São Paulo se consolida como enclave da música eletrônica

São Paulo se consolida como enclave da música eletrônica – 18/12/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Ao receber o invitação para tocar no Brasil, o DJ e produtor venezuelano Wost não pôde encobrir a comoção. Dos mais novos talentos da recente vaga da música eletrônica latino-americana, laureado pela sátira especializada uma vez que um dos nomes de 2025, o jovem vinha de uma turnê na Europa em casas e festivais de renome até que enfim recebeu o chamado que faltava —a convocação para tocar na sarau Mamba Negra.

“É uma sarau que acompanho há anos e acho que não tem outro evento assim no mundo”, diz o artista. “Tem uma entrevista do [DJ e produtor colombiano] Verraco em que, ao ser perguntado qual era a melhor sarau em que ele havia tocado, ele disse: ‘Mamba Negra, antes mesmo de Berghain ou Tresor, em Berlim’. Sinto que a música que toca numa sarau uma vez que essa vai além das concepções de rave que temos na Europa.”

O produtor não é o único a ter uma pista de São Paulo uma vez que marco da curso. Em 2025, tornou-se generalidade ver outros países latino-americanos representados nos palcos das principais festas independentes da capital. Em eventos uma vez que Buero, Terreno Tundra, Tesãozinho, Novo Affair e Silvertape, embalaram a noite artistas que vêm protagonizando a atual música eletrônica latina —nomes uma vez que a hondurenha Isabella Lovestory, a argentina SixxSexx, os chilenos Aerobica ou a colombiana Piolinda Marcela.

Desde 2018, a empresária e curadora mexicana Lucia Anaya tem notado esse processo, que caminha em paralelo com uma aproximação de cenas independentes das capitais da região. “Naquele ano tínhamos festas uma vez que a Hiedra, em Buenos Aires, a Traición, na Cidade do México, a Club Sauna, em Santiago do Chile, e a Mamba Negra, em São Paulo —todas estavam dando tudo de si, a gente se inspirava uma em outra mesmo sem saber”, lembra ela. “Na música não há barreiras de língua.”

O ano de 2018 também foi a primeira vinda de Anaya ao Brasil, seguida de outras passagens acompanhando artistas que também se consolidaram na vaga latina da música eletrônica —caso da argentina Tayhana, que trabalhou com Rosalía. “Estive na cidade para fazer a co-curadoria de um evento com a Linn da Quebrada, a margem Teto Preto, a Jup do Bairro e o Tom Zé, alguma coisa muito avançado na quadra”, diz ela. “A partir daí sempre tento voltar a São Paulo, é uma cidade que vive o horizonte da arte, é muito avant-garde.”

“A música eletrônica está presente na sarau desde quando começamos porque somos uma coletividade nascida na maior cidade latino-americana, com todas as suas delícias, delírios e contradições”, diz Laura Diaz, cofundadora da Teto Preto e da sarau Mamba Negra. “Trabalhamos ao longo desses anos com artistas uma vez que Valesuchi, Lechuga Zafiro, Bitter Babe e outros nesse caminho maluco de ‘des-isolar’ o Brasil do resto da América Latina.”

Além da afinidade sonora entre pistas da cidade e sons do continente, a disparidade financeira entre dólar e real nos últimos dez anos também estimulou maior contato entre atores culturais da cidade e artistas latino-americanos. Contratar DJs acostumados a cachês pagos na Europa ou nos Estados Unidos pode ser proibitivo até mesmo para nomes consolidados no rotação independente de São Paulo.

“Com uma curso andando, uma turnê boa na Europa e lançamentos sólidos, é mais provável que esse artista do Sul Global consiga fechar uma data com a gente e outras festas em São Paulo e no Brasil”, diz Diaz. “Mas ainda há uma barreira financeira. Não há nenhum tipo de pedestal voltado ao fortalecimento de vínculo ou intercâmbios culturais com a América Latina, enquanto vemos esse tipo de incitação para países uma vez que França e Alemanha.”

Anaya concorda que a chegada de mais nomes da música eletrônica latino-americana em São Paulo, embora mais plausível, ainda esbarra em questões estruturais. “Não é barato viajar ao Brasil e há poucos fundos ou apoios, portanto é uma grande oportunidade para quem consegue”, diz ela. “Meu reverência para quem triunfa no Brasil, isso sim é globalizar e galardoar seu trabalho.”

Nesse sentido, a situação das festas na cidade é ambígua: os palcos mais atraentes para artistas latino-americanos são justamente aqueles de bastidores complicados. Comparada a cidades uma vez que Paris e Londres ou mesmo capitais da região, uma vez que Bogotá, São Paulo hoje mostra um rotação de clubes incipiente e poucas políticas dedicadas à economia criativa da noite.

“Fazer festas grandes se tornou um risco para coletivos pequenos e médios”, afirma Diaz. “Sobram megaeventos de marcas e festivais gigantes com ingressos caríssimos bombardeando o público o ano todo. Mas nossa cultura é a resistência em si —tentar interromper esse fenômeno, com a profissionalização e o desenvolvimento da cena, não dá perceptível. A história prova que a cultura independente, mormente quando feita por pessoas LGBTQIAPN+ e dissidentes, sempre acha formas de voltar ainda mais pulsante.”

Para o jovem Wost, São Paulo é tão importante quanto tocar em Londres ou Paris. “Me emociona muito enfim tocar no Brasil”, ele diz. “Tocar na Europa é uma experiência muito grata pela infraestrutura e cultura eletrônica que encontramos lá, mas, uma vez que venezuelano, tenho uma conexão muito mais intrínseca com a forma de ver o mundo e de fazer música do brasiliano, é uma sensação alimentada pelos paralelismos que vivemos.”

Folha

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