'O agente secreto' no Globo de Ouro: conheça os adversários

'Sirât' oferece experiência cinematográfica inesperada e explosiva; g1 já viu

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“Sirât”, o representante da Espanha no Oscar 2026 na categoria de Melhor Filme Internacional, e que chega aos cinemas nesta quinta-feira (26), labareda a atenção pelo seu impacto, tanto no óptimo trabalho de som quanto por algumas sequências que chocam e pegam o público de surpresa. Devido a seu tom intenso, o longa pode tanto roubar o testemunha uma vez que também afastá-lo de sua proposta audaciosa.
Quem embarcar na teoria criada pelo diretor Oliver Laxe e sua equipe certamente se sentirá recompensado por seguir um drama com lances corajosos e inusitados, que não são geralmente vistos em obras do gênero. Tudo ilustrado com imagens esplêndidas e uma trilha que impressiona por promover um verdadeiro fascínio a quem a escuta.
Assista ao trailer do filme “Sirât”
A trama de “Sirât” é muito simples. Nela, acompanhamos Luis (Sergi López, de “O Labirinto do Fauno”), que vai até o sul do Marrocos, que está no meio de uma guerra, desenredar onde está sua filha, que está desaparecida. Escoltado do rebento caçula Esteban (Bruno Nuñez Arjona), ele chega a um lugar onde são realizadas festas rave no meio do deserto marroquino, onde a filha poderia estar.
Os dois conhecem um grupo de pessoas, formado por Jade (Jade Oukid), Tonin (Tonin Janvier), Bigui (Richard Bellamy ‘Bigui’), Josh (Joshua Liam Herderson) e Steff (Stefania Gadda), que resolve ir a um lugar distante para outra sarau. Na esperança de encontrar sua filha, Luiz acompanha seus novos amigos na viagem, que se revela mais difícil e desafiadora do que todos poderiam imaginar.
Música e areia
Ao contrário de seus “adversários”, uma vez que o nosso “O Agente Secreto”, “Foi Somente um Acidente” ou “A Voz de Hind Rajab”, “Sirât” não tem intenção de denunciar a repressão de forma tão direta. Ao invés disso, o longa de Laxe (que causou polêmica ao ironizar as indicações do filme brasílio), mostra uma vez que os regimes militares e seus conflitos podem impactar a vida das pessoas, que buscam uma espécie de refúgio na música e na diversão. Através delas, os personagens buscam evadir de um orientação terrível nas mãos das autoridades e ter a sensação da liberdade.
Isso fica muito simples numa das melhores sequências do filme, em que Luis e seus novos companheiros decidem fazer a sua própria rave, com os equipamentos de som que carregam em seus veículos, numa espaço desabitada. A cena por si só impressiona pela sua bela plasticidade, mas fica ainda mais incrível com o trabalho de som feito para amplificar as músicas da trilha sonora, além de outros efeitos sonoros.
Luis (Sergi López) e seu rebento Esteban (Bruno Núñez Arjona) embarcam numa jornada no Marrocos em ‘Sirât’
Divulgação
Não é por possibilidade que o longa também foi indicado ao Oscar de melhor som. A indicação, aliás, se tornou histórica porque foi a primeira dada a uma equipe totalmente formada por mulheres (Laia Casanovas, Yasmina Praderas e Amanda Villavieja).
Uma estranha família
Mas “Sirât” não tem só na música e no trabalho de som seus maiores méritos. O filme também mostra que a direção de Laxe (que também co-escreveu o roteiro com Santiago Fillol) é bastante eficiente ao produzir cenas com bastante tensão e imprevisibilidade. Graças a essas sequências, o testemunha não fica indiferente com a que assiste na telona por simplesmente não ter a menor teoria do que pode ocorrer na história. Principalmente em seu terço final.
O cineasta, aliás, acerta no tom para fazer com que os personagens festeiros sejam muito aprofundados, com seus traumas pessoais, o que os torna mais humanos e provoquem empatia com o público. Isso potencializa a sensação de preocupação (e até lamento) pelo que acontece com eles à medida que a trama avança.
Luis (Sergi Lopez) enfrenta o deserto ao lado de novos amigos em ‘Sirât’
Divulgação
Outro ponto curioso é que, tirando Sergi López, o restante do elenco principal é formado de pessoas que não tinham nenhuma experiência prévia em atuação. Por isso, seus personagens têm os mesmos nomes dos atores e atrizes que os interpretam. E todos dão muito muito conta do recado.
Produzido por Pedro Almodóvar e seu irmão Augustin, entre outros, “Sirât” ganhou o Prêmio do Júri do Festival de Cannes de 2025, entre outros prêmios, em sua bem-sucedida curso internacional. Embora não seja superior a “O Agente Secreto”, “Valor Sentimental” e “Foi Somente Um Acidente”, o filme vale uma vez que uma experiência sensorial intensa e marcante. É uma daquelas produções que ficam ainda melhores quando vistas na maior tela provável e com o som no volume mais cume que puder. Deixa a viagem ainda mais alucinante.
Cartela resenha sátira g1
Arte/g1

Fonte G1

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