A melhor descrição do Oasis encontrada no punhado de livros lançados na véspera da turnê de reunião vem de um jovem Pete Doherty Se houve mãos leves, foram também hábeis . Ainda sem ser uma estrela do rock com os Libertines, Doherty foi entrevistado porquê um comentarista popular de TV em 1997, no dia do lançamento do terceiro álbum da filarmónica de Manchester, “Be Here Now”. “Eu sigo a visão do Umberto Repercussão”, disse ele para a câmera, “de que Noel Gallagher é um poeta e Liam é um arauto da cidade”.
Na verdade, essa não era a visão de Umberto Repercussão. O célebre noticiarista italiano, que escolheu a “Variação nº 22 das Variações Goldberg” de Bach porquê sua fita favorita no Desert Island Discs, nunca compartilhou nenhuma opinião sobre os irmãos Gallagher — até onde se sabe. Mas a reparo, em si, é certeira.
Com sua voz áspera e intensa, Liam de roupa canta porquê se estivesse transmitindo notícias urgentes a uma plebe reunida numa terreiro, mesmo quando está somente dizendo para “fazer uma curso de pó ao sol”. E, embora as letras de Noel — que parecem retiradas de um léxico de rimas (“I can see a liar, sitting by the fire” ou em português “Consigo ver um mentiroso, sentado junto ao queimação.”) — tenham sido muito ridicularizadas, há um ansiedade sincero por conexão e significado em suas melhores composições. É por isso que tantas frases das músicas do Oasis, parafraseando uma delas, deslizaram “para dentro do olho da nossa mente”.
Em seguida anos de brigas entre irmãos, o Oasis finalmente implodiu antes de um show em Paris, em meio a guitarras quebradas, ameaças de violência — e, num toque de puro anticlímax, uma ameixa atirada.
A tirada de Doherty aparece no livro “Live Forever”, de John Robb, um entre vários títulos tentando invocar atenção à medida que os irmãos Gallagher fazem seu aguardado retorno. O interesse não se resume à nostalgia pelos anos 1990. A filarmónica símbolo do Britpop está ligada à dezena por conta de dois álbuns colossais: o álbum de estreia de 1994, “Definitely Maybe”, e seu sucessor de 1995, “(What’s the Story) Morning Glory?”. Desde a separação conturbada em 2009, no entanto, surgiram novas gerações de fãs. No dia em que sua reunião foi anunciada em agosto pretérito, eles foram os que mais subiram na paragem diária de artistas globais do Spotify, chegando à 20ª posição.
A separação foi explosiva. Em seguida anos de rixas fraternas, o Oasis se desfez antes de um show em Paris, com guitarras despedaçadas, ameaças de agressão e —em um pormenor tragicômico— uma ameixa arremessada. O retorno parecia improvável em 2019, quando Noel descartou qualquer chance de dividir o palco com seu irmão “idiota”. Mas cá estamos: o Oasis reconstituído, com Paul “Bonehead” Arthurs porquê o único outro membro original, abrirá a turnê mundial em Cardiff nesta sexta-feira. O arauto da cidade e o poeta estão reconciliados. Qual mensagem eles trazem para 2025?
Para Robb, um veterano na cena rock de Manchester, tanto porquê músico quanto porquê jornalista, o Oasis representa um pretérito que já passou. Ele afirma que a separação depois uma peleja nos bastidores entre os irmãos, aparentemente instigada por Liam ter arremessado a ameixa, pôs termo à “última grande filarmónica britânica de rock ‘n’ roll no cânone britânico de elevado decibel que começou com os Beatles”.
É uma descrição típica e enfática, mas o Oasis também se via dessa forma. Uma das primeiras fitas cassete de gravações demo, de 1993, tinha uma capote mostrando uma Union Jack —bandeira do Reino Unificado— rodopiando por um ralo. “É a maior bandeira do mundo e está indo para o ralo”, explicou Liam sem rodeios. “Estamos cá para fazer alguma coisa a saudação.”
Do ponto de vista de 2025, esse sentimento poderia estar em um panfleto do partido Reform. Mas havia mais, ou talvez menos, no jingoísmo do Oasis do que a versão política ressurgente e sombria de hoje. Seu orgulho pela bandeira era estritamente focado no simbolismo do rock, improvisando sobre o uso da Union Jack por sucessivas ondas de subculturas juvenis, de mods e The Who a punks e Sex Pistols. Ao mesmo tempo patriótica e subversiva, esta era uma forma opção de pompa britânica ao Trooping the Colour.
O resgate dessa tradição pelo Oasis gerou críticas de que eles eram somente imitadores. Keith Richards declarou, em 1997: “Oasis basicamente copia os Beatles/Stones dos anos 60.” (Liam respondeu desafiando Richards — e também Mick Jagger — para uma peleja em Primrose Hill, ao meio-dia.) Uma dessas disputas levou a um combinação extrajudicial depois acusações de plágio entre o single “Shakermaker” e o sucesso de 1971 do grupo The New Seekers, “I’d Like to Teach the World to Sing (In Perfect Harmony)”, popularizado por um mercantil da Coca-Cola.
Não há porquê negar a semelhança — mas, porquê música, “Shakermaker” pisa poderoso no jingle cuja melodia Noel pegou emprestada. Se houve mãos leves, foram também hábeis. Da mesma forma, a notabilidade do Oasis porquê vândalos não era totalmente precisa. Os irmãos Gallagher eram notoriamente briguentos entre si, em meio a latas de cerveja e muitos palavrões. Mas a narrativa que os colocava porquê bárbaros, em contraste com os refinados rivais do Britpop, o Blur, era uma invenção da mídia. Na veras, o Oasis também se preocupava com estilo e imagem.
Seu logo, criado pelo designer gráfico Brian Cannon, era marcante: o nome da filarmónica em caixa preta, no estilo do logo da Decca Records nos anos 1960. Cannon e sua empresa Microdot também criaram as capas de “Definitely Maybe” e “Morning Glory”; o cenário encenado da primeira foi inspirado em um quadro de Jan van Eyck. Roupa e cabelo eram essenciais, principalmente para o vaidoso Liam. “Stillismo” é o termo dele para sua postura estática no microfone —cordas do pescoço esticadas, boca porquê uma caixa de correio, cabeça inclinada para cima— porquê se estivesse fundando uma novidade forma de arte performática.
“Vamos ser a maior filarmónica do mundo”, disse o jovem vocalista a David Beckham, nos anos 1990, entregando ao jogador uma fita com músicas do Oasis enquanto trabalhava porquê lavador de carros no estádio do Manchester United. Na juventude, Liam era obcecado por futebol — até levar uma martelada na cabeça durante uma peleja, o que o despertou para a música. “É porquê quando alguém sai do coma falando nipónico ou russo”, raciocinou. “Alguém bateu a música dentro dele”, comentou Noel. “Essa pessoa tem muito a explicar.”
Ele compartilha a paixão do irmão mais novo pelo rival do United, o Manchester City, mas as músicas eram sua principal preocupação, curvado sobre o violão em ensaios solitários. Eles cresceram principalmente em Burnage, região ao sul de Manchester. Noel nasceu em 1967, na mesma semana do lançamento de “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”. Liam veio em 1972. Eles e o irmão mais velho, Paul, foram criados por imigrantes irlandeses. Robb relata as acusações dos irmãos de que o pai, Tommy, era ofensivo, e que os dois mais velhos desenvolveram gagueiras infantis. Liam, o mais novo, teria escapado da violência. Peggy, a mãe, fugiu com os filhos em 1984 para uma novidade vida numa moradia popular em Burnage, onde ainda vive.
Há muito material para psicólogos explorarem. PJ Harrison, sabido da indústria músico, faz isso muito em “Gallagher: The Fall and Rise of Oasis” (“Gallagher: A Queda e a Subida do Oasis” em tradução livre). Não há contribuições diretas dos irmãos, mas Harrison traça um retrato plausível e jeitoso: Noel é introspectivo e calculista; Liam, carente e explosivo. Ambos são mostrados porquê uma mistura de valentia e vulnerabilidade.
A mágoa entre eles é profunda. (Liam já urinou no aparelho de som de Noel em um chegada de embriaguez.) Mas também há uma compreensão instintiva entre os dois. Owen Morris, produtor de Definitely Maybe e Morning Glory, se espantava com a habilidade de Liam de captar instantaneamente as melodias que Noel criava para ele.
Morris ajudou a forjar o som “jumbo” de “Definitely Maybe”: um rugido ininterrupto de escapismo juvenil (“Cigarettes and Alcohol”) e epifanias de estádio (“Live Forever”). Isso os tornou estrelas. Um ano depois, “Morning Glory” os levou ao estrelato global. Com o talento melódico de Noel em destaque, vendeu 22 milhões de cópias no mundo e lançou hinos modernos porquê “Wonderwall” e “Champagne Supernova”. Os dois shows ao ar livre em Knebworth, em 1996, para 250 milénio pessoas (2,5 milhões se inscreveram) selaram sua subida ao panteão do rock.
A “subida” mencionada nos subtítulos dos livros de Robb e Harrison foi vertiginosa. A “queda”, por sua vez, foi mais um declínio. “Be Here Now” foi alardeado porquê uma obra-prima, mas Noel hoje o descreve porquê “meu disco de cocaína”, por seu som ensurdecedor e martelado. Drogas e álcool pioraram a volátil relação dos irmãos. A música ficou presa entre o libido dúbio de Noel por experimentação e a obstinação de Liam em manter viva a labareda do rock clássico.
“A Sound So Very Loud”, dos jornalistas Ted Kessler e Hamish MacBain, sofre com esse longo período de estagnação. O livro segue a cronologia das músicas, inspirado em “Revolution in the Head”, de Ian MacDonald, sobre os Beatles. Porquê o Oasis não evoluiu porquê seus ídolos, o formato não os favorece. Os autores avançam a passos lentos por canções pouco inspiradas: “Mas porquê um momento no tempo, está ok”; “A risca de reles ainda é muito boa”; e por aí vai.
Robb passa pelos últimos dez anos da filarmónica com excitação e pressa. Escrito de forma caótica no estilo gonzo das revistas britânicas dos anos 1990, o livro ganha com a participação de Noel porquê entrevistado e o conhecimento detalhado de Robb sobre a cena músico de Manchester. Já Harrison traça com utilidade as carreiras dos irmãos depois o termo do Oasis —e a peleja tóxica entre eles. Ele especula sobre o motivo financeiro por trás da reunião. Cada irmão, segundo Harrison, pode receber até £100 milhões —murado de R$ 700 milhões. (Outras estimativas falam em £50 milhões para cada, murado de R$ 370 milhões.) Ele também cogita se Noel pode aproveitar a turnê para vender os direitos de seu catálogo, o que poderia render até £250 milhões —o que equivale a aproximadamente R$ 1,8 bilhão.
