Robert redford foi galã à moda antiga e rebelde do

Robert Redford foi galã à moda antiga e rebelde do agora – 16/09/2025 – Ilustrada

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Morreu nesta terça, aos 89 anos, o ator e cineasta Robert Redford, uma das maiores estrelas de Hollywood entre as décadas de 1960 e 1990. O planeta estava em sua propriedade no estado americano de Utah e dormia no momento da morte, cuja razão não foi divulgada. Sua última aparição no cinema havia sido em “Vingadores: Ultimato”, de 2019.

Consta que o diretor Mike Nichols queria Robert Redford para o papel principal de “A Primeira Noite de um Varão”, de 1967, muito antes de o personagem lançar Dustin Hoffman ao estrelato. Mas, ao ver os testes do ator, portanto no esplendor dos seus trinta e poucos anos, Nichols percebeu que a escalação seria impossível —o rapaz loiro, atlético, seguro de si, simplesmente não convencia uma vez que o sujeitinho perdido no mundo, que precisava batalhar para conseguir ocupar uma pequena.

Tal incidente ilustra aquele que talvez tenha sido o grande impasse da curso de Robert Redford —o que a figura dele dizia nem sempre ia de convenção com o que o temperamento do ator buscava. Redford procurava projetos com visível nível de arrojo, até risco, condizentes com as aspirações de sua geração. Mas havia alguma coisa nele que remetia a um varão de tempos anteriores, que o tornavam o planeta dos sonhos para projetos de perfil mais obsoleto.

E, por um bom tempo em sua curso, a persona cinematográfica de Redford ficou em um meio de caminho entre duas eras. Hollywood não tinha muita certeza de uma vez que aproveitá-lo —por fim, era um galã à tendência antiga, uma vez que sua radiante formosura física de garoto californiano dava a entender? Ou era um rebelde dos novos tempos, mais afeito às subversões da contracultura que começaram a pulular a partir de meados dos anos 1960?

Se na tela ele tinha a elegância de um Cary Grant, a virilidade de um Gregory Peck e o sorriso de um Rock Hudson, seu temperamento era por demais antenado a um mundo ulterior ao desse tipo de estrela. Mas na tela por vezes sua formosura comprometia seu rendimento nos filmes em que ele preferia atuar. Era um ator treinado, de grande eficiência, mas faltava a ele a insolência de um Jack Nicholson, a intensidade de um Al Pacino ou a excitante qualidade de estrela improvável do próprio Dustin Hoffman.

Redford tinha uma presença sempre mais comedida, nunca excessiva. Tinha uma obséquio maior, talvez uma certa modorra que, curiosamente, por vezes lhe foi benéfica em alguns papeis. Embora também pudesse encarnar o herói referto de força. Mas, sobretudo, tinha o mais importante —charme. Era sempre muito aprazível de ver. Não foi à toa que se tornou um dos maiores astros de sua era.

Nascido em 1936, começou a atuar no término da dezena de 1950. Nos primeiros anos, é evidente, foi muito aproveitado pelo físico, sobretudo em papeis na TV. Teve a primeira real chance no cinema em 1965, em “À Procura do Tramontana”, de Robert Mulligan, com um personagem difícil, sexualmente dúbio —poucos iniciantes conseguiriam performar o papel com tanto instinto. No ano seguinte, faria seu primeiro longa com o porvir parceiro jacente Sydney Pollack, “Esta Mulher É Proibida”, e outro filme importante, “A Caçada Humana”, de Arthur Penn.

Seu carisma nos palcos, quando protagonizou a badalada peça de Neil Simon “Descalços no Parque”, o fez reviver o papel na versão para o cinema, de 1967, de Gene Saks, ao lado de Jane Fonda. Depois, mostrou que parecia ser a metade perfeita —se a outra fosse Paul Newman— para os chamados “buddy films”, os filme de amigos, em “Butch Cassidy”, de George Roy Hill, de 1969, que o firmou no topo de Hollywood.

Em 1972, participou do eficiente western “Mais Possante que a Vingança”, de Pollack, e da sátira política “O Candidato”, de Michael Ritchie, pavimentando o caminho para o período áureo da curso, que viria a partir do ano seguinte.

“Golpe de Rabino”, de Roy Hill, ganhou o Oscar de melhor filme e lhe deu uma indicação uma vez que melhor ator, a única por uma performance. O longa era pura perfumaria —uma comédia sobre gângsters dos anos 1930 feita sob medida para explorar a simpatia de Redford e, mais uma vez, Newman.

Mas fez também um filme mais substancioso, “Nosso Paixão de Ontem”, de Pollack, em que Barbra Streisand era uma ardorosa militante pacifista que só faltava engolir com os olhos o bonitão apolítico de Redford, em um romance inusitado, mas suasório. Nunca a passividade do ator lhe serviu tão muito uma vez que nesse filme.

Melhor olvidar a fracassada versão de Jack Clayton para “O Grande Gatsby”, de 1974, em que Redford e Mia Farrow eram eclipsados pelos cenários e figurinos, mas é uma lástima que hoje já não se lembrem tanto do thriller “Três Dias do Condor”, de 1975, novamente de Pollack, que mostrava Redford e Faye Dunaway em ótimas cenas de tensão sexual.

Em 1976, na ressaca pós-Watergate, veio o filme definitivo sobre o caso —”Todos os Homens do Presidente”, fascinante versão de Alan J. Pakula sobre a investigação dos dois jornalistas, vividos por Redford e Dustin Hoffman, que desembocou na repúdio de Richard Nixon, em 1974.

O ator continuaria uma grande estrela por anos e mais anos, mesmo com o progredir da idade. Brilhou em filmes uma vez que “Entre Dois Amores”, de 1985, de Pollack, em que tem uma inolvidável cena em um avião, sobrevoando o Quênia segurando a mão de uma apaixonada Meryl Streep, ou no muito menos interessante “Proposta Indecente”, de Adrian Lyne, de 1993, quando ofereceu a Demi Moore um milhão de dólares para ir para a leito com ela.

Mas àquela profundeza Redford já havia buscado novos meios de se sobresair no cinema, sem bancar sempre o grande planeta. Estreou uma vez que diretor já ganhando um Oscar na categoria, por “Gente uma vez que a Gente”, de 1980, retrato sensível sobre uma família em crise. E faria outros filmes importantes, uma vez que “Zero É para Sempre”, de 1992, que fez Brad Pitt explodir e se tornar um sucessor redfordiano, e “Quiz Show”, de 1994, que lhe daria outra nomeação à estatueta dourada —e que talvez seja seu melhor filme na direção.

Mas deu outra enorme tributo para o cinema de maneira mais discreta, nos bastidores. Nos anos 1980, desenvolveu em uma pequena cidade do estado de Utah um meio para o surgimento de novos nomes do cinema, destacando diretores independentes.

Nasceu assim o Festival de Sundance, ainda hoje um dos mais relevantes do mundo, e que já permitiu o desabrochar de talentos uma vez que Quentin Tarantino, Todd Solondz e Kevin Smith. Só isso já o tornaria uma figura de relevância máxima. Se uma vez que ator ele sempre esteve de visível modo atrelado à Hollywood do pretérito, nos bastidores foi um dos grandes propulsores da Hollywood do presente e do porvir.

Folha

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