Temporada da frança no brasil mira novo mundo multilateral

Temporada da França no Brasil mira novo mundo multilateral – 19/07/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Na hora em que as portas dos Estados Unidos parecem se fechar para o Brasil, a temporada França-Brasil 2025 cumpre um papel imprevisto —mostrar novas possibilidades de intercâmbio para a cultura e a ciência. Os mais de 300 eventos da programação, de agosto até o final do ano, criam “oportunidades de um gavinha, em todos os níveis, entre duas sociedades que já são próximas”, disse à Folha Anne Louyot, comissária-geral da temporada.

“Cabe aos nossos presidentes determinar isso”, acrescenta a diplomata francesa, referindo-se à política externa de Lula e Emmanuel Macron. “Mas estou convencida de que há coisas a fazer no contexto extremamente tenso que conhecemos. A Europa precisa trabalhar com a América Latina.” Louyot ressalta que, em visitante à França em junho, Lula propôs a inclusão da termo “multilateralismo” no léxico da Liceu Francesa.

Quando Lula e Macron propuseram um ano cultural cruzado para comemorar o bicentenário de relações diplomáticas entre Brasil e França, a ensejo internacional era outra. Donald Trump ainda não havia conquistado seu segundo procuração. Hoje, com os Estados Unidos menos atraentes para artistas e cientistas do mundo inteiro, até para os americanos, eventos porquê a temporada ganham um novo significado.

A comissária frisa que a temporada não é um “festival”, embora haja “necessariamente aspectos festivos”, porquê espetáculos musicais. Os eventos estão divididos em três eixos centrais, que muitas vezes se sobrepõem. Os nomes dos temas dão uma teoria das preocupações dos organizadores —”democracia e globalização justa e inclusiva”, “heterogeneidade e diálogo com a África” e “clima e transição ecológica”.

Quem espera a França dos clichês, porquê aquela vista na série “Emily in Paris”, vai se surpreender. A temporada dará, segundo Louyot, “visibilidade a uma França menos conhecida dos brasileiros”. Não só europeia, mas também africana, caribenha e até amazônica —pois, porquê lembram os franceses, o país que tem a maior fronteira com a França é o Brasil, por meio da Guiana Francesa.

As dimensões política, inclusiva e ambiental da temporada ficam evidentes na escolha de Brasília, São Paulo e Belém, respectivamente, porquê sedes dos eventos de introdução, em agosto.

Na capital federalista, uma série de espetáculos e debates chamada Convergências reunirá jovens franceses e brasileiros para discutir problemas atuais, porquê a luta contra a desinformação. Na capital paulista, o Sesc Pompeia abrigará a exposição “O Poder de Minhas Mãos”, com obras mulheres da diáspora africana. Em Belém, o seminário Conexões Amazônicas debaterá a colaboração científica entre Brasil e França, às vésperas da COP30, marcada para novembro na capital paraense.

A temporada será uma oportunidade para saber a obra de artistas porquê Édouard Glissant, poeta da Martinica, ilhota francesa do Caribe. Sua coleção será exposta no Instituto Tomie Ohtake a partir de 2 de setembro.

Nomes mais conhecidos dos brasileiros também estarão presentes. A orquestra da Ópera de Paris se apresentará no Rio de Janeiro, em São Paulo e Curitiba em setembro e outubro. O Museu do Ipiranga vai expor as gravuras originais de Jean-Baptiste Debret, que documentou o horror da escravidão no Brasil do século 19, revisitadas por 15 artistas brasileiros. A mostra fica em edital até outubro em Paris, na Maison d’Amérique Latine.

A relação entre França, Brasil e África também se fará presente durante toda a temporada. O Festival Nosso Horizonte, que será lhano por Lula e Macron em novembro em Salvador, reunirá jovens e intelectuais franceses, brasileiros e africanos para discutir inclusão social e paridade de gênero.

Em setembro, a Bienal de São Paulo, em parceria com o Institut Français e curadoria do camaronês Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, trará um quadro da produção contemporânea francesa, com ênfase na taxa caribenha e africana.

Louyot cita porquê exemplo a “absolutamente genial” Minia Biabiany, artista francesa de origem guadalupense cuja obra questiona o pós-colonialismo. “A temporada é dirigida a todo mundo. Ela precisa contribuir para que os dois países trabalhem juntos, engajando as duas sociedades civis.”

Folha

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