Os trabalhos do artista plástico Gilberto Salvador passam por diversas fases do responsável, todas representativas de seu momento de vida. A exposição Geometria Visceral, instalada nos três salões do segundo caminhar do prédio do Paço Imperial, no núcleo do Rio, fica à disposição do público até 1º de março do ano que vem.
A mostra representa a volta de Gilberto Salvador ao Rio, 17 anos depois de sua última exposição lugar. Estão expostas murado de 40 obras, entre pinturas, esculturas e vídeos, desenvolvidas em mais de 60 anos de jornada.
O artista tinha 18 anos quando fez sua primeira exposição. Embora seja, em boa segmento, referente à produção mais recente, a mostra traz trabalhos que foram destaque nas décadas de 1960 e 1970. A repudiação à ditadura militar está presente no trabalho em Viu…! de 1968, período relevante em sua curso.
“Meu trabalho acabou ganhando identidade muito política, porque estavamos vivendo uma ditadura militar com coerção de tudo quanto é tipo e limitações grandes de ação”, afirmou., em entrevista à Sucursal Brasil,
Salvador lembrou sua participação na Bienal de São Paulo com obras contestatórias na dezena de 60, ressaltando que ele e a família sempre foram antifascistas.
Uma vez que resistência, ele usou em seu trabalho a forma de papeleta de cinema e de história em quadrinhos para mandar as mensagens.
“Foi o momento que utilizei minha linguagem plástica porquê asserção de algumas ideias”, disse.
Na dezena de 70, mudou o rumo para um exposição mais ligado à ecologia, ao permanecer camarada do paisagista Roberto Burle Marx e do arquiteto Oscar Niemeyer. “Existe um fator importante que é a natureza brasileira, difusa, maravilhosa e múltipla, onde as cores são vibrantes”.
Assim, as cores entraram nos trabalhos do artista de forma particularidade.
“A gente é tropicalista não por uma questão conceitual, mas por uma questão existencial. A opção de uma paleta tropicalista foi muito mais existencial do que conceitual.”
“Por outro lado, durante 60 anos fui me interessando por vários aspectos do meu trabalho. Teve momentos em que usei até tapeçarias, produzi várias gravuras junto com pintura, cerâmica, estátua em bronze. Fiz muita coisa, porque felizmente ainda estou vivo”, descreveu.
A mostra representa a volta de Gilberto Salvador ao Rio, 17 anos depois da sua última exposição lugar, que ele gosta de retratar nas suas obras.
Uma vez que arquiteto e urbanista, o artista admira a paisagem lugar e tem satisfação de novamente expor na cidade. “Eu sou enamorado pelo Rio de Janeiro por motivo da topografia. Eu vinha velejando de Ubatuba ao Rio e essa topografia é maravilhosa. Fora que a minha convívio com os cariocas sempre foi positiva”, afirmou, revelando que tem, entre os trabalhos, um com a paisagem do Pão de Açúcar e outro com o Morro Dois Irmãos.
Salvador considera que a formação em arquitetura foi fundamental para seu trabalho, desde quando começou a pintar, fabricando as próprias tintas, o que aprendeu a fazer com o avô.
“A faculdade de arquitetura dá uma leitura de espaço bastante sátira e construtiva e acabei me aproveitando”, disse, acrescentando que trabalhou porquê arquiteto e deu aulas na universidade até se destinar especificamente à arte.
Vida
Gilberto Salvador teve paralisia infantil aos 9 meses de idade, o que, no entanto, nunca o impediu de fazer o que queria. “Depois fui operado, hoje sou cadeirante. Eu nadei muito, mergulhei muito, velejei muito, hoje estou incapaz”, disse. Ele acrescentou que não foi impedimento para desenvolver sua arte, aguçada pela vontade de ter proximidade com o fazer artístico na linguagem plástica, na pintura, no figura e na estátua. “Não foi uma predisposição, mas uma disposição que foi acontecendo e me levou à sequência de exposições, trabalhos e bienais cá no Brasil e no exterior”, revelou.
“Há muito tempo utilizo da minha atividade artística porquê maneira de poder me expressar sentimentalmente aos outros”, pontuou.
Acessibilidade
A preocupação com a acessibilidade está presente na mostra. Ao saber pela curadora que precisava incluir, na exposição, trabalhos que pudessem ser tocados pelos visitantes, lembrou imediatamente de duas esculturas com essa particularidade. “Trouxemos duas pequenas esculturas para que a pessoa possa passar a mão e ter uma certa sensação do que eu penso da tridimensionalidade e do espaço”, afirmou.
Se fosse pela vontade de Gilberto, todas as obras poderiam ser tocadas pelos visitantes. “Eu, no fundo, cá entre nós, acho que as pessoas podiam mexer em tudo”, comentou o artista, embora reconheça que existiria o risco de danos nas obras, caso fosse permitido.
A curadora tem certeza que o público vai gostar da experiência. “Não é uma leitura tátil daquela obra porquê a gente sempre faz. No caso do Gilberto, é uma obra que ele disponibilizou para ser tocada”, disse.
Representação na arte
“Ele é uma pessoa excelente. Tem tantos problemas com a quesito dele, mas é uma pessoa que não se vitimiza, que nem leva muito isso em consideração”, descreveu a sátira de arte e uma das mais respeitadas curadoras do país, Denise Mattar, responsável pela curadoria da exposição em entrevista à Sucursal Brasil.
Para Denise, o trabalho de Gilberto Salvador tem papel importante na arte brasileira, oriundo dos anos 70, inserido em uma geração que formou o seleto grupo de artistas do período, incluindo Rubens Gerchman, Carlos Vergara e Cildo Meireles.
“São artistas que abriram as possibilidades do trabalho artístico. Foram os primeiros que fizeram objetos, que começaram a fazer com que a estátua saísse da parede e alcançasse outros caminhos”, disse. Ela destacou que essa geração é fundamental para a arte brasileira.
“É um grupo de artistas imprevisto. Acho que o Gilberto está muito encaixado nesse grupo”, pontuou.
A curadora destascou que há muito tempo conhece o trabalho do artista e ficou muito contente com o invitação para fazer a curadoria. “Me deu inteira liberdade de seleção das obras, que preferi focar na produção contemporânea, mas fiz uma pincelada, porque faz tempo que ele não expõe no Rio.” A mostra traz ainda obras com acrílico que estão presentes na temporada mais atual do artista.
A curadora disse que esta não é uma exposição que tem módulos, mas procurou estabelecer conversas entre conjuntos de trabalho. “Revendo as obras, me veio a compreensão de que o trabalho dele vai sempre na borda entre o geométrico e o orgânico”, disse. Ela acrescentou que foi a partir dessa constatação que escolheu o título da mostra.
“Isso é uma uniforme em toda obra dele e, de repente, o título me estalou: Geometria Visceral. Quando liguei para ele e disse que ia dar o nome, ele falou ‘isso não é um título, é um resumo do meu trabalho”, comentou.





