Roberto Carlos: 5 curiosidades do especial de Natal do Rei

Roberto Carlos: 5 curiosidades do especial de Natal do Rei – 23/12/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Foram muitas as emoções desde 1974, quando foi ao ar a primeira edição de um próprio de término de ano de Roberto Carlos. Em meio a elas, mudanças de formatos, convidados inusitados, interrupções por motivos de força maior.

Destacamos cá cinco curiosidades da história dessa tradição que segue viva —levante ano com gravações em Gramado e participações de Sophie Charlotte, Fafá de Belém, Jorge Ben, João Gomes e Supla.

1. “A mamãe de mamãe”

No início, entre 1974 e 1979, o próprio do Rei ia muito além do formato do show, incorporando esquetes, convidados de outros programas da Orbe e diferentes recursos dramatúrgicos.

Já na primeira edição, a presença do ator Paulo Gracindo declamando a letra de “Não Quero Ver Você Triste” —enquanto Roberto o acompanhava ao violão— transformou a música em texto teatral.

Em 1976, Roberto encenou uma ceia de Natal na qual recebeu ídolos da velha guarda da música brasileira: Aracy de Almeida, Carlos Galhardo, Linda Batista, Moreira da Silva, Isaurinha Garcia e Orlando Silva.

Em 1979, os Trapalhões transformaram “Amanhã de Manhã” em “A Mamãe de Mamãe”, paródia na qual o avô morre depois de uma noite de paixão tórrida com a avó (“A mamãe de mamãe/ Olha as chamas das velas acesas/ E o vovô esfriando na mesa”).

Na mesma edição, o rei encenou uma cena de par com Christiane Torloni e recitou poemas de Vinicius de Moraes e Manuel Bandeira. Em meio aos números musicais, o próprio era, portanto, uma espécie de teatro popular televisivo.

2. O Rei ao ar livre

Entre mais de cinco décadas de especiais de término de ano, Roberto Carlos só levou o programa para fora do estúdio e de teatros fechados em quatro ocasiões. Em 1977, o próprio foi gravado na Valva Acústica da Uerj, no Rio de Janeiro, diante de mais de 12 milénio pessoas.

O roteiro misturava canções do próprio Roberto, porquê “Se Você Pensa” e “Namorada Amante”, com clássicos da MPB (“Ponteio”, “Wave”, “Travessia”) e um conjunto inusitado em homenagem a Elvis Presley, ao lado de Erasmo Carlos, ambos vestidos com macacões ao estilo do ídolo americano.

Em 2010, o próprio foi transmitido ao vivo da praia de Copacabana, com estrutura de megashow e convidados populares porquê Paula Fernandes e Exaltasamba, assumindo o formato de espetáculo de volume em espaço público.

No ano seguinte, 2011, Roberto protagonizou um programa fora do volta tradicional: gravado em Jerusalém, no Sultan’s Pool, cenário histórico ao ar livre, o programa apostou numa imagem mais solene e internacionalizada do cantor. Mas esse não era o próprio de Natal, tendo sido exibido no término do ano exclusivamente porquê reprise, em 2020.

Já em 2024, o próprio celebrou seus 50 anos ao ser gravado no Allianz Parque, em São Paulo, com linguagem de show de estádio, telões e plateia monumental, transformando o ritual televisivo em evento pop de grande porte.

3. Silêncios

Desde 1974, houve exclusivamente dois anos em que não houve próprio inédito de Roberto Carlos no término do ano —duas exceções que dizem muito do peso simbólico do programa.

A primeira foi em 1999. Naquele ano, o próprio não foi exibido em razão do frágil estado de saúde de Maria Rita, mulher do cantor, que enfrentava um cancro avançado e morreria em dezembro. A tradição foi interrompida pela primeira vez, e por um motivo pessoal muito direto, expondo o quanto o programa sempre esteve atrelado à biografia e ao tempo emocional de seu protagonista.

A segunda quebra aconteceu em 2020, em meio à pandemia de covid-19. Por sugestão do próprio Roberto, a Orbe optou por não mobilizar grandes equipes num momento de risco sanitário. Para manter o encontro anual com o público, a emissora reprisou o show gravado em Jerusalém, em 2011.

Em mais de 50 anos, foram exclusivamente esses dois silêncios —ambos provocados por circunstâncias extraordinárias, que ajudaram a substanciar que o programa, mais do que um evento automático, tem um caráter ritual, familiar, sujeito às circunstâncias da vida da família Brasil e de seu Rei.

4. Participações internacionais

Ao longo de cinco décadas, o próprio de término de ano de Roberto Carlos sempre foi um espelho bastante doméstico da música popular brasileira. Por isso mesmo, as participações internacionais no palco do Rei são raras —e, quando acontecem, ganham status de destaques.

A primeira dessas ocasiões se deu em 1978, quando Roberto dividiu o palco com o cantor e pianista americano Freddy Cole, num dueto em “For Once in My Life”, sucesso na voz de Stevie Wonder.

Depois disso, o próprio passou décadas sem repetir a experiência. Em 2016, o programa exibiu o dueto do Rei com Jennifer Lopez, em “Chegaste”, gravado em Los Angeles.

No ano seguinte, 2017, o próprio entrou de vez no clima do pop global ao receber no palco a panamenha Erika Ender, que cantou o megahit “Despacito” —do qual ela é uma das autoras— ao lado de Roberto, com recta à participação de percussionistas e passistas da Beija-Flor de Nilópolis.

Em 2018, foi a vez do espanhol Alejandro Sanz, num encontro que reforçava o diálogo latino do repertório romântico, cantando “Esa Mujer”.

Já em 2024, na edição comemorativa de 50 anos, o tenor italiano Andrea Bocelli foi um dos convidados, num dueto com Roberto em “L’appuntamento”, versão de “Sentado à Cercadura do Caminho”.

O oferecido curioso é que, apesar de dividir palcos e gravações com Roberto ao longo da curso, nomes óbvios do imaginário latino romântico —porquê Julio Iglesias— nunca participaram do programa anual. No próprio de Roberto, o internacional sempre foi exceção, não regra.

5. Se o Rei dança, eu danço

Diferentemente do pagode, do axé e do sertanejo, o funk levou tempo para encruzar a porta do programa de término de ano de Roberto Carlos. Mesmo depois de se solidar porquê fenômeno popular e dominar rádios, bailes e a indústria fonográfica ao longo dos anos 1990, o ritmo só foi desabrochar de forma explícita no próprio a partir dos anos 2000, dando início a um processo lento de legitimação.

A estreia foi em 2006, quando Roberto dividiu o palco com MC Leozinho em “Ela Só Pensa em Beijar”, hit integral daquele ano. O momento marcou que o gênero ganhava chancela no palco mais tradicional da TV brasileira.

Seis anos depois, em 2012, o gênero avançaria um passo: Roberto lançou e apresentou “Furdúncio”, parceria sua com Erasmo Carlos classificada porquê funk melody, sinalizando não exclusivamente brecha, mas apropriação estética.

Em 2013, o funk voltou em chave pop, com Anitta cantando “Show das Poderosas” em diálogo com “Se Você Pensa”.

Ludmilla reforçou esse lugar ao se apresentar com o Rei em 2015, cantando seu hit “Hoje” —na qual Roberto se destacou cantando exclusivamente a vocábulo “gostoso”. Eles fizeram um dueto também em “Moca da Manhã”, sucesso do anfitrião.

Folha

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