Como 'tubarão' de spielberg recriou o blockbuster moderno 19/06/2025

Steven Spielberg relembra os 50 anos do filme ‘Tubarão’ – 23/09/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Quando um jovem diretor chamado Steven Spielberg decidiu passar o verão de 1974 em Martha’s Vineyard, uma elegante ilhéu turística na costa de Massachusetts, não esperava que a viagem quase lhe custasse a curso.

Ideologista, ele acreditava que poderia rodar seu terceiro filme, uma adaptação do best-seller de Peter Benchley, “Tubarão”, em dois meses. No termo, levou quase cinco. Achou que nunca mais faria outro filme na vida.

“Eu realmente não estava pronto para a quantidade de obstáculos que surgiram pelo caminho, começando pela natureza”, lembrou Spielberg durante a fenda para a prelo de uma grande exposição montada para comemorar os 50 anos de “Tubarão”, em Los Angeles.

“Minha arrogância foi descobrir que poderíamos levar uma equipe de Hollywood por 20 quilômetros mar adentro no Atlântico e filmar um longa inteiro com um tubarão mecânico. Achei que seria tranquilo.”

Zero parecia dar patente. O tubarão não funcionava recta, o tempo estava péssimo, as correntes levavam os barcos para longe do curso e outros barcos a vela invadiam o enquadramento, paralisando as filmagens por horas, além do enjoo, que era generalizado.

“Nunca vi tanto vômito na minha vida”, diz o diretor. “Por qualquer motivo, nunca fiquei enjoado. Acho que foi porque eu tinha o peso dessa produção nos meus ombros e não tinha tempo para permanecer doente.”

Durante as filmagens, Spielberg passou a confiar que nunca mais faria outro filme. Ele se lembra das ameaças dos executivos do estúdio —”Você nunca mais vai ser contratado”, “nascente filme está muito supra do orçamento, e muito moroso”, “você é um verdadeiro risco uma vez que diretor”.

“Na verdade, várias vezes me ofereceram a chance de ceder o filme de forma elegante. Não para ser substituído por outro diretor, mas para que o projeto fosse encerrado.”

No termo, tudo deu patente. “Tubarão” se tornou o filme de maior bilheteria da história, pelo menos até “Star Wars” estrear em 1977. O longa mudou para sempre a forma de pensar dos estúdios de Hollywood, que passaram a investir em filmes simples e populares, lançados no verão americano com campanhas massivas de divulgação.

Agora, aos 78 anos, Spielberg ajuda a comemorar o natalício de meio século do longa com “Jaws: The Exhibition”, no Academy Museum of Motion Pictures em Los Angeles, o repositório solene de tudo relacionado ao Oscar.

Distribuída por seis galerias, a exposição, que vai até julho de 2026, segue o roda narrativo do filme, ao mesmo tempo em que conta os bastidores da produção. De faceta, o visitante encontra a grande boia à qual a azarada nadadora Chrissie Watkins se agarrou brevemente antes de ser atacada pelo predador invisível nos primeiros minutos da trama.

“Quem poderia imaginar que alguém levaria essa boia para lar, ficaria com ela por 50 anos e depois a emprestaria para a Ateneu?”, diz Spielberg. “Eu não tinha teoria.”

A boia pertence a um colecionador de “Tubarão”, que resgatou o objeto já bastante enferrujado de um quintal em Martha’s Vineyard há quase 40 anos e o restaurou. Colecionadores respondem por murado de metade da exposição. O restante vem da coleção do próprio Spielberg e de outros membros da produção.

Também estão presentes uma reprodução do navio de pesca Orca, figurinos, diversos objetos de cenas e alguns roteiros anotados, mostrando uma vez que o projeto ainda estava em curso mesmo durante as filmagens.

Das três estatuetas do Oscar levadas por “Tubarão”, unicamente o prêmio da montadora Verna Fields está em exibição. O filme foi premiado pela trilha sonora de John Williams e pela edição de som, mas perdeu a principal categoria para “Um Estranho no Ninho”.

“Cada sala mostra nos mínimos detalhes uma vez que esse filme foi feito e prova que o cinema é, de vestuário, uma arte colaborativa. Não há espaço para autores isolados”, diz Spielberg. “É uma forma de arte que só sobrevive quando se reúne as melhores pessoas nas funções certas. Tenho muito orgulho de ter feito secção disso.”

Vale lembrar que “Tubarão” é um filme de suspense. Um dos destaques mais assustadores da exposição fica em um quina só com um aviso: “Oriente material contém imagens violentas que podem ser perturbadoras para algumas pessoas”. É a cabeça do capitão Ben Gardner, ou melhor, o padrão usado na cena do navio submerso.

Na versão original, a cena mostrava unicamente o navio, o que deixou desapontado o público da sessão de teste do filme. Spielberg sabia que precisava intensificar o terror e usou seu próprio numerário para recriar a cabeça na piscina da montadora Verna Fields, em Los Angeles. Quando o mergulhador investiga a mordida gigante no casco, a cabeça de Gardner salta das sombras, com vermes devorando seus olhos.

Apesar das dores da produção, Spielberg tem enorme orgulho do trabalho. Depois de “Tubarão”, ele ganhou carta-branca para escolher seu próximo projeto. Decidiu por um filme de OVNIs que ninguém em Hollywood queria fazer. Nasceu “Contatos Imediatos do Terceiro Proporção”, que abriu caminho para “E.T. – O Extraterrestre” e para dezenas de outros blockbusters.

Tudo graças a um grande peixe e a uma cabeça decepada.

Folha

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