Alguns dos documentos mais preciosos do mundo estão guardados nos arquivos da Livraria da Universidade de Cambridge, no Reino Unificado.
Ali há cartas de Isaac Newton (1643-1727), cadernos pertencentes a Charles Darwin (1809-1882), textos islâmicos raros e o Papiro Nash – fragmentos de uma folha de 200 a.C. que contêm os Dez Mandamentos escritos em judeu.
Esses manuscritos raros, e muitas vezes únicos, são mantidos com segurança em ambientes com controle climatológico, enquanto funcionários cuidam deles com atenção para evitar que as páginas delicadas se desfaçam ou que a tinta descasque.
Mas, quando a livraria recebeu 113 caixas de documentos e lembranças do escritório do físico Stephen Hawking (1942-2018), surgiu um repto incomum.
Ao lado de cartas, fotografias e milhares de páginas relacionadas ao trabalho de Hawking em física teórica, havia itens pouco comuns hoje, em escritórios modernos: disquetes.
Eles são resultado da adoção precoce do computador pessoal por Hawking, que conseguiu utilizá-lo graças a adaptações e softwares específicos, apesar de ter uma forma de doença do neurônio motor conhecida uma vez que esclerose lateral amiotrófica.
Dentro desses disquetes poderia ter todo tipo de informação esquecida ou descobertas até logo desconhecidas sobre a vida do investigador. Os arquivistas ficaram perplexos.
Esses disquetes agora integram um projeto da Livraria da Universidade de Cambridge para resgatar o conhecimento oculto recluso a esse tipo de mídia. O projeto Futura Nostalgia reflete uma tendência mais ampla no volume e no perfil das informações que chegam a arquivos e bibliotecas em todo o mundo.
“A maioria das doações que recebemos vem de pessoas que estão se aposentando ou falecendo”, explica Leontien Talboom, integrante da equipe de preservação do dedo da livraria e responsável pelo projeto. “Isso significa que estamos vendo cada vez mais materiais da era da computação pessoal.”
À primeira vista, o plástico resistente dos disquetes, populares dos anos 1970 aos 1990, pode parecer mais seguro do que manuscritos frágeis. O papel apodrece, a tinta desbota e borra. Materiais sintéticos podem perseverar muito mais, enfim, é por isso que a poluição plástica é uma preocupação tão grande.
Mas a informação do dedo armazenada dentro dessas caixas rígidas é mais vulnerável do que parece. O óxido de ferro que reveste a fina estrato de plástico interna pode se degradar e perder magnetismo ao longo do tempo. Isso significa que os dados podem ser perdidos para sempre.
Dispositivos de armazenamento de dados antigos, uma vez que os disquetes, representam, portanto, sérios desafios para os arquivistas.
“Se você tem um livro, não importa quão idoso ele seja, ainda é verosímil ler”, diz Talboom (desde que se entenda o linguagem em que foi escrito, simples).
À primeira vista, o plástico resistente dos disquetes, populares dos anos 1970 aos 1990, pode parecer mais seguro do que manuscritos frágeis. O papel apodrece, a tinta desbota e borra. Materiais sintéticos podem perseverar muito mais, enfim, é por isso que a poluição plástica é uma preocupação tão grande.
Mas a informação do dedo armazenada dentro dessas caixas rígidas é mais vulnerável do que parece. O óxido de ferro que reveste a fina estrato de plástico interna pode se degradar e perder magnetismo ao longo do tempo. Isso significa que os dados podem ser perdidos para sempre.
Dispositivos de armazenamento de dados antigos, uma vez que os disquetes, representam, portanto, sérios desafios para os arquivistas.
“Se você tem um livro, não importa quão idoso ele seja, ainda é verosímil ler”, diz Talboom (desde que se entenda o linguagem em que foi escrito, simples).
Com os disquetes, porém, você precisa de equipamentos especializados unicamente para acessar o teor. É uma vez que precisar de uma chave para terebrar um livro. Mesmo assim, talvez não seja verosímil ler o que está dentro.
“Você também precisa saber muito sobre os sistemas nos quais esses disquetes foram formatados”, afirma Talboom. Isso gerou preocupação entre arquivistas, historiadores e arqueólogos de que as futuras gerações possam enfrentar uma espécie de “Idade das Trevas do dedo” ao buscar material dos últimos 50 anos.
Assim uma vez que ocorreu na Idade das Trevas europeia em seguida o colapso do Poderio Romano, não é que zero tenha sucedido. Mas, se não existirem registros da quadra, será impossível saber o que as pessoas pensavam, sentiam e uma vez que viviam.
Para enfrentar esse repto, o projeto Futura Nostalgia tenta reunir peças de hardware de computadores antigos para ler disquetes raros e incomuns.
Mesmo quando possuem o hardware, a equipe precisa instituir, de forma trabalhosa, uma vez que os discos foram formatados para que possam ser lidos corretamente.Talboom também se viu removendo cuidadosamente mofo da superfície frágil dos disquetes para evitar arranhá-los. “Se as pessoas os guardarem em garagens ou sótãos, eles podem mofar”, diz.
O teor restaurado até agora oferece um vislumbre instigante da flutuação de materiais existentes.Só na Livraria da Universidade de Cambridge, ela já processou disquetes com conteúdos que vão de escritos e listas de resumos do poeta Nicholas Moore a artigos de uma sociedade paranormal.
Mas os disquetes de Hawking continuam sendo seus favoritos. “Foi uma honra trabalhar com eles”, afirma Talboom.
A livraria recebeu os disquetes de Hawking junto A outros materiais de seu escritório por meio do programa Acceptance in Lieu, que permite que objetos e arquivos históricos relevantes sejam disponibilizados ao público em troca de retribuições fiscais para os doadores.
Junto com os documentos, cartas e impressões, havia uma quantidade considerável de material do dedo, afirma Talboom.
Os disquetes de Hawking chegaram em dois lotes. O primeiro era constituído por discos de 5,25 polegadas, provenientes de um computador formatado em DOS (sistema operacional de disco).
“Basicamente, um Windows idoso”, explica Talboom. “É bastante difícil datar disquetes, porque as pessoas usavam esses mesmos sistemas por muito tempo”, acrescenta.
Ainda assim, acredita-se que esse primeiro conjunto de disquetes seja o mais idoso da coleção. Grande segmento do teor ainda está em estudo, mas Talboom revela que os discos contêm cartas escritas por Hawking.
Ela também contou que foram encontrados jogos em alguns de seus disquetes – talvez um vislumbre do divulgado lado relaxado do investigador. O segundo lote é formado por disquetes mais comuns, de 3,5 polegadas. Eles parecem ser de um período ulterior e estão associados a um computador Mac, da Apple.
“São principalmente palestras”, diz Talboom. “Do ponto de vista técnico, são muito interessantes, porque as palestras eram tão grandes que ele precisava dividi-las em vários disquetes.”
Hawking era divulgado por ortografar discursos e salvá-los em disco para poder apresentá-los posteriormente por meio de seu sintetizador de voz.
Os arquivos digitais do investigador também podem moderar pastas com arquivos de texto simples sobre uma ampla gama de temas caros a ele , o que lhe permitia selecionar trechos a serem enviados ao sintetizador de voz durante conversas ou em resposta a perguntas.
Pelo menos alguns dos disquetes também contém softwares utilizados por Hawking.
As diferenças no tamanho dos disquetes e nos softwares necessários para acessar o material de Hawking são típicas da era dos disquetes. “Não havia um sistema que dominasse o mercado”, explica Talboom. “Era uma espécie de terreno sem lei.”
Para os arquivistas de hoje, isso significa que são necessárias dezenas de máquinas diferentes para ler disquetes de vários tamanhos e sistemas. E, muitas vezes, é preciso fazer longas buscas para encontrar esses equipamentos antigos, de leilões de espólios domésticos a mercados de colecionadores.
“Comprei meu drive de 8 polegadas no eBay”, diz Chris Knowles, participante do projeto Futura Nostalgia. “É um milagre que tenha funcionado.” Knowles usa o equipamento para extrair teor de quase 200 disquetes de 8 polegadas do Churchill Archives Centre.
“Esses são os formatos mais antigos das nossas coleções”, afirma, referindo-se aos disquetes de 8 polegadas, que pertenceram a Neil Kinnock, líder do Partido Trabalhista no Reino Unificado entre 1983 e 1992.
“No início, achávamos que os disquetes continham unicamente discursos, que já existiam em outros formatos. Mas, ao realizarmos testes, comprovamos que ao menos segmento do material é correspondência com seus eleitores.”
Nesse caso, Knowles teve sorte ao encontrar uma unidade funcional para um formato de disco vasqueiro. Mas Talboom avalia que ficará cada vez mais difícil localizar os equipamentos necessários para desbloquear os dados presos em disquetes. “Essas coisas não vão perseverar para sempre”, afirma. “Há dez anos, teria sido mais fácil. Mas muita coisa está desaparecendo.”
Entre os disquetes encontrados no ror da Livraria da Universidade de Cambridge estão modelos peculiares de três polegadas, que foram populares por um limitado período no Reino Unificado antes de serem suplantados pelos disquetes de 3,5 polegadas, que se tornaram o tamanho padrão.
“Eles são mais desafiadores porque as unidades de leitura são mais difíceis de conseguir”, afirma Talboom. “Eles têm um sistema de voltagem dissemelhante. Logo, há uma série de peculiaridades que precisam ser resolvidas para fazê-los funcionar.”
Eventualmente, Talboom e seus colegas tiveram que encontrar uma unidade de disco específica fabricada pela Amstrad, edificar novos conectores e improvisar um cabo de virilidade para acessar os discos.
Não é unicamente o hardware que está se tornando mais vasqueiro. As informações sobre os softwares usados em disquetes também estão desaparecendo. “Muitas das pessoas que trabalharam nesses sistemas se aposentaram ou morreram”, explica Talboom. “Esse conhecimento está começando a se perder.”
Os disquetes de Neil Kinnock ilustram muito o problema. “Era muito difícil de acessar o material”, diz Knowles. “Eles foram escritos no processador de texto Diamond Word. Há pouca informação disponível sobre esse sistema.” Segundo ele, “há muitas comunidades de fãs em torno de qualquer sistema que tenha jogos, e os arquivistas costumam recorrer às ferramentas desses grupos. Mas quando isso não existe, é mais complicado.”
Isso significa que, mesmo quando é verosímil extrair dados de um disquete, geralmente é necessário um trabalho considerável para torná-los legíveis em dispositivos modernos. Peter Rees, arquivista do Cambridge History of Innovation Project, compara o processo a uma forma de tradução. “Os filólogos vão ao latim idoso e o traduzem para um texto que podemos ler hoje”, afirma.
“É isso que o projeto Futura Nostalgia está fazendo com esse código ilegível. Precisamos usar equipamentos técnicos para decifrá-lo e depois torná-lo legível.”
Essa lanço costuma ser a mais difícil. É por isso que alguns dados recuperados pelo projeto Futura Nostalgia a partir de disquetes ainda não estão disponíveis para os pesquisadores.
“No caso do material de Stephen Hawking, a próxima período do processo é o chegada”, diz Talboom. A dificuldade de rodar softwares antigos em dispositivos modernos significa que é “bastante provocador torná-los adequadamente acessíveis aos usuários”, acrescenta.
Knowles observa que, para os arquivistas que trabalham com softwares antigos, o uso de ferramentas modernas pode modificar ligeiramente a fisionomia ou a sensação do material original. “Tentamos minimizar ao supremo o quanto alteramos as coisas”, afirma.
Por ora, Talboom acredita que o trabalho mais crítico é simplesmente extrair e salvar os dados dos disquetes – antes que seja tarde demais. “Muitos disquetes têm 40 ou 50 anos”, diz. “O material magnético em que foram gravados está começando a se degradar. Por isso, precisamos salvá-los o mais rápido verosímil.”
Além do trabalho técnico voltado à comunidade de arquivistas, Talboom também vem envolvendo o público em sua missão de preservar informações esquecidas presas em disquetes.
Em outubro, ela organizou um workshop sobre disquetes na Livraria da Universidade de Cambridge, no qual os participantes puderam levar discos antigos guardados em moradia para desenredar que conteúdos estavam armazenados neles.
Para Knowles, faz todo sentido envolver o público na preservação dos disquetes. “Há claramente um grande interesse por história familiar”, afirma. “Essa é uma forma de as pessoas recuperarem coisas que pensavam estar perdidas, e de aprenderem com o que membros de suas famílias guardaram.”
No caso de Talboom, ela se interessa mormente por disquetes de 5,25 polegadas – um dos formatos mais antigos e seu predilecto.
“Os disquetes eram muito caros naquela quadra”, explica. “As pessoas os reutilizavam e sobrescreviam os dados. Por isso, com um disquete de 5,25 polegadas, nunca se sabe o que vai nascer. O rótulo pode indicar uma coisa, mas o teor pode ser outro.”
Esse mistério faz segmento do fascínio de trabalhar com disquetes. “Quando você recebe um registro em papel, provavelmente alguém já folheou aquelas páginas”, diz Talboom.
“Mas os disquetes simplesmente nos são entregues. Acho fascinante pensar que alguém guardou um disquete há 40 anos e que eu sou a primeira pessoa a vê-lo novamente. É uma vez que desenredar um tanto.”
Em uma era em que a informação do dedo é facilmente alcançável em qualquer lugar do mundo, Rees concorda que há um tanto privativo em trabalhar com disquetes que contêm softwares e dados que ficaram adormecidos por décadas.
“Você pode encontrar que as coisas não mudaram tanto em 30 ou 40 anos”, afirma. “Mas os disquetes mostram o quanto o pretérito é estranho para nós. Graças a eles, temos uma memória melhor.”
