Atenção, fãs do Rush —a orquestra canadense volta ao Brasil em janeiro de 2027 pela primeira vez em 16 anos com uma excursão que passará por Curitiba (dia 22), São Paulo (24), Rio de Janeiro (30), Belo Horizonte (1º de fevereiro) e Brasília (4). Os shows fazem secção da turnê “Fifty Something”, que celebra o legado de mais de meio século dos ícones do rock progressivo.
A pré-venda dos ingressos abre já nesta quarta-feira (25) , para clientes Itaú, e a venda universal será a partir de sexta (27), às 11h, no site da Eventim. A produção dos shows brasileiros é da 30e.
O Rush não toca ao vivo desde 1º de agosto de 2015, quando o trio formado por Geddy Lee, no ordinário e vocais, Alex Lifeson, na guitarra, e Neil Peart, na bateria, fez sua última apresentação, em Los Angeles, na Califórnia. Em 7 de janeiro de 2020, Peart morreu de cancro no cérebro.
A novidade turnê vai inaugurar em 7 de junho de 2026 onde a última terminou, em Los Angeles, e se estenderá pela América do Setentrião até dezembro. Depois, a orquestra embarca para a América do Sul. O Rush só esteve duas vezes no Brasil, em 2002 e 2010.
“Não havia a menor possibilidade de não tocarmos no Brasil”, diz Lifeson, de 72 anos. “Amamos a paixão que os brasileiros têm por música. Não sei se existe outro público no mundo uma vez que o brasílico. Quando tocamos aí pela primeira vez, ficamos tão impressionados com a reação e dedicação dos fãs que aquilo nos marcou para sempre.”
“Na primeira vez que subimos num palco no Brasil e tocamos ‘YYZ’, o público começou a tocar um quina de torcida de futebol, mas com um timing perfeito”, diz Geddy Lee, também aos 72. “Os fãs cantavam os solos, cantavam tudo e até inventavam algumas partes (risos). Lembro que nós três nos entreolhamos no palco, nunca havíamos visto zero uma vez que aquilo”. A orquestra ficou tão impressionada com a euforia dos fãs que lançou um CD e DVD gravado no Maracanã, “Rush in Rio”.
Na novidade turnê, a inglória missão de substituir Neil Peart, considerado um dos maiores bateristas de rock de todos os tempos, caberá à alemã Anika Nilles, uma instrumentista fenomenal que tocou na orquestra de Jeff Beck e gravou quatro discos solo.
Nilles tem 30 anos a menos que Lifeson e Lee e não conhecia a obra do Rush quando foi convidada a juntar-se à turnê. “Isso não fez a menor diferença”, diz Lifeson. “Só soubemos que Anika não era uma conhecedora de Rush depois que começamos a trabalhar com ela. Mas acho que isso foi bom, porque ela não chegou com nenhuma teoria pré-concebida.”
“Na verdade, não saber as músicas só tornou as coisas mais difíceis para ela”, diz Lee. “Evidente que ela conhecia algumas, uma vez que ‘Tom Sawyer’, simples. Todo baterista do mundo conhece essa!” (risos)
Lifeson e Lee não cansam de elogiar a técnica e dedicação da baterista: “Nos primeiros ensaios houve uma curva de tirocínio”, diz Lee. “Temos a sensação de que as músicas de um determinado período da curso do Rush foram mais fáceis para ela assimilar, e Anika simplesmente tocou com sublimidade logo nas primeiras vezes. Mas outras canções, talvez as escritas antes de ela nascer [em 1983], são mais complexas. O duelo dela não é o vista pirotécnico da técnica de Neil, mas entender por que ele tocou determinadas partes de determinadas maneiras. É mais sobre captar o espírito dele naquela melodia, de entender porque ‘Limelight’ soa uma vez que ‘Limelight’. Nos últimos ensaios, Anika estava fervendo, foi lindo vê-la tocar.”
No palco, o novo Rush será um quarteto —além de Lifeson, Lee e Nilles, a orquestra ganhará um tecladista, Loren Gold, instrumentista veterano de turnês com The Who e Chicago. “É um prazer tão grande tocar com alguém tão bom e experiente quanto Loren”, diz Lee.
“Ele é um profissional que sabe que algumas músicas funcionam melhor tocadas somente em trio. Ele não é do tipo que se ofende quando a gente pede para ele somente decorar a música com um pozinho mágico ou outro.”
Sobre o repertório dos shows, os músicos garantem que toda noite será dissemelhante. “Temos 35 a 40 canções no repertório e toda noite vamos mudar de 30% a 40% das músicas”, diz Lifeson. “Não temos mais condições de tocar por três horas toda noite”, afirma Lee. “Parece que está escrito no manual do músico idoso que isso agora é contra a lei (risos). Mas sabemos que os fãs do Rush gostam de testemunhar a mais de um show, logo podemos prometer que os repertórios serão diferentes a cada noite.”
A novidade turnê deve se estender até o segundo semestre de 2027, com datas na Europa e Ásia. Lifeson e Lee dizem que não têm planos de criar músicas novas, mas que isso pode mudar a qualquer momento.
“Gostamos de trabalhar e de nos manter ocupados”, diz Lifeson, que recentemente colaborou em um disco do guitarrista Tom Morello, ex-Rage Against the Machine.
Durante a falta do Rush dos palcos, Geddy Lee escreveu livros uma vez que “The Big Beautiful Book of Bass”, em que mostrava sua incrível coleção de baixos clássicos e entrevistava baixistas uma vez que John Paul Jones, do Led Zeppelin, e Bill Wyman, dos Rolling Stones, e também apresentou a minissérie “Geddy Lee Pergunta: Baixistas São Humanos?”, em que visitava as casas de baixistas uma vez que Robert Trujillo, do Metallica, Les Claypool, do Primus, Krist Novoselic, ex-Nirvana, e Melissa Auf Der Maur, do Hole e Smashing Pumpkins.
A entrevista com o Rush foi realizada poucos dias em seguida a apresentação do cantor Bad Bunny no Super Bowl, a final do campeonato de futebol americano, e Lifeson comentou o show. “Não sou fã de futebol americano, mas cheguei de um jantar familiar muito na hora do pausa do jogo e vi o show de Bad Bunny. Achei fantástico, um show incrível, muito entusiasmado, com muitas coreografias e mensagens positivas. Foi uma celebração da cultura latino-americana e não entendo uma vez que alguém pode ter se enfadado com aquilo.”
