preservar a identidade da muchacho.

Aos prantos, o menino se sentou no campo e relatou o ocorrido ao avaliador Guilherme Drbochlaw, que interrompeu a partida com o protocolo antirracismo. Uma mulher de 41 anos foi identificada e presa.

O caso reverberou mundialmente, com recente sintoma do presidente da Fifa, Gianni Infantino, se dizendo “enojado” pelo incidente ocorrido no Campeonato Paulista sub-12.

“Às vezes o pego chorando. Ele tenta provar força, do tipo ‘está tudo muito, não estou ligando’, mas percebo o quanto está sofrendo. Meu rebento não quer mais ir aos treinos. Voltou à escola na terça [21], ainda com pânico. E eu o entendo, o esporte não é para machucar assim. Não preciso que se torne jogador para sustentar a vivenda. Vou pedir para dar baixa no registro dele no Corinthians [onde joga futsal]”, disse a mãe à Folha.

“Não acredito que tomarão medidas, mas espero, de coração, que seja a última muchacho a suportar com isso no futebol”, completa.

Segundo ela, as ofensas não são novidade –já vinham ocorrendo há qualquer tempo, motivadas pela insatisfação de pais de outros atletas da categoria, descontentes com a chegada do garoto ao time por indicação do velho treinador do clube.

Embora seja desportista do Manthiqueira no futebol de campo, o juvenil ofendido divide a rotina jogando futsal no clube da capital paulista pela mesma categoria.

“A conversa deles era que meu rebento não merecia estar ali. Chamavam de lixo, gritavam ‘quebra ele’. Eu já nem entrava dentro do clube, ficava só dentro do carruagem esperando. Há muito tempo ele pede para não ir treinar”, relata.

A chegada ao Manthiqueira ocorreu neste ano, depois sua dispensa do futebol de campo do Corinthians. Apesar de o clube ter sede em Guaratinguetá, o sub-12 e outras categorias treinam em parceria com o técnico Léo Deva, em Guarulhos, por conta das dificuldades financeiras.

Em outro jogo recente entre as mesmas equipes, em Guarulhos, o menino já havia sido objectivo de insultos.

“Um desportista do Corinthians, [isso] está no vídeo da transmissão, coloca o dedo na face do meu rebento depois de uma falta e o xinga: ‘levanta, seu safado, seu rebento da p…’. Tudo bem por pais que deveriam somente incentivar. É alguma coisa inconcebível num campeonato de meninos de 12 anos”, conta a mãe.

“O caráter e a personalidade são formados em vivenda, pelos pais. O que essas crianças vão ser amanhã, vendo esse tipo de comportamento? É com isso que a gente se preocupa”, acrescenta.

A mãe conta que, no dia do jogo, não ouviu as ofensas pela intervalo entre torcidas das duas equipes. “Só tivemos ciência quando o juiz acionou o protocolo. Até logo, acreditava serem mais xingamentos, porquê sempre”, explica.

O incidente poderia ter terminado de forma ainda pior. Ela conta que a mulher de 41 anos que proferiu as injúrias raciais tentou fugir depois ser responsabilizada. A fuga só não se concretizou, segundo ela, porque o próprio garoto pulou em cima do carruagem para evitar que o veículo andasse.

“Ele tomou essa atitude, meu rebento é muito corajoso”, recorda, orgulhosa.

Em vídeo mostrado pela família à Folha, é verosímil vê-lo chorando copiosamente no estacionamento, sendo consolado por diversas mães e pais do Manthiqueira.

Um deles diz: “olha o estado da muchacho”, incentivando a conduzir o caso à delegacia. Ainda aos prantos, o juvenil tenta identificar quem foram os adultos que o ofenderam, citando nomes.

Maria ainda relata que tentou conversar com a mulher conduzida à delegacia. Segundo a mãe, “ela não se justificou e nem tentou um pedido de desculpas”. O TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo) concedeu liberdade provisória à suspeita.

Mesmo assim, a família não pretende buscar reparação judicial: “minha tia é advogada, mas não temos intenção de ampliar isso ou desabrochar. Diversos escritórios me procuraram, muita gente falou da exposição da nossa imagem, mas minha única intenção é cuidar da mente dele. Só quero que não cometa o mesmo erro ou desista do sonho dele”, diz.

A mãe e a família ainda buscarão séquito psicológico para o juvenil. Antes de ser chamado de “preto”, ele já era objectivo de apelidos de texto xenófobo.

“Ele diz que não liga, mas eu vejo que afeta, já é alguma coisa que está na cabecinha dele. Preciso lutar pela minha família”, afirma.

O fundador e hoje técnico do Manthiqueira, Oferecido de Oliveira, se reuniu nesta quarta-feira (22) com o departamento jurídico da FPF (Federação Paulista de Futebol). Ainda não há medidas formais. O Corinthians, clube em que o desportista atua no futsal, não se pronunciou e nem procurou a família.

Folha

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