Domingos Gusman Gimenez nasceu no bairro da Mooca, em São Paulo, no dia 26 de dezembro de 1937, em um domingo. Morreu no dia 22 de agosto de 2010, no mesmo dia da semana. Teve quatro filhos, entre eles o jornalista e editor Sidney Gusman.
É da relação entre pai e rebento que nasce a história em quadrinhos “Domingos”, roteirizada por Sidney e ilustrada por Jefferson Costa, publicada pela editora Pipoca & Nanquim em 30 de novembro de 2025 —o dia da semana é fácil de julgar.
Veterano do mercado de gibis, Gusman, de 59 anos, chamou a atenção recentemente não só pelo lançamento desta que é sua primeira obra autoral, uma vez que pela notícia que deu, no início deste mês, em suas redes sociais. Depois quase 20 anos, foi despedido da Maurício de Sousa Produções, a MSP, empresa responsável pelas obras do pai da Turma da Mônica.
Nesse período, se tornou um dos queridinhos do meio por encabeçar o selo Graphic MSP, que trouxe quadrinistas de fora do estúdio para criarem histórias que reimaginam os personagens clássicos de Mauricio para um público mais velho. Muitos destes vieram da cena independente, uma vez que o próprio Jefferson Costa, responsável de três gibis com o personagem Jeremias.
É uma expertise que Gusman alimenta desde os anos 1990, editando títulos em outras casas e assinando reportagens e resenhas sobre quadrinhos em diversas publicações, com destaque para o portal Universo HQ.
Agora, ele seguirá editando projetos especiais e os álbuns do Graphic MSP uma vez que freelancer, mas ainda não dá certeza sobre quais serão seus próximos passos. Para ele, a repercussão de “Domingos” uma vez que um bálsamo no momento.
“Tem me ajudado muito desde o final do ano pela pelo carinho das pessoas, e tem me ajudado nesse momento tão difícil que é perder o trabalho. Com as reações, ele mostra uma novidade estrada que eu posso percorrer”, afirma, por videoconferência.
“Foi um processo muito catártico fazer esse livro”, diz. “Eu sou um faceta bastante reservado em relação à minha família, e decidi estrear com um quadrinho autobiográfico, e eu digo que foi um acerto de contas com meu pretérito” .
Ao estilo de autores uma vez que o belga Zidrou e o espanhol Paco Roca, “Domingos” aposta na sensibilidade e na simplicidade para explorar relações familiares. São 18 capítulos que mostram domingos históricos para o seu clã.
Cada incidente explora uma faceta da relação entre pai e rebento, passando por momentos de conflito —uma vez que a implicância de Domingos com a paixão de Sidney por HQs—, e de felicidade, muitos ligados à paixão de ambos pelo futebol.
Em de dezembro de 1970, Domingos aparece lançando um jovem Sidney ao ar em comemoração à vitória da seleção brasileira na Despensa do México. Mais tarde, em 2002, quando o Brasil vence a Despensa da Coreia do Sul e do Japão, é Sidney quem repete o gesto com seu rebento.
Depois a aproximação via os quadrinhos sobre Jeremias, Costa se ofereceu entusiasmado para produzir a HQ com Gusman em 2020. No ano seguinte, veio um compromisso informal com a Pipoca & Nanquim para a publicação, ainda com o texto incompleto. “No dia que terminei o roteiro em janeiro de 2024, postei no meu Instagram e, naquela semana, fui procurado por seis editoras”, afirma.
O lançamento no final do ano garantiu uma boa vitrine no estande da editora na CCXP, convenção anual de cultura pop realizada em São Paulo, e virou um sucesso de vendas da morada.
“É uma história muito pessoal, mas, ao mesmo tempo, tem muito de universal nessa história”, diz. “Eu recebi muitas mensagens de pessoas dizendo que seus Domingos foram sua avó, ou sua mãe, ou seu avô. Teve um rapaz que até comentou ‘eu tive saudades de um pai que eu não tive’.”
Tão importante quanto a reação do público, diz Gusman, foi a de sua família. “Todos eles adoraram, disseram que papai deve estar muito feliz. A reação mais emocionante foi a da minha mãe. Ela falou que está lendo aos poucos, mas toda vez que pega o livro, ela começa a abraçar e beijar a toga.”
Segundo o jornalista, os próximos planos para “Domingos” envolvem a publicação em Portugal pela Lado dos Livros, em outubro, comandada por Maria José Pereira, célebre editora lusitana.
Agora restrito a trabalhos pontuais na MSP, Gusman também sugere a possibilidade de novas obras autorais. O momento, no entanto, ainda é de celebração dessa história privada.
“Um fã me perguntou se eu havia me oferecido conta de que tinha escrito um documento familiar, e eu não tinha pensado assim”, diz. “Isso cá vai passar pelas gerações da família Gusman. Em tempos em que as pessoas não contam mais histórias da família, esse é um documento bonito que vai permanecer”.
