Mulher vestida com vestido amarelo ajoelhada em palco iluminado, interagindo com móvel pequeno decorado com flores. À frente, utensílios de chá metálicos dispostos no chão.

Sobrevento completa três décadas com espetáculo infantil – 30/11/2025 – Teatro

Celebridades Cultura


São Paulo


Sandra Vargas e Luiz André Cherubini, do grupo Sobrevento, se apresentam sozinhos em “A Vivenda que Espera”, com trajes amarelos desenhados pelo estilista João Pimenta, acompanhados somente de alguns objetos: ora um bule e uma xícara, ora uma viola caipira, ou logo uma mala. Coisas simples.

A partir desses e de outros utensílios, desfiam a trama sobre um varão e uma mulher que, prestes a deixar a moradia dos pais, recuperam memórias de suas infâncias. Pequenos momentos valiosos vêm à tona no momento da partida, uma vez que servir um chá ou cuidar de um jardim.


Sandra Vargas em montagem da peça ‘A Casa que Espera’


Marco Aurelio Olímpio/Divulgação

Para a montagem de “A Vivenda que Espera”, Cherubini e Vargas partiram de algumas estratégias que já haviam consolidado em peças anteriores. Visitaram Centros de Ensino Infantil, os CEIs, para ouvir de crianças suas histórias de memórias ligadas a objetos queridos.

“A gente escuta essas memórias, se emociona com elas e tenta expandi-las uma vez que revérbero do nosso tempo, da sociedade e das injustiças que essas crianças sofrem, criando um espetáculo que possa envolver as pessoas”, afirma o diretor.

Reconhecendo a influência que têm junto à comunidade lugar, composta em grande segmento por imigrantes, os artistas programaram uma série de palestras para seguir a temporada da peça, que cruzam discussões sobre a puerícia e a cultura com temas uma vez que sustento, meio-ambiente e a relação com a cidade.

Para prometer que a apresentação gratuita alcançasse o público, e oriente não dependesse da facilidade com aplicativos de planta para poder testemunhar à peça, o grupo distribuiu filipetas na rua Coimbra, do Brás, ponto bastante frequentado por imigrantes bolivianos e seus filhos, com indicações de uma vez que chegar ao teatro a partir de lá.

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Às vésperas de completar 40 anos, o Sobrevento escolheu essa peça para bebês para fechar sua programação de 2025. A trupe mantém também uma programação consistente de apresentações para adultos e crianças mais velhas, mas não é nenhuma principiante na oferta de arte para os mais pequenos.

Suas primeiras peças para bebês são de 2010. Os diretores do Sobrevento acreditam que, na estação, o teatro infantil vertia para o que chamam de prestação de serviço, a procura por atender às demandas dos pais e dos educadores.

Eles se opunham à produção que usava a arte somente para passar lições às crianças e ao teatro com rostro de animação de sarau, que buscava prender a plateia com o fomento fácil. Desde lá, já eram guiados pelo mesmo setentrião que preservam: para eles, o teatro para a primeira puerícia deve ser, mais do que didático ou puro divertimento, poético.

“A arte não é entretenimento, recreação, distração”, afirma Cherubini. “Nós, artistas, buscamos transformar o mundo por meio da transformação de uma pessoa num encontro poético.”

“Mas, por vezes, teatros são tomados uma vez que estacionamentos de crianças —e nós, artistas, uma vez que garçons, pessoas que estão a serviço das expectativas daquela pessoa. O que nós queremos fazer é subverter essas expectativas.”

Já em 2010, o Sobrevento fundou o festival de teatro para a primeira puerícia Primeiro Olhar, escoltado da antiga companhia espanhola La Vivenda Incierta, grupo estrangeiro influente na formulação dessa teoria de arte para o público infantil.

Vargas e Cherubini dizem que sua guinada para o teatro infantil foi recebida com suspicácia pela classe artística e pela sátira em um primeiro momento. Mas, no término, a iniciativa foi muito sucedida. Seu teatro infantil lotou sessões e sessões do Espaço Sobrevento, no Belenzinho, e diretor e diretora acreditam ter influenciado a produção vernáculo voltada para os menores.

“A gente fica muito feliz de ver grupos que iam uma vez que espectadores e depois se sentiram capazes de gerar um espetáculo para a primeira puerícia”, diz Vargas. “Isso foi muito bonito.”


Homem vestido com terno amarelo sentado em caixa, tocando instrumento de cordas pequeno, com fundo escuro e iluminação quente.

Luiz André Cherubini em montagem da peça ‘A Casa que Espera’


Marco Aurelio Olímpio/Divulgação

Para o ano que vem, de efeméride, o Sobrevento planeja uma mostra com grande segmento do repertório produzido ao longo dos anos, que deve sobrevir na viradela do semestre. Adiantaram à reportagem que devem também circundar o país com “Para Mariela”, uma vez que segmento de uma grande mostra de teatro, mas o público precisará esperar um momento porvir para mais detalhes.

A Vivenda que Espera

Dir.: Sandra Vargas e Luiz André Cherubini. Com: Sandra Vargas e Luiz André Cherubini. Texto: Sandra Vargas. Livre.

Espaço Sobrevento – r. Coronel Albino Bairão, 42. Belenzinho, zona leste. Até 14/12. Sáb. e dom., às 11h e às 15h. Ingressão gratuita.



Folha

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