São Paulo
Começa neste sábado (7) mais uma edição da Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, a MITsp. Até 15 de março, peças, coreografias e performances levarão ao público reflexões sobre violência e as diversas formas de enfrentá-la.
São 24 espetáculos, somados os trabalhos brasileiros e estrangeiros —estes apresentados sempre com legendas de tradução. Há ainda uma agenda de debates e oficinas. A programação se estende por 11 espaços na capital paulista.
Espetáculo de dança ‘TA | Sobre Ser Grande’, parte da programação da MITsp em 2026
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Pati Guimarães/Divulgação
Neste ano, o repórter galicismo Édouard Louis é um dos destaques do evento, com dois de seus livros adaptados ao teatro. “História da Violência” tem direção do teutónico Thomas Ostermeier e produção da companhia berlinense Schaubühne. Já em “Quem Matou Meu Pai”, o próprio Louis sobe ao palco.
Essa é uma das novidades da edição e, segundo Antônio Araujo, pai e diretor artístico do evento, também uma forma de ampliar o interesse do público pela mostra —não à toa, os ingressos para o espetáculo com Louis estão esgotados.”É uma particularidade da MIT trazer figuras que vão para além do teatro, que irrigam o pensamento teatral”, diz.
Além das peças, Louis participa de dois debates abertos ao público e gratuitos. O primeiro ocorrerá em 8 de março, às 14h, no Sesc Pinheiros, com ingressos distribuídos no dia. O segundo será em 9 de março, às 20h30, no Teatro Sérgio Cardoso, mas tem tíquetes esgotados.
Outras novidades deste ano são o eixo de peças de companhias da região Meio-Oeste e a performance com 12 horas de duração que reúne cinco obras de artistas negros em sequência.
A mostra também traz à cidade o congolês Dieudonné Niangouna com o espetáculo “Do Lado de Cá”. É a primeira vez que o dramaturgo vem ao evento —em outra edição, foi impedido de viajar ao Brasil por ser vítima de perseguição política em sua terreno natal.
Essa troca entre o teatro do Brasil e o de fora do país é a premissa da mostra. Além de trazer para os brasileiros o que é feito em outros países, a MITsp apresenta a produção pátrio ao mundo.
O evento foi criado em 2014, mas a teoria já existia anos antes da realização. A inspiração era o Festival Internacional de Artes Cênicas, feito na capital paulista por Ruth Escobar entre 1974 e 1999.
Junto a Guilherme Marques, Araujo tirou a MITsp do papel. Ao longo das edições, ele acredita que a mostra conseguiu incluir São Paulo no rodeio internacional de artes cênicas. E também trouxe nomes importantes da cena contemporânea de América Latina, Europa e África.
A seguir, veja a lista de espetáculos. A programação de debates e oficinas está no site mitsp.org. Apresentações com ingressos esgotados terão fileira de espera presencial no dia da realização.
Cavucada – a Sarau Não Será Amanhã
Dir.: Jorge Alencar e Neto Machado. Com: Cia. Dançurbana. 18 anos.
Junta público e artistas em uma pista para revisitar coreografias da Companhia Dançurbana e passos de brega-funk, passando por hip hop, dança contemporânea e coreografias do TikTok.
Instituto Brasílio de Teatro – av. Brigadeiro Luís Antônio, 277, Bela Vista, região medial. Seg. (9), às 21h. Ter. (10), às 22h. Ingr.: R$ 40 em Sympla
Dança Boba
Dir.: Daniel Calvet. Com: Daniel Calvet e João Paulo Gross. Livre.
Apresentação que segmento do improviso e da ludicidade, transitando por memórias e pela nostalgia.
Itaú Cultural – av. Paulista, 149, Bela Vista, região medial. Qui. (12) e sex. (13), às 19h. Ingr.: gratuito em itaucultural.org.br
Ta | Sobre Ser Grande
Dir.: Mário Promanação. Com: Corpo de Dança do Amazonas. Livre.
“Ta” significa grande para os tikuna, povo indígena do Amazonas. Também é o nome que dão ao território onde vivem. Com trilha sonora original do DJ Marcos Tubarão, o espetáculo homenageia esse povo e sua cultura.
Teatro Sérgio Cardoso – r. Rui Barbosa, 153, Bela Vista, região medial. Ter. (10) e qua. (11), às 20h30. Ingr.: R$ 40 em Sympla
Vogue Funk
Dir.: Patfudyda. Com: Juninho do Quebra, Kill Bill e Maylla Eass. 16 anos.
O dança funk e o vogue ball americano, sarau com competições artísticas ligada à cena marginal LGBTQIA+ dos Estados Unidos, se encontram neste espetáculo.
Meio Cultural São Paulo – r. Vergueiro, 1.000, Liberdade, região medial. Sáb. (7) e dom. (8), às 21h. Ingr.: R$ 40 em Sympla
PEÇAS
Detrás das Paredes
Dir.: Sérgio Sartório. Com: Cia. Plágio de Teatro. 16 anos.
Um almoço de família acaba em caos quando Flora convida os vizinhos para festejar um natalício. O texto do dramaturgo prateado Santiago Serrano passa por temas porquê a violência doméstica e a invasão da intimidade.
Itaú Cultural – av. Paulista, 149, Bela Vista, região medial. Sáb. (7) e dom. (8), às 19h. Ingr.: gratuito em itaucultural.org.br
A Missiva
Dir.: Milo Rau. Com: Arne de Tremerie e Olga Mouak. 14 anos.
A peça conversa sobre tudo o que forma um jovem ator. Por um lado, o próprio teatro. Por outro, a vida — a política, a família, os relacionamentos e a morte.
Meio Cultural Fiesp – av. Paulista, 1.313, Bela Vista, região medial. Sáb. (7), às 19h. Dom. (8) e seg. (9), às 18h. Ingressos esgotados
Do Lado de Cá
Dir. e atuação: Dieudonné Niangouna. 14 anos.
Dido, o protagonista interpretado pelo congolês Dieudonné Niangouna, é um ex-ator que vive enfurnado em um bar, distante de seu país natal e dos palcos, remoendo suas memórias, até que um diretor lhe oferece um papel.
Sesc Vila Mariana – r. Pelotas, 141, Vila Mariana, região sul. Sex. (13) e sáb. (14), às 20h. Dom. (15), às 18h. Ingressos esgotados
História da Violência
Dir.: Thomas Ostermeier. Com: Christoph Gawenda, Laurenz Laufenberg e Renato Schuch. 16 anos.
Reconstrói o encontro do repórter Édouard Louis com um varão. O incidente, em um primeiro momento afetuoso, acaba em estupro. O protagonista precisa logo mourejar com a violência que sofreu.
Teatro Liberdade – r. São Joaquim, 129, Liberdade, região medial. Sáb. (7), às 21h. Dom. (8), às 20h. Ingr.: R$ 100 em Sympla
Para Mariela
Dir.: Luiz André Cherubini e Sandra Vargas. Com: Maurício Santana, Agnaldo Souza, Liana Yuri e Daniel Viana. Livre.
O Grupo Sobrevento, referência no teatro de animação, usa objetos cotidianos para racontar histórias inspiradas pelas crianças bolivianas do Belém, bairro na zona leste de São Paulo.
Espaço Sobrevento – r. Cel. Albino Bairão, 42, Belenzinho, região medial. Sex. (13) e sáb. (14), às 21h. Ingr.: gratuito em Sympla
Quem Matou Meu Pai
Dir.: Thomas Ostermeier. Com: Édouard Louis. 12 anos.
A partir da morte do pai, Édouard Louis sobe ao palco em procura de reavaliar a figura do pai a partir das desigualdades da França que influenciaram a sua vida.
Sesc Pinheiros – r. Pais Leme, 195, Pinheiros, região oeste. Qua. (11), qui. (12) e sex. (13), às 20h. Ingressos esgotados
Republikkk ou Encruzilhada não É Beco
Dir.: Hercules Morais. Com: Teatro Gueroba. 14 anos.
Cruza histórias reais, textos do antropólogo Darcy Ribeiro (1922–1997), tragédias gregas e tradições negras e indígenas para refletir sobre a resposta das pessoas à pandemia e à política brasileira polarizada, além do risco de extinção de biomas porquê o Condensado, de onde vem o grupo goiano.
Meio Cultural São Paulo – r. Vergueiro, 1.000, Liberdade, região medial. Sáb. (14) e dom. (15), às 16h. Ingressos esgotados
Vigiada e Punida
Dir.: Philippe Cyr. Com: Safia Nolin e Katia Lévesque. 16 anos.
A peça músico canadense reúne milhares de insultos reais dirigidos à cantora e compositora Safia Nolin para refletir sobre o significado da liberdade de sentença quando ela vira privilégio para a violência. No palco, a artista responde às ofensas com música, acompanhada de seu violão.
Meio Cultural Fiesp – av. Paulista, 1.313, Bela Vista, região medial. Sex. (13), às 21h. Sáb. (14) e dom. (15), às 20h. Ingr.: gratuito em sesisp.org.br
PERFORMANCES
Cabeça de Toco, Cá Tudo É Mato
Dir.: Eduardo Fukushima. Com: Febraro de Oliveira, Marcos Mattos, Marcus Perez e Renata Leoni. 16 anos.
No espetáculo, árvores são representadas por pedaços de madeira e, por meio da dança e da contação de histórias, dialogam com a devastação ambiental no Mato Grosso do Sul.
Itaú Cultural – av. Paulista, 149, Bela Vista, região medial. Sáb. (14) e dom. (15), às 18h. Ingr.: gratuito em itaucultural.org.br
Epílogo
Dir.: Rosane Chamecki e Andrea Lerner. Com: Vanessa Vieira de Oliveira, Alucas Santos e Israel Sulivan Rodrigues do Amaral. 16 anos.
Para desafiar o doutrinado à juventude e ao corpo dito ideal, performers de idades, raças e gêneros diversos dão vida a nus marcantes da história da arte.
Meio Cultural São Paulo – r. Vergueiro, 1.000, Liberdade, região medial. Qua. (11), às 18h. Qui. (12), às 16h. Ingressos esgotados
Filoctetes em Lemnos
Dir.: Marina Tranjan. Com: Vinicius Torres Machado. 16 anos.
Filoctetes, herói da mitologia grega imortalizado na tragédia de Sófocles, é vítima de uma ferida que não cicatriza. Posposto por seus companheiros, ele vive sozinho na ilhota de Lemnos por nove anos. Vinicius Torres Machado, protagonista do espetáculo, perdeu segmento do tendão
ciático e de sua musculatura ulterior durante o tratamento de um tumor e cruza o mito com a própria requisito.
TUSP – r. Maria Antônia, 294, Vila Buarque, região medial. Sáb. (7), dom. (8), seg. (9), qua. (11) e qui. (12), às 17h. Ingressos esgotados
Galhada, em Tempos de Fissura
De.: Teatro do Momento. Com: Alice Stefânia. 14 anos.
Nessa apresentação solo, uma pesquisadora passa por uma
mutação genética, e galhos começam a fluir de seu corpo. Durante a transformação, que borra as divisões entre os reinos vegetal e bicho, ela expõe ideias em torno dos desafios planetários vividos pela humanidade em colapso ambiental.
Itaú Cultural – av. Paulista, 149, Bela Vista, região medial. Ter. (10) e qua. (11), às 19h. Ingr.: gratuito em itaucultural.org.br
Jukybox
Dir.: Jaya Batista. Com: Cris Meirelles. 12 anos.
Juky, uma carismática MC gay, desperta uma máquina de música quando encontra seu público. Encenando o formato de um programa popular, ela mistura verso falada, referências da cultura mineira e canções românticas.
Instituto Brasílio de Teatro – av. Brigadeiro Luís Antônio, 277, Bela Vista, região medial. Qua. (11), às 22h. Ingressos esgotados
Performa12h + Ssol – Paisagem 3
Enfileira cinco apresentações que partem do princípio de “resistência festiva”, unindo a celebração e a luta política negra. São elas: “Aparição, Nego Fugido”, às 17h; “Cabeça de Cabaças”, às 20h; “Axexê da Negra e o Folga das Mulheres que Mereciam Ser Amadas”, às 21h30; “Transcrições Consanguíneas”, às 23h; e “Mandinga Major Ball”, à 1h. O ingresso da viradela também permite entrada à peça-instalação “Ssol – Paisagem 3”, reflexão sobre sonho e loucura do artista visual Wagner Antônio.
IBT – av. Brigadeiro Luís Antônio, 277, Bela Vista, região medial. 12 anos. Qui. (12), às 17h. Ingr.: R$ 20 em Sympla
Três Estações e um Corpo
Dir.: Martha Kiss Perrone. Com: Mohammed Al Qudwa. 12 anos.
A brasileira Martha Kiss dirige o palestino Mohammed Al Qudwa nessa peça que retrata as cinco guerras que ele presenciou em Gaza, a última delas ainda em curso. Combinando teatro e dança com o caratê que praticou em sua juventude, o ator questiona o lugar da memória e da identidade para um povo que vive entre massacres.
IBT – av. Brigadeiro Luís Antônio, 277, Bela Vista, região medial. Seg. (9), às 21h. Ter. (10), às 22h. Ingressos esgotados
