Sinalizadores no the town: fãs exaltam experiência, mas uso é

Sinalizadores no The Town: fãs exaltam experiência, mas uso é proibido e cheio de riscos

Celebridades Cultura

Público acende sinalizadores em show de Travis Scott
O uso de sinalizadores em shows voltou a ser discutido depois do primeiro termo de semana do The Town, em São Paulo. As imagens de luzes coloridas e fumaça no meio do público do festival chamaram atenção e dividiram opiniões: para alguns, é um elemento que torna rememorável a experiência da plateia; para outros, trata-se de uma prática perigosa. O uso é proibido e o festival disse que tenta moderar a ingressão dos artefatos.
A discussão não é novidade. Desde episódios no futebol até cenas em shows de bandas porquê o System of a Down, o uso desses artefatos gera controvérsia. De um lado, há quem defenda o vista visual e emocional. Do outro, prevalece a preocupação com segurança. Finalmente se trata de um dispositivo pirotécnico, que pode provocar queimaduras, intoxicação e até mortes.
Cinco argumentos em prol dos sinalizadores em shows
Criam impacto visual que amplia a experiência coletiva e estética.
Funcionam porquê símbolo de união e pertencimento entre os fãs.
Reforçam a atmosfera de catarse típica de festivais e grandes shows.
Trazem um componente de espontaneidade, em contraste com eventos cada vez mais controlados. Seria a diferença de um jogo em uma redondel sem espírito e em um estádio “raiz”.
Cinco argumentos contra sinalizadores em shows
Apresentam cume risco de queimaduras, acidentes graves e incêndios.
Produzem fumaça tóxica e afeta respiração de quem está perto.
O manuseio irregular pode transformar o artefato em arma mortífero.
São proibidos por lei em eventos esportivos e musicais, com risco de punições. Por conta do uso em multidões, colocam em risco pessoas que não estão usando.
Público acende sinalizadores no The Town 2025
Fábio Tito/g1
Na edição deste ano do festival criado pelos organizadores do Rock in Rio, o uso de sinalizadores foi mais impressionante no primeiro dia, quase todo devotado ao trap (estilo de rap mais festejado pelos jovens hoje).
Os “foguinhos” no meio da plateia mostraram as transformações no comportamento do público mais jovem em grandes festivais. Travis Scott, rapper americano que fechou o sábado (6), conseguiu convencer segmento da plateia a desligar os celulares. Esses fãs levantaram as mãos para cima, entraram em grandes rodinhas pulantes e botaram para cima sinalizadores, com fumaça colorida.
O que diz a organização do festival?
A organização do The Town afirmou, por meio de nota, que “a segurança do festival está atenta ao uso de sinalizadores nos shows e retira do evento quem estiver portando ou utilizando o dispositivo, que não é permitido na Cidade da Música”. O enviado ainda destacou a presença de dois milénio profissionais de segurança, drones e 95 câmeras, além da valor de evitar riscos para que todos possam ter uma experiência segura.
Sinalizadores são vistos acesos no público durante show de MC Cabelinho
O que dizem fãs que usam sinalizadores?
Quando questionados sobre os perigos, fãs costumam responder que a prática é segmento da cultura dos shows de trap e não deveria ser criminalizada. Muitos argumentam que é um jeito de mostrar a emoção do momento e afirmam que ninguém se machuca quando é feito com desvelo. Outros dizem ainda que é hipocrisia liberar fogos oficiais no palco e proibir na plateia. Contam ainda que o problema não é o sinalizador, mas a falta de instrução de quem usa inexacto.
Fãs do System of a Down são pioneiros?
Os relatos de shows do System of a Down no Brasil ajudam a entender porquê os sinalizadores se tornaram um símbolo de intensidade entre plateias de rock, antes de serem adotados definitivamente por quem curte trap. Desde os anos 2000, cenas com fumaça e fogos caseiros aparecem nas apresentações da orquestra. Em 2015, no Rock in Rio, a performance teve até um “replay” de músicas, sob protestos e euforia com sinalizadores. Não é excesso declarar que os fãs do grupo foram dos primeiros a associar o dispositivo a uma experiência coletiva marcante nos festivais.
Público acende sinalizadores durante show do Matuê The Town 2025 Fábio Tito/g1
Fábio Tito/g1
E o uso de sinalizadores no futebol?
O debate nos shows lembra a trajetória no futebol. O Regime do Torcedor, de 2003, proibiu artefatos pirotécnicos nos estádios. A regra se endureceu em seguida tragédias porquê a da Libertadores de 2013, quando o jovem boliviano Kevin Punhal morreu atingido por um rojo náutico. Casos na Europa, porquê os dos goleiros Dida e Luca Bucci, atingidos em campo em 2005, reforçaram a dimensão internacional do problema. Ao mesmo tempo, muitos torcedores criticam a proibição totalidade, associando-a à elitização das arenas.
Torcedores do Corinthians com sinalizadores aguardam o início da partida de ida contra o Flamengo válida pela final da Despensa do Brasil 2022, realizada na Neo Química Redondel, em Itaquera, zona leste da capital paulista
JEFFERSON AGUIAR/PERA PHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Torcedores argumentam que a proibição de sinalizadores, em vez de uma discussão sobre o tema e a tentativa de um uso mais controlado, faz segmento do movimento de gentrificação do futebol, com arenas no lugar de estádios tradicionais e ingressos cada vez mais caros. Há leis que proíbem todo tipo de pirotecnia, instrumentos de percussão e até torcidas de times rivais no mesmo jogo.
Quais são os diferentes tipos de sinalizadores?
Os sinalizadores variam em formato e função:
os manuais, que emitem fachos de luz intensa;
os aéreos, conhecidos porquê rojões, que explodem no cume;
os fumígenos, que liberam nuvens coloridas;
e os sonoros, usados em situações de alerta.
Originalmente criados para notícia marítima e militar, esses artefatos foram adaptados para contextos festivos. Mas o risco permanece: todos operam em temperaturas elevadas, capazes de provocar queimaduras graves e intoxicação pela fumaça.

Fonte G1

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