Basta iniciar uma entrevista de Carlo Ancelotti para que o tema apareça cedo ou tarde. Desde que assumiu a seleção brasileira, em maio do ano pretérito, o treinador é insistentemente questionado sobre Neymar, que até hoje não atuou sob o comando do italiano e mantém em desimpedido a incerteza sobre sua presença na Despensa do Mundo deste ano.
A resposta poderá, enfim, iniciar a ser dada nesta segunda-feira (16), quando Ancelotti divulgará a última convocação para amistosos antes da lista final para o Mundial.
Há disputas abertas em praticamente todas as posições, principalmente no ataque, setor em que Neymar tenta se encaixar. Os amistosos contra França e Croácia, nos dias 26 e 31 de março, serão decisivos para os candidatos a integrar a delegação brasileira.
O camisa 10 do Santos teve recentemente a chance de lucrar a crédito do técnico, mas não conseguiu se apresentar diante do Mirassol, no último dia 10, quando Ancelotti foi ao estádio Campos Maia, no interno de São Paulo, justamente para observá-lo. A percentagem técnica do time alvinegro informou que o jogador foi desagregado da partida por desgaste muscular.
Mesmo consciente previamente da escassez do desportista, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) manteve os planos e levou o treinador a Mirassol.
Neymar teve 12 dias de preparação para o jogo, mas, em vários treinos, fez exclusivamente trabalhos físicos e não participou das atividades táticas. Só na antevéspera da partida voltou à rotina normal. Ainda assim, foi poupado. Nas redes sociais, desabafou sobre a novidade vaga de críticas por não ter se apresentado diante de Ancelotti.
“Se eu jogo machucado, uma vez que falaram no ano pretérito, eu estou inverídico. Se eu penso só em mim, estou inverídico. Se eu me poupo, estou inverídico. Se eu jogo com uma dor ou alguma coisa que possa exacerbar, estou inverídico. Está complicado, hein? Muito difícil concertar, rosto. Muito difícil, muito difícil aprazer todo mundo”, reclamou.
Sem o camisa 10, quem se destacou foi Gabigol, com dois gols em oito minutos, evitando a guia do Santos na partida, que terminou empatada por 2 a 2.
Neymar não atua pela seleção desde outubro de 2023, quando se machucou na partida contra o Uruguai, pelas Eliminatórias. Na ocasião, sofreu uma das lesões mais graves da curso, com ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo. Ficou quase um ano sem jogar.
Desde que retornou ao Santos, no início do ano pretérito, voltou a suportar com problemas físicos, o que também o impediu de vestir novamente a camisa da seleção brasileira.
Nesse pausa, outros atacantes se destacaram e aumentaram a concorrência no setor. Ao todo, oito jogadores devem ser chamados para a frente ofensiva na Despensa do Mundo.
Ao menos quatro nomes estão garantidos: Estevão, Vinicius Junior, Matheus Cunha e Raphinha. Rodrygo é outro que certamente faria secção da lista, mas sofreu uma ruptura no ligamento cruzado anterior e no menisco lateral do joelho recta, lesão que o tirou do Mundial.
João Pedro e Gabriel Martinelli também aparecem com vagas muito encaminhadas. Com isso, uma longa lista de atletas —entre eles Endrick, Igor Jesus, Kaio Jorge, Richarlison e o próprio Neymar— disputa as duas vagas restantes no setor ofensivo.
Se no ataque há repleção de opções, as laterais seguem uma vez que uma dor de cabeça para Ancelotti. Vanderson e Caio Henrique, ambos do Monaco e vistos uma vez que alternativas importantes para posições carentes da seleção, não poderão ser chamados porque sofreram lesões.
O problema, porém, não é novo. Ao longo de todo o ciclo, nem a direita nem a esquerda tiveram donos sob o comando do italiano. Pela esquerda, Caio Henrique foi o mais utilizado, com quatro partidas, primeiro de concorrentes uma vez que Alex Sandro, Douglas Santos e Carlos Augusto. Pela direita, Wesley lidera em número de aparições, com três, embalado pela boa tempo na Roma, onde tem atuado até uma vez que meia e pelo lado esquerdo —foi dessa forma, inclusive, que marcou um belo gol no término de semana, contra a Juventus.
Antes de se machucar, Vanderson era outro nome muito estimado pela percentagem técnica. Já Paulo Henrique aproveitou as oportunidades que teve na seleção, mas perdeu força depois a queda de rendimento no Vasco. Ao todo, Ancelotti já convocou dez laterais diferentes, retrato de uma disputa ainda ensejo e de um setor que segue sem definição às vésperas da lista final.
