Stephen colbert: fim do talk show cala voz contra trump

Stephen Colbert: Fim do talk show cala voz contra Trump – 18/07/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Por qualquer ângulo que se analise, o proclamação do termo do “Late Show”, apresentado por Stephen Colbert desde 2015, é uma péssima notícia. A decisão da rede CBS foi tornada pública na quinta-feira (17) à noite. O programa deixará de ser apresentado a partir de maio de 2026, ao termo do contrato de Colbert.

A primeira, e pior hipótese, é que o cancelamento do talk show tenha sido motivado por razões políticas. O presidente Donald Trump, desde o primeiro procuração, sempre foi objectivo de críticas ácidas e debochadas de Colbert.

Por trás da decisão, estaria o interesse da Paramount, empresa controladora da CBS.

No início deste mês, a Paramount concordou em remunerar US$ 16 milhões para fechar uma ação judicial movida por Trump, por culpa de uma entrevista com Kamala Harris transmitida em outubro do ano pretérito, no programa jornalístico 60 Minutes. Segundo Trump, o via editou a entrevista de forma favorável à logo candidata presidencial.

Para muita gente que acompanhou o ponto e conhece os meandros da Justiça americana, a Paramount deveria ter enfrentado a ação judicial, ao invés de optar pelo convénio. A decisão foi muito criticada, inclusive por Colbert. Nesta segunda-feira (14), em seu programa, o apresentador classificou o convénio uma vez que “um grande suborno”.

Desde 2024, pelo menos, a Paramount vinha buscando um parceiro para fazer uma fusão, tentando lucrar musculatura na competição com gigantes uma vez que Netflix, Disney e Amazon. Em julho do ano pretérito, foi informado que o grupo Skydance Media concordou em remunerar US$ 8 bilhões para assumir o controle da Paramount. O negócio não foi finalizado até hoje, e depende de aprovação, justamente, do governo Trump.

Integrantes da oposição injetaram combustível na tese de que o termo do programa teve razões políticas. A senadora Elizabeth Warren disse: “Os Estados Unidos merecem saber se o programa dele foi cancelado por motivos políticos.” “Se a Paramount e a CBS encerraram o ‘The Late Show’ por motivos políticos, o público merece saber”, disse o senador Adam B. Schiff.

No enviado que anuncia o cancelamento do “Late Show”, a CBS se antecipou à especulação e negou que a razão seria política. Foi “puramente uma decisão financeira em um cenário provocador no horário superior”, disse a empresa.

Os talk shows de termo de noite são uma espécie de instituição das grandes redes —NBC, ABC e CBS— da televisão americana. Na sua mistura de entrevistas com astros de Hollywood e celebridades, números de humor e orquestra de música, é um formato que vigora, sem alterações significativas, desde a dez de 1950.

O pioneiro “Tonight Show”, na NBC, estreou em 1954, sob o comando de Steve Allen. Desde 2014, esse programa é apresentado por Jimmy Fallon. Para quem se interessa pelo tema, recomendo “A História do Late Night”, na HBO Max, que investiga uma vez que nasceu nascente gênero na TV americana.

Mas é um formato que enfrenta dificuldades já há qualquer tempo, em consequência da transmigração de público tantos das grandes redes quanto da TV por assinatura para as plataformas de streaming.

O número de programas noturnos vem diminuindo nos últimos anos. Taylor Tomlinson, que apresentava o “After Midnight”, um talk show à 0h30, depois do programa de Colbert, anunciou a sua saída em março, e a CBS aproveitou para cancelar o programa. Em 2022, outros dois nomes icônicos do mundo do talk show, Trevor Noah e James Corden, também deixaram seus programas por vontade própria.

Uma vez que lembra o The New York Times, outros programas noturnos, incluindo os apresentados por Samantha Bee e Conan O’Brien, que saíram do ar nos últimos anos, também nunca foram substituídos. E o Emmy, que normalmente tinha até seis indicados ao prêmio de melhor talk show, nascente ano anunciou exclusivamente três candidatos ao troféu.

Outro sinal explícito da decadência do formato é a queda da receita publicitária. Ainda segundo o jornal americano, os programas noturnos das grandes redes arrecadaram, em 2018, US$ 439 milhões em receita publicitária, contra US$ 220 milhões, em 2024, uma queda de 50% em exclusivamente sete anos.

Quem assistiu à quarta temporada de “Hacks”, na HBO Max, teve a chance de observar alguns dos sinais desta crise. A ficção descreve o esforço da comediante Deborah Vance (Jean Smart) para se tornar apresentadora de um talk show no horário superior de uma grande rede de TV.

O público rejeita o humor politicamente correto da roteirista, quer ver a perna da apresentadora e se diverte com piadas que fazem sucesso no TikTok. Deborah grava inúmeros vídeos ridículos para promover o talk show nas redes sociais. A direção do via impõe a presença de determinados convidados e cede à pressão para trinchar trechos considerados polêmicos. Os fragmentos de entrevistas, exibidos nas redes sociais, importam mais do que a íntegra das conversas.

Apesar da perda de audiência e de faturamento, os talk shows de termo de noite da TV americana seguem relevantes —e devem muito a Trump por isso. Diferentemente dos jornalistas que comandam os noticiários, os apresentadores de talk show têm liberdade enorme para fazer piadas e tripudiar do presidente americano e da veras do país. Colbert vai fazer falta.

Folha

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