O primeiro Mundial de Clubes realizado pela Fifa com 32 participantes (também chamado de Despensa do Mundo e de Supermundial) está na metade das oitavas de final, a primeira lanço dos mata-matas.
Dois brasileiros continuam vivos (Palmeiras e Fluminense), dois morreram (Botafogo e Flamengo).
Vejo mais acertos do que erros nesta primeira edição inchada, que segue a (ótima) fórmula utilizada de 1998 a 2022 para a Despensa do Mundo de seleções. A partir de 2026, serão 48 países, um excesso que levará ao torneio que existe desde 1930 mais equipes de menor nível técnico.
A atração mais chamativa do Supermundial nos EUA é a microcâmera que cada louvado utiliza, na profundeza da ouvido, acoplada ao aparelho de notícia. Um acerto.
Ela mostra uma visão do lance (a do juiz) à qual não estamos acostumados, de gols marcados e de faltas cometidas, entre outros instantes da partida. É dissemelhante, tem um toque de videogame. Porém poderia ser mais frequente seu uso por quem cuida dos replays –são raras as vezes na transmissão que a função é ativada.
Falando em transmissão, li que a audiência da Despensa do Mundo tem sido boa no Brasil, mas nem tanto em outras praças.
Não “pegou” entre europeus e estadunidenses, e esse é um repto para os departamentos de marketing e divulgação da Fifa para a próxima edição, daqui a quatro anos.
Aliás, percebi um tanto repugnante ao ver os jogos na Mundo. Mais até para o narrador ou comentarista do que para o testemunha. Sem nenhum aviso, subitamente, a tela é dividida e entra a propaganda de uma bet, por alguns segundos.
Quem fala é interrompido no meio da frase, um desrespeito. É questão mercantil, mas podiam combinar o momento da interrupção. Ter qualquer bom siso.
Bom siso que deverá ser empregado no horizonte ao descartar a inovação, implementada na ingressão dos jogadores em campo. Ao estilo NBA (basquete) e competições de atletismo, os atletas são anunciados, nome a nome.
Na NBA, há um espetáculo de luzes, e o locutor da estádio capricha na entonação para incensar os jogadores do time mandante. O público se envolve.
No atletismo, os competidores fazem seu show: batem no peito, dançam, pulam, gritam, entre caras e bocas. O público se envolve.
No Supermundial de futebol, não há zero disso. Foi uma tentativa que falhou. Está sem perdão. Não pegou.
Outra teoria, não inédita, posta em prática na Despensa nos EUA é a paragem para refresco/hidratação (“cooling break”), aos 30 minutos do primeiro e do segundo tempo, quando a situação climática exige.
Não é bom para a dinâmica da partida (a interrupção é de até três minutos), mas faz-se necessária devido às altíssimas temperaturas (supra de 30°C) do verão norte-americano.
Os jogadores agradecem, e os treinadores aproveitam para passar-lhes novas orientações ou substanciar as dadas antes.
Ainda no quesito interrupção, até agora o famigerado VAR (louvado assistente de vídeo) tem estado simples, quase imperceptível, no Supermundial. Muito devido ao sistema de impedimento semiautomático, que é recente.
Com ele, zero mais de serem traçadas, minutos a fio, as linhas (a dificuldade com elas é tremenda) para tentar concluir a regularidade ou não da jogada. Precisa ser assim sempre, em todo campeonato.
Retornando às condições climáticas, seis jogos foram paralisados, em diferentes cidades, devido a alertas de tempestades, que poderiam colocar em risco os presentes em cada estádio.
É um protocolo, e é um problemão. As paradas são longas, de meia hora para (muito) mais. Benfica x Auckland, em Orlando, recomeçou depois de muro de duas horas, uma evo.
E para a evo ficará a música-tema na Despensa do Mundo.
Tocada na brecha e no fechamento de todas as transmissões, “Freed from Desire” (Livre do Libido), lançada há quase 30 anos pela italiana Gala Rizzatto (e cuja letra não zero a ver com futebol), estará na minha cabeça até o término da vida: na-na-na-na-na-na-na, na-na-na, na-na.
Felizmente para mim, o na-na-na agrada.
Levante texto é possivelmente o último que escrevo sobre o Supermundial antes do término dele. Uma viagem ao exterior marcada há bastante tempo provavelmente, devido à programação das atividades e ao fuso horário, me impedirá de seguir as partidas. Se você puder, aproveite a reta final. É um torneio histórico.
