Testemunhos podem servir para punir jogador do Benfica 19/02/2026

Testemunhos podem servir para punir jogador do Benfica – 19/02/2026 – Esporte

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O jogador prateado Gianluca Prestianni, 20, culpado de proferir ofensas racistas contra o brasiliano Vinicius Junior, 25, pode ser julgado e punido com base nos testemunhos de outros jogadores, sem que seja necessária a apresentação de um áudio ou vídeo confirmando a infâmia. Isso pode ocorrer tanto na esfera esportiva quanto na Justiça geral, caso o brasiliano decida processar Prestianni nos tribunais portugueses.

De convénio com a advogada Leonor Caldeira, referência no tema, vigora em Portugal o princípio da livre avaliação das provas. “A lei não determina quais provas valem mais, se testemunhos ou documentos”, diz Caldeira. “O juiz tem a privilégio de usar o que encontrar mais relevante. O testemunho de um jogador uma vez que Kylian Mbappé, pleno de nitidez, tem muita credibilidade. Isso somado à queixa de Vinicius pode chegar para o julgador formar a persuasão de que o roupa realmente aconteceu.”

Em entrevista ulterior à partida em que o Real Madrid derrotou o Benfica por 1 a 0, no estádio da Luz, em Lisboa, pela Champions League, Mbappé disse que Prestianni usou cinco vezes a termo “mono” [“macaco”, em espanhol] para se referir a Vinicius Junior. Em suas redes sociais, o Benfica defendeu Prestianni dizendo que Mbappé estava longe do prateado quando se deu a ofensa –alguma coisa que as imagens da televisão desmentem.

A maior dificuldade de um processo contra Prestianni seria o roupa de que em Portugal, diferentemente do que ocorre no Brasil, não existe o transgressão de racismo. “Existe o transgressão de injúria, e o juiz pode, a seu critério, dar uma pena maior dentro da moldura penal quando há ofensa racial, mas é escolha do julgador. A termo ‘racismo’ é um tabu em Portugal, raramente aparece em alguma decisão judicial”, diz Leonor Caldeira.

A advogada portuguesa atuou em um caso famoso envolvendo injúria com motivações raciais. Em 2021, o deputado André Ventura era candidato à Presidência da República pelo Chega, partido que representa a ultradireita em Portugal. Em um debate contra Marcelo Rebelo de Sousa, que posteriormente seria eleito para o função, Ventura mostrou a foto do oponente junto com uma família de ciganos, os quais classificou de bandidos.

A família foi à Justiça, representada por Caldeira, e Ventura foi sentenciado a se retratar publicamente e remunerar uma indenização. A termo racismo, no entanto, não apareceu na sentença –unicamente “segregação social em função da cor da pele”.

Também diferentemente do que ocorre no Brasil, em Portugal o Ministério Público não pode denunciar casos de racismo. “Crimes de injúria e maledicência são de natureza privado, precisam de queixa da vítima”, afirma Caldeira.

Caso Vinicius Junior opte por esse caminho, terá de remunerar um jurisperito para fazer a denunciação privado.

Em caso semelhante ocorrido no Brasil em 2014, em que o goleiro Aranha, portanto no Santos, foi vítima de ofensas raciais por secção da torcida do Grêmio, coube ao Ministério Público fazer a denúncia. Quatro torcedores aceitaram convénio proposto pelo Ministério Público para suspensão da ação penal, cumprindo exigências uma vez que comparecer a delegacias no horário das partidas do clube gaúcho.

Na esfera esportiva a existência de áudios ou vídeos também não é pré-requisito para uma punição. A Uefa (União das Associações Europeias de Futebol, organizadora da Champions) nomeou um inspetor de moral e disciplina para apurar o caso. Na investigação, segundo as normas da entidade máxima do futebol europeu, serão levados em consideração a súmula do louvado, os relatórios da partida, declarações e testemunhos de outros jogadores, além de evidências audiovisuais.

Até agora não apareceram áudios ou imagens de vídeo comprovando a ofensa racial de Prestianni. Em pelo menos um caso recente, no entanto, a Uefa puniu um jogador tomando um testemunho uma vez que evidência principal.

Em 2021, em seguida uma partida entre o Slavia Praga, da República Tcheca, e o Rangers, da Escócia, o finlandês Glen Kamara acusou o tcheco Ondrej Kudela de ofensas raciais. No momento da infâmia, Kudela aproximou o rosto do ouvido de Kamara e tapou a boca com a mão. Na ocasião, tanto Kudela quanto seu clube, o Slavia Praga, negaram as acusações.

Depois de uma investigação que durou 26 dias, a Uefa resolveu punir o jogador tcheco por “comportamento racista”. A entidade levou em consideração o prova de Bongani Zungu, meia da seleção sul-africana de futebol que na estação jogava no Rangers e disse ter ouvido a ofensa. Kudela foi punido com dez jogos de suspensão, a pena mínima para casos de racismo. Depois da pena, clube e jogador mudaram a versão inicial e pediram desculpas.

Em nota solene divulgada nesta quinta-feira (19), o Real Madrid disse ter reunido todas as “provas disponíveis” sobre o incidente e as guiado à entidade que dirige o futebol europeu. “Nosso clube colabora de maneira ativa com a investigação ocasião pela Uefa depois dos inaceitáveis episódios de racismo”, diz o expedido.

Em suas redes sociais, Prestianni se defendeu. “Quero esclarecer que em nenhum momento dirigi insultos racistas ao jogador Vinicius Junior, que lamentavelmente interpretou mal o que crê ter escutado. Nunca fui racista e lamento as ameaças que recebi dos jogadores do Real Madrid.”

Em nota solene, o Benfica afirmou que “apoia e acredita plenamente na versão apresentada” por seu jogador, em uma postura semelhante à inicialmente adotada pelo Slavia Praga em relação a Kudela. E acrescentou: “O clube lamenta a campanha de maledicência de que o jogador tem sido vítima”.

Caso Vinicius Junior decida processar Prestianni na Justiça portuguesa, o prateado poderá –analogamente ao brasileiro– apresentar em sua resguardo depoimentos de colegas de clube, de convénio com Leonor Caldeira. “Até o momento, no entanto, não apareceram jogadores do Benfica a confirmar a versão de Prestianni.”

Folha

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