Rembrandt: exposição traz 69 gravuras do mestre holandês 07/10/2025

Rembrandt: exposição traz 69 gravuras do mestre holandês – 07/10/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

O soalho de madeira estala com o caminhar num envolvente intimista de luz baixa onde só se ouvem murmúrios. Neste lugar de silêncio e atmosfera solene, dezenas de pessoas observam muito de perto pequenos quadros, menores do que cartões postais —são ilustrações de mendigos e anônimos das ruas, cenas de família e de passagens bíblicas, autorretratos e paisagens.

Trata-se de um conjunto de 69 gravuras de Rembrandt, o grande artista holandês, em exibição até 8 de novembro no Meio Cultural dos Correios, no Rio de Janeiro. A mostra —que depois viaja para a Mansão Fiat de Cultura, em Belo Horizonte, e o Palácio Anchieta, em Vitória—, é uma rara chance de ver um conjunto tão significativo da obra do pintor e gravador, considerando que ele produziu pouco mais de 300 gravuras. Não há previsão de que a exposição chegue a São Paulo.

“As gravuras são muito velhas, mas também muito modernas e contemporâneas”, afirma Luca Baroni, organizador da exposição e diretor da Rede dos Museus da Região Marche Nord, na Itália, que administra o conjunto de obras, todas secção de uma mesma coleção privada. Isto porque, diz Baroni, ao traçar pessoas das ruas de Amsterdã, situações de seu cotidiano, sua mãe ou retratar a si mesmo, o artista “consegue gerar uma conexão com o público, que pode ver o mundo pelos olhos de Rembrandt”.

Produzidas entre 1629 e 1665, período que coincidiu com as décadas em que Rembrandt van Rijn morou em Amsterdã —portanto uma cidade conectada ao mundo devido ao transacção e exploração marítimas realizadas a partir da costa holandesa—, as gravuras são um atestado da maestria do artista com a técnica do “chiaroscuro”, o uso da luz e das sombras que confere às obras possante contraste, no paisagem visual, e muita dramaticidade, no projecto simbólico, assim porquê Caravaggio fez na sua pintura.

Exemplo disso é “Estudante à Mesa à Luz de Velas”, exposta na segunda sala, uma água-forte que, se vista de longe, parece somente uma mancha preta no papel, mas que revela o sujeito do título quando o testemunha chega perto. Chuva-forte é um método no qual o artista risca o ilustração numa placa de cobre com uma ponta afiada e depois mergulha a placa num ácido, que penetra nos sulcos. Molhada, a matriz é portanto colada sobre o papel para formar a ilustração.

“O paradoxo da gravura é que o artista não cria a obra de arte final —ele trabalha na placa, não no papel. Quando você pinta, você adiciona elementos e, assim, vê o trabalho à medida em que é feito. Já, ao fazer uma gravura, você precisa imaginá-la primeiro, porque não vê o resultado final [de imediato]. Você desenha e é o ácido que faz o trabalho por você”, afirma Baroni.

Baroni ressalta que Rembrandt ficou famoso porquê gravurista antes mesmo de porquê pintor —seus óleos mais conhecidos, “A Prelecção de Anatomia do Doutor Tulp”, e “Ronda Norturna”— foram executados depois que ele já vendia aos colecionadores centenas de impressões de suas gravuras para se manter. As pinturas alavancaram seu nome ainda mais. “Ele fez muito mais quantia com as gravuras. Porque, mesmo que fossem mais baratas que as pinturas, é provável fazer até milénio impressões de uma.”

Dividida em duas grandes salas, a exposição traz algumas das mais importantes gravuras do artista, porquê “O Jogador de Golfe”, uma das primeiras representações do ponto na história da arte, e “Autorretrato com Saskia”, datada de 1636. O ano marcou o casório de Rembrandt com Saskia van Uylenburgh, de uma família da fidalguia holandesa e que tinha um primo comprador e vendedor de arte responsável por influenciar a curso de Rembrandt.

Em “Autorretrato com Saskia”, ressalta o organizador da mostra, Rembrandt se desenhou com uma roupa pomposa e um belo chapéu, vestuário que sinalizava seu status social de prestígio adquirido em seguida o casório. Ilustrar sua mulher junto era uma forma de dar relevância para ela e festejar uma união feliz num momento em que ele se estabelecia porquê o principal artista de Amsterdã —Rembrandt pintava retratos da mediocracia sob encomenda.

A maioria das gravuras tem o tamanho entre um selo e um cartão postal porque as placas de cobres grandes eram mais caras e, logicamente, com uma superfície maior a ser ilustrada, davam mais trabalho ao artista. Era mais rápido —e economicamente vantajoso para Rembrandt— produzir obras em menor graduação para suprir a demanda de seu aquecido mercado.

Ainda assim, a exposição traz algumas gravuras de grandes dimensões, a exemplo da representação bíblica de “A Morte da Virgem”, em que vemos a mãe de Jesus cercada por apóstolos tristes no término da sua vida. A imagem é uma novidade versão de uma gravura de mesmo tema feita pelo teuto Martin Schongauer —considerado primeiro grande gravador, que trabalhou no final do século 15—, e que Rembrandt mantinha em sua coleção de obras de arte.

Nesta e em outras obras, labareda a atenção a riqueza de detalhes. É provável ver com transparência as linhas das mãos dos personagens, o drapeado dos tecidos e as expressões desoladas de quem está ao volta de Maria, já com os olhos fechados no seu leito de morte. “Só Rembrandt era capaz de fazer isso, porque tinha domínio técnico”, afirma Baroni.

Folha

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