Se sua mãe não transasse com seu pai, você não

Se sua mãe não transasse com seu pai, você não existiria – 15/02/2026 – Luiz Felipe Pondé

Celebridades Cultura

Uma das grandes inimigas da felicidade é a contingência ou a riqueza, que, na filosofia, são sinônimos. O filósofo húngaro-americano John Kekes, sem tradução no Brasil, por incrível que pareça, sendo ele um dos principais filósofos em atividade na atualidade, descreve esse nosso embate estrutural com a contingência porquê sendo a quesito humana por superioridade —”quesito humana” é o título de uma das suas principais obras.

Expressar que somos condicionados por um pouco implica proferir que nossa vida, em todas as suas dimensões, internas e externas, é limitada ou determinada, em grande medida, por esse um pouco —no caso, a riqueza.

Ordenar essa quesito humana porquê estrutural não implica proferir que nossa vida se esgota sob essa quesito, mas, sim, que somos obrigados a levar em conta esse variável efêmero o tempo todo, desde a nossa concepção no ato sexual que nos fundíbulo porquê seres vivos potenciais na ventre da nossa mãe.

O material genético que carregamos e nos define em grande medida é dependente do roupa de que somos filhos de um varão específico e de uma mulher específica, e não de outro varão e outra mulher. Só existimos por razão desse encontro efêmero entre os dois. Se essa mulher e esse varão fizessem um fruto com outro parceiro ou outra parceira naquele exato momento, nós não existiríamos.

O roupa de um espermatozoide “A” ter se encontrado com um óvulo “B” no corpo de uma mulher naquele exato momento é quesito necessária para ter sido você a ser concebido, e não outra pessoa. Bastava não ser aquele espermatozoide “A” ou aquele óvulo “B” para que você nunca viesse a viver.

Trocando em miúdos: se sua mãe Maria não tivesse transado naquele exato momento com o seu pai José, você não existiria. Agora, imagine todas as variáveis contingentes que tiveram de sobrevir para você viver.

Por exemplo, se o carruagem de um deles quebrasse e eles não se encontrassem? Se não vivessem no mesmo país, se não tivessem nascido na mesma estação, se naquele dia a sua mãe tivesse enxaqueca, se tivessem brigado no supermercado e zero de sexo por uma semana, enfim: você vê quantas variáveis contingentes foram necessárias para você viver?

Agora, pense que a mesma risco de raciocínio se aplica a todos os homens e mulheres que tiverem de se encontrar num oferecido momento, com milhares de espermatozoides e milhares de óvulos em jogo, para seus pais existirem. Faça a árvore genealógica da sua família e contemple toda a gama de variáveis contingentes que trouxeram você ao mundo e fique em silêncio diante de tamanho “mistério”.

Resumindo a ópera: você vê quantas variáveis contingentes tiveram de sobrevir num oferecido momento, num oferecido lugar, numa dada ocasião, para você viver? Imagine se em meio a essa teia de ancestralidade, algumas das suas ancestrais foram estupradas em meio a guerras para que você viesse a nascer 400 anos depois. Você seria capaz de proferir frases horrorosas porquê “graças a esses estupros eu nasci um dia”?

Agora, acrescente a essas variáveis “genéticas”, outras variáveis, históricas, geográficas, políticas, sociais, econômicas, ambientais, e você contemplará a teia de contingências que condiciona todos nós para termos nascido um dia. E não esqueça as forças cósmicas que fizeram a Terreno viver.

A questão não para por aí. Uma vez tendo nascido, começam outras variáveis. Os irmãos ou não com quem você teve de conviver, o impacto que a vida do parelha teve sobre você —se se separaram ou não, padrastos ou madrastas no pedaço—, se você teve uma família mesmo ou se você foi fruto de mãe solteira, pobre ou rica, se havia violência doméstica em vivenda ou não, se você passou necessidades ou foi uma petiz rica, se seu pai ou sua mãe enlouqueceu e lhe abandonou, se um dos dois, ou os dois, morreram jovens e deixaram você órfão, que tipo de temperamento você tem —lembre: temperamento é fado.

Se você viveu sob líderes políticos violentos ou não, atravessou guerras ou viveu em paraísos terrestres porquê a Escandinávia ou a Novidade Zelândia, ou, pelo contrário, se viveu em infernos terrestres porquê Somália ou Gaza. Se seu país fez de você um descrente no mundo, porquê o Brasil, ou um religioso no mundo, porquê a Dinamarca. Enfim, uma teia infinita de variáveis que se entrelaçaram ao longo de eras para que você viesse a nascer. O mesmo raciocínio se aplica a todos os seres humanos que já andaram na Terreno.

Agora, se você for um religioso, poderá proferir que Deus calculou todas essas variáveis para fazer você, e cada um de nós, viver um dia. Ou você viver ou não é mero fruto da diva da riqueza.

LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul aquém.

Folha

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *