Rodrigo digão braz 6teto se apresenta em são paulo

Rodrigo Digão Braz 6teto se apresenta em São Paulo – 13/04/2025 – Música em Letras

Celebridades Cultura

O baterista, compositor e professor Rodrigo Braz dos Santos, o Digão, 46, amealha 30 anos de curso. Vinte e quatro deles lecionando no conservatório dramático e músico Carlos de Campos, em Tatuí (SP).

Digão é um dos jurados que avalia as baterias dos carnavais de São Paulo e do Rio. Toca com André Marques, Hermeto Pascoal e Amaro Freitas entre outros músicos de grosso calibre. Mostrou seu som em mais de 13 países, sempre deixando ótima sentimento onde é ouvido.

Nesta terça-feira (15), às 19h, o músico se apresentará no teatro Anchieta, dentro da programação do Instrumental Sesc Brasil, no Sesc Consolação, em São Paulo, com o Rodrigo Digão Braz 6teto.

Gratuito, o show leva ao palco um grupo formado só por feras: Digão, (bateria e composições), Teco Cardoso (saxofones soprano, tenor e pifes), André Marques (piano), Diego Garbin (trompete), Fábio Leal (guitarra) e Jackson Silva (insignificante).


Leia, a seguir, a entrevista exclusiva que o artista concedeu ao Música em Letras e assista, no final do texto, ao vídeo no qual Digão toca “Blues Pandêmico”.

Da última vez que conversamos você estava de partida para se apresentar no exterior. Quantas apresentações você realizou? Em quais lugares se apresentou e qual foi a repercussão dessas apresentações?

Na última entrevista que eu dei, estava indo excursionar com Hermeto Pascoal no Japão. Foi uma experiência incrível ter dois desejos ali correspondidos: saber o Japão de setentrião a sul, e estar com esse ícone mundial que é, sem sombra de incerteza, uma das maiores inspirações terrestres. De lá pra cá, eu já tive mais duas turnês, uma com o pianista Alec Orea, passando por cinco países e encontrando com os músicos russos Alex Sipiagin e Boris Kosloval, além do inglês Will Vinson. A terceira [turnê] foi uma volta ao Japão, agora com Amaro Freitas, em trio, tocando na capital, Tóquio. Em todos esses concertos no Japão e na Europa, as recepções foram as mais calorosas e os grupos em questão corresponderam à profundeza.

A música brasileira é muito requisitada e cabe a nós apresentarmos o que podemos e temos de melhor. Foi assim e fico feliz com todo o reconhecimento pelos festivais e locais por onde passei. Certamente voltarei, a exemplo do Bird´s Eye (Suíça) onde me apresentei cinco vezes. Agora, o foco será com o meu trabalho solo. Ainda sobre a pergunta: foram cinco shows, com o Hermeto ( De Osaka à Aomori, passando por Tóquio e Shizuoka); sete shows com Alec Orea, em cinco países (Alemanha, Suíça, Inglaterra, Áustria e Itália) e seis shows, com Amaro Freitas, todos em Tóquio.

Qual o nome do show que você apresentará na próxima terça-feira (15)?

Estou numa transição artística. Esse meu concerto já teve o nome do meu último álbum, “Isolamento Musicado”. No momento ele leva o meu nome e o número de integrantes no palco, ou seja, Rodrigo Digão Braz 6teto. Porquê afirmei, estou na transição para o meu próximo trabalho em que me aprofundo ainda mais nas minhas pesquisas de ritmos e movimentos culturais pelo Brasil e pelo mundo, vibrando numa sinestesia de cores, costumes e aprendizagem com culturas musicais, passando pelo filtro das minhas impressões e vivências até resultar no que me move internamente, musicalmente falando. Daí é colocar tudo no papel e ouvir os meus companheiros intérpretes executando essas impressões. Porquê isso tudo são fragmentos do que vejo e escuto, logo sinto, esse novo trabalho se chamará Ecos Territoriais.

Defina o noção deste show?

Rodrigo Digão Braz 6teto tem por premissa as visões de um músico, baterista, improvisador e compositor que se debruça por ritmos do brasil e do mundo onde o tambor se faz presente, ritualístico, inerente ao que se apresenta juntamente com melodias ora diatônicas, cantáveis, porquê músicas de roda, mas também por outras vezes racionais, com base em tecnicidades músicais amalgamando com a terça secção desse sustentáculo, aquela que colore todo o envolvente, a simetria. Sempre tocada pelo violão, meu instrumento harmônico. Pelo meu instrumento principal, a bateria, faço-me o repto de fazer toar rítmico, melódico e harmônico. É um baita repto e cada vez mais a procura é prazerosa, intensa, reveladora e gratificante.

Quem escreveu os arranjos para as músicas que serão apresentadas?

Os arranjos e composições são feitos por mim. Logo no meu primeiro disco solo, “Carvão”, demonstro minha forma de pensar música com um reparo da música “Tune Up”, de Miles Davis. Me fiz presente para firmar ainda mais esse lugar do baterista, músico, compositor e arranjador, que coloca em prática seus estudos musicais na sua totalidade.

Nesse concerto, apresento músicas do meu segundo disco “Isolamento Musicado”, que escrevi para sexteto explorando ainda mais conduções de vozes para instrumentos melódicos e mudanças de funções inicialmente préestabelecidas para essa formação gerando assim interessantes trocas.

A exemplo, uma refolho de saxofone com contrabaixo; trompete e guitarra sendo background (melodias secundárias) para a melodia principal no piano, insignificante ou guitarra; bateria sendo melodicamente tão protagonista quanto um instrumento melódico e tendo nesse trecho a guitarra porquê o elemento rítmico do grupo.

Junta-se a esses arranjos dos meus dois discos uma formação que entrará no próximo álbum, chamada “Oòrùn”, que tem inspiração no candombe uruguaio. Porquê disse anteriormente, estou na transição e quero no segundo semestre ter minhas novas músicas e arranjos registrados.

No show você se apresentará na formação de sexteto com Teco Cardoso (saxofones soprano, tenor e pifes), André Marques (piano), Diego Garbin (trompete), Fábio Leal (guitarra) e Jackson Silva (insignificante). Descreva a particularidade músico que mais exprime a musicalidade de cada integrante do sexteto.

Antes mesmo de falar de cada um deles eu tenho que revelar o quanto de felicidades (sim, no plural) eu sinto ao estar ao lado de cada um deles. Juntos, logo, interpretando minhas composições, é um verdadeiro privilégio.

Primórdio pelo mais jovem deles. Jackson Silva é daqueles baixistas completos, pois exerce com maestria sua função prima de condutor, mas é possessor de ideias musicais claras e expressivas no improviso, que seria facilmente um instrumentista improvisador em qualquer grupo.

Fábio Leal é um mix de guru, companheiro pessoal da puerícia que se estende na vida adulta, possessor de uma escuta atenta e síntese no oração músico, e pessoal que mostra ainda mais suas profundidades reflexivas na vida artística.

Diego Garbin é daqueles trompetistas que parecem uma zabumba pela precisão rítmica, mas também um piano pelo siso harmônico diferenciado, peculiar. Conduz seus discursos com muita propriedade e isso reflete a sua sociabilidade: congruência e fluidez são atributos desse músico.

André Marques é daquela série “dispensa apresentações”. Detalhista, profundo, dinâmico, possessor de uma curso com mais de 20 discos solos e 30 anos porquê pianista do Hermeto Pascoal. É uma sumidade da superfície músico instrumental.

Por término, o mais novo integrante, Teco Cardoso. Curso que perpassa gerações, integrante de grupos que desbravaram mercados mundiais, improvisador no melhor sentido da termo, livre de estilizações ou gerações, rabi e ao mesmo tempo inexperiente porquê todo ser proeminente se porta. Um músico da superfície dos sopros que se integra à sessão rítmica, pensador, apresentador de programa de jazz na TV ensejo de rede vernáculo, reconhecimento internacional, pra proferir o mínimo. Pra minha alegria, racontar com esse expoente é um facto.

Descreva três músicas que estão no repertório do show.

“Blues Pandêmico”: é um blues menor (forma músico com 12 compassos que segue um padrão harmônico característico) e que nasceu de uma fúria de ocasião. Estávamos todos marcados para nossa gravação em junho de 2021 quando o estado de São Paulo anunciou a tempo vermelha [alerta máximo no período da pandemia de Covid19], o que impossibilitou muitas ações em conjunto. Nessa ocasião, integrante por integrante – por razões óbvias – foram desistindo de se juntar em estúdio e o mais congruente naquele momento foi o cancelamento da gravação. Muro de dez profissionais envolvidos, tudo desempenado e disposto em modo de espera até os casos da Covid 19 baixarem. Não tive dúvidas, precisava externar aquele sentimento em música, e o que temos é uma música com estrutura rítmica densa e de melodia inquietante nas suas tensões e resoluções.

“Reforma Àurea”: estamos minha companheira e eu reformando nosso apartamento. Em meio aos complicadores de uma reforma, porquê mourejar com prazos da obra e entrega de material mais os negócios dos trabalhos e vida cotidiana, Camila Dias – executiva e desde 2023 mãe da Lis Dias Braz – me encaminha um áudio via WhatsApp informando sobre um equipamento para nosso banheiro. O interessante disso tudo é que ela o fez cantando uma melodia com o enunciado descrevendo sítio, tempo de retirada e enfatizando seu trabalho naquele momento, que era a escrita de seu doutorado. Mais uma vez alguma coisa do cotidiano me incitou para uma formação e nesse caso utilizei o noção “Música da Áurea”, de Hermeto Pascoal, que harmoniza falas feitas em ocasiões diversas. No meu caso, foi a reforma de um apartamento.

“Prece Onírica” : essa formação veio literalmente de um sonho. Acordei, peguei o violão e toquei toda a simetria do início ao término. Normalmente o meu processo composicional se dá inicialmente pela melodia, o que não foi o caso. Inclusive me vi numa dificuldade em inventar a melodia numa espécie de bloqueio artístico. Por conta disso resolvi fazer duas aulas com pessoas que superconsidero: Fabio Leal e Fernando Correa. Eles me ajudaram a ter outras visões e possibilidades melódicas para aquele variegado que nasceu de um despertar repentino. De veste, eu não me lembro do sonho, mas tive uma sensação muito sólida naquele momento trazendo em acordes o que me despertara de forma abrupta. Todos os arranjos e composições são de minha autoria.

Por que as pessoas devem ir a oriente show?

Mais do que ver esses grandes músicos exercendo suas fantásticas habilidades artísticas de forma plural, de corpo presente para os improvisos e de verdadeiras interpretações nas melodias estabelecidas, é, para todos e em próprio para a comunidade do tambor, a oportunidade de prestigiar um músico compositor de viés rítmico, que vibra com o coletivo, com os brincantes, com as religiosidades, crenças, ritos, encantados, mitos , culturas e hábitos alimentares, afirmando assim a possibilidade de que a música é feita e composta pelas mais distintas mentes.

Serei eu mais um desses pensadores da música exercendo a organização de notas em prol da sinestesia e uma estética artística, que é a música instrumental. O que faço cá é um chamado para que cada presente se permita adentrar na proposta audiovisual apresentada e que sua sentimento individual seja nossa “comungação” para o coletivo. O responsabilidade estará mais pra ordem do receber, albergar e propagar a experiência sonora. Ficarei muito feliz em ver você e o público em universal, que são feitos de suas vivências, sendo tocados por todas as proposições sensoriais que esse espetáculo certamente trará.

Assista, a seguir, ao vídeo no qual Digão toca “Blues Pandêmico” formação sua escoltado por Salomão Soares, no piano, Fabio Leal, na guitarra, Felipe Brisola, no contrabaixo acústico, Jota P, no saxofone e Diego Garbin, no trompete.

SHOW RODRIGO DIGÃO BRAZ 6TETO

ARTISTAS Rodrigo Digão (bateria e composições), Teco Cardoso (saxofones soprano, tenor e pifes), André Marques (piano), Diego Garbin (trompete), Fábio Leal (guitarra) e Jackson Silva (insignificante)

QUANDO Terça-feira (15), às 19h

ONDE Teatro Anchieta, Sesc Consolação, r.Dr. Vila Novidade, 245, Vila Buarque, São Paulo, tel. (11) 3234-3000

QUANTO Gratuito

Folha

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