Capas de álbuns de artistas brasileiros que se destacaram na produção fonográfica de 2025
Reprodução / Montagem g1
♫ RETROSPECTIVA 2025
♬ Diante do vestuário de que milhares de álbuns, EPs e singles são lançados a cada semana nos aplicativos de áudio, qualquer relação de melhores discos do ano tende a ser limitada, além de subjetiva pela própria natureza de listas do gênero. O limite é o relâmpago de visão – ou seria de audição? – de quem elabora a lista.
Traduzindo: ninguém ouviu todos os álbuns lançados ao longo dos 365 dias de 2025. Logo, qualquer relação de grandes discos do ano é, além de parcial, incompleta.
Feita a salvaguarda, o Blog do Mauro Ferreira elege dez álbuns de artistas brasileiros que sobressaíram em 2025 pela superioridade, sobressaindo na produção fonográfica vernáculo Ausências serão sentidas. Presenças poderão ser questionadas. Enfim, os discos foram escolhidos de pacto com o paladar e os critérios do colunista e crítico músico do g1. E paladar sempre é passível de discussão. Provocar discussão sobre Arte, aliás, é uma das funções da sátira exercida com independência, idoneidade e reverência ao artista.
♪ Eis, listados em ordem cronológica de lançamento, dez álbuns brasileiros que, na visão do Blog do Mauro Ferreira, merecem ser lembrados na retrospectiva músico de 2025:
Revestimento do álbum ‘Diamantes, lágrimas e rostos para olvidar’, de BK
Bruna Sussekind
♫ Diamantes, lágrimas e rostos para olvidar – BK
♬ Três em seguida se agigantar com Icarus (2022), o rapper carioca alçou outro voo elevado ao se conectar com a MPB no álbum lançado em 28 de janeiro. A coesão dos beats (criativos), feats (com nomes com Luedji Luna) e samples (de gravações de Djavan e Milton Promanação) saltou aos ouvidos e reafirmou a identidade de BK ao longo do álbum Diamantes, lágrimas e rostos para olvidar.
Revestimento do álbum ‘Quanto mais eu porquê, mais lazeira eu sinto’, de Djonga
Coniiin / Divulgação
♫ Quanto mais eu porquê, mais lazeira eu sinto – Djonga
♬ O rapper mineiro já não é a novidade no universo do hip hop, mas mostrou que continua com fôlego e lazeira de globo na potente jornada reflexiva de álbum que trouxe a voz de Milton Promanação no rap Demoro a dormir. Saciada a lazeira e a sede de reputação, Djonga expressa angústias, conquistas, dúvidas, expectativas e frustrações em versos inquietos, sustentados pelos beats e arranjos criados por Coyote Beatz e Rapaz do Dread. Lançado em 13 de março, Quanto mais eu porquê, mais lazeira eu sinto é álbum à fundura do histórico fonográfico de Djonga.
Revestimento do álbum ‘Nem lágrima nem dor’, de Eliana Pittman
Samuca Kim com projeto gráfico de Leandro Arraes e direção de arte de Paulo Henrique Moura
♫ Nem lágrima nem dor – Eliana Pittman
♬ Em 20 de março, cinco meses antes de festejar 80 anos em 14 de agosto, a cantora carioca bateu asas e alçou um dos voos mais arrojados da discografia iniciada na dez de 1960. No álbum Nem lágrima nem dor, Eliana Pittman cantou o repertório de Jorge Aragão com o frescor dos arranjos e da produção músico de Rodrigo Campos. A fricção das cordas e do arsenal percussivo de Rodrigo Campos com os sopros tocados e orquestrados por Thiago França renovou o repertório do compositor carioca. Empresário de Eliana, Thiago Marques Luiz driblou as tensões da produção (executiva) e bancou o disco de forma independente.
Revestimento do álbum ‘Uma estrela para Dalva’, de Alaíde Costa
Murilo Alvesso com arte de Leandro Arraes
♫ Uma estrela para Dalva – Alaíde Costa
♬ Entre o segundo e o terceiro título da trilogia idealizada por Emicida e Marcus Preto (o último está previsto para 2026), a cantora prestou tributo a Dalva de Oliveira (1917 – 1972), diva da era do rádio. No álbum Uma estrela para Dalva, lançado em 9 de maio, Alaíde Costa afinou o quina, já habituado a melodias tristes, com as dores de amores de repertório pautado pelas mágoas dos sambas-canção do Brasil pré-Bossa Novidade. Cada fita apresentou duo da cantora com instrumentistas do naipe de Antonio Adolfo, Guinga e Amaro Freitas. Herdeira dos dramas de Dalva, Maria Bethânia se juntou a Alaíde no quina de Ave Maria no morro (Herivelto Martins, 1942).
Revestimento do álbum ‘Dispendioso vapor II – Qual a forma de pagamento?’, de Don L
Divulgação
♫ Dispendioso vapor II – Qual a forma de pagamento? – Don L
♬ Disparado em 16 de junho, o álbum Dispendioso vapor II – Qual a forma de pagamento? foi um dos petardos mais certeiros do hip hop brasílico em 2025. Don L é o nome artístico de Gabriel Linhares Rocha, rapper nascido em Brasília (DF) e criado em Fortaleza (CE). O artista injetou sangue novo no rap nativo com batidas envolventes e mistura brasileira em que baião, bossa novidade, Dorival Caymmi (1914 – 2008), Itamar Assumpção (1949 – 2003), samba e Neptunes se amalgamaram com funk, R&B e rap sem perder o sabor tropical sul-americano. Um grande álbum, relâmpago X do Brasil de 2025.
Revestimento do álbum ‘Quinhão’, de Mosquito
Pintura de Márcia Falcão
♫ Quinhão – Mosquito
♬ O pagode marcou presença poderoso no mercado de shows e nas playlists de 2025. Mas nenhum nome do gênero alcançou a altitude do partido de Mosquito no segundo álbum do bamba carioca. Em Qimhão, álbum lançado em 17 de julho, o hábil partideiro se confirmou grande na roda do samba enraizado nas tradições dos quintais e terreiros do Rio de Janeiro. Herdeiro direto da linhagem de Zeca Pagodinho e, sob prisma histórico mais espaçoso, progénito da dinastia carioca ensejo na dez de 1930 por Noel Rosa (1910 – 1937), Mosquito contou em Qinhão com a superioridade dos arranjos e da produção músico de Pretinho da Serrinha.
Revestimento do álbum ‘Rock doido’, de Gaby Amarantos
Divulgação
♫ Rock doido – Gaby Amarantos
♬ A artista paraense fez a sarau neste álbum que soou porquê o set de um DJ em aparelhagem de Belém (PF). Foi, aliás, na periferia da capital do Pará que Gaby Amarantos gravou Rock doido, álbum lançado em 29 de agosto. A pujança vibrante da maioria das 22 músicas, condensadas em 37 minutos, eletrizou os ouvintes deste disco em que a cantora celebra a cultura festiva do tecnobrega. Rock doido é disco de subida voltagem rítmica que confirma a força da música do Setentrião e, em próprio, o talento de Gaby Amarantos.
Revestimento do álbum ‘Novo testamento’, da rapper Ajuliacosta
Matheus Aguiar
♫ Novo testamento – Ajuliacosta
♬ As minas também estão no poder no hip hop brasílico. A rapper paulista Ajuliacosta hasteou a bandeira da liberdade feminina em Novo testamento, álbum lançado em 15 de setembro. O álbum firmou a voz altiva da rapper vencedora do Bet Awards 2025 na categoria Melhor artista internacional. Ajuliacosta propôs em Novo testamento uma outra ordem mundial em que mulheres não se deixam oprimir pelo machismo e nunca baixam a cabeça e a voz diante do predomínio masculino. Tudo com subida ração de sátira e com sonoridade que mixa vertente clássica do rap, porquê o boombap do término dos anos 1980, com a contemporaneidade do trap.
Revestimento do álbum ‘Eita’, de Lenine
Linogravura de Luiza Morgado
♫ Eita – Lenine
♬ Há dez anos em lançar álbum com músicas inéditas gravadas em estúdio, o artista pernambucano reapareceu na melhor das formas com Eita, álbum lançado em 28 de novembro. Gravado com produção músico de Bruno Giorgi, Eita costurou afetos em celebração da família e do Nordeste. Maria Bethânia emoldurou Foto de família com a nobreza do quina transcendental. Maria Gadú contribuiu para legitimar o engajamento do desgastador maracatu O rumo do incêndio. Repertório, arranjos e produção músico irretocáveis fizeram de Eita um dos grandes álbuns de 2025.
Revestimento do álbum ‘Bicudos dois’, de Alfredo Del-Penho e Pedro Paulo Mamparra
Isabela Espíndola
♫ Bicudos dois – Alfredo Del-Penho e Pedro Paulo Mamparra
♬ Chegou em 11 de dezembro Bicudos dois, último grande álbum de 2025 (salvo qualquer lançamento arquitetado sem aviso prévio para os últimos cinco dias do ano). Reavivando as tradições do quina em dupla, em voga na música brasileira desde os anos 1930, Alfredo Del-Penho e Pedro Paulo Mamparra pescaram pérolas raras no álbum que, em seguida 21 anos, deu sequência ao disco Dois bicudos (2004). Bicudos dois é disco que se agigantou pela afinidade entre os cantores, pela surpreendente e extraordinária seleção de repertório – escravizado por relíquias do baú da música brasileira dos anos 1930, 1940 e 1950 – e pelos arranjos, a maioria do diretor músico Paulo Aragão.
Fonte G1
