The town: duquesa mostra por que é a 'adulta' do

The Town: Duquesa mostra por que é a ‘adulta’ do trap – 12/09/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

“Não sou Xuxa nesse game/ O meu som não é pra baixinho”, cantou Duquesa em “Turma da Duq”, música que a rapper apresentou no início da noite desta sexta-feira (12), no The Town. O festival, que começou no termo de semana pretérito, retorna agora e vai até domingo (14) no Autódromo de Interlagos, em São Paulo.

A música da artista, baiana de Feira de Santana, é repleta de letras que tratam expressamente de libido e sexo, jogo de sedução e questões menos juvenis que a média no trap. Duquesa canta sobre negócios e quantia e não poupa ataques a quem se coloca no caminho se sua sede.

A cantora foi uma das atrações do palco Quebrada, terceiro em tamanho e prestígio no The Town. Ela se apresentou depois de Duda Beat e antes de Pedro Sampaio, ambas atrações do palco The One, posicionado logo ao lado do espaço em que ela mostrou seu show.

Não era um envolvente favorável para a cantora, que seria mais celebrada se cantasse no dia do trap, gênero que ela defende, no sábado da semana anterior. Seu som dialoga pouco com o pop da escalação desta sexta, encabeçada por Backstreet Boys e que também contou com Jason Derulo e Luísa Sonza, entre outros.

Ainda assim, uma pequena plebe se posicionou para ver o show. Era verosímil caminhar tranquilamente pela plateia, que se mostrou interessada na baiana.

Duquesa firmou seu nome entre os grandes do trap pátrio entre 2023 e 2024, anos em que lançou seus principais discos, os dois volumes de “Taurus”. As obras consolidaram o estilo da cantora, desbocada e sempre direta ao ponto, valendo-se de batidas duras ancoradas nos graves do subgênero do rap, com uma vontade sombria.

Não há espaço para metáforas na lírica de Duquesa. “Eu não preciso de hosana, eu só me olho no espelho/ Parece que é meu rebento, toda hora quer meu peito”, ela cantou em “Única”, em que soletrou a vocábulo que dá título à tira no refrão —usada para definir o eu-lírico da música.

Secção do apelo em torno da rapper está na franqueza com que trata as questões que aborda, uma vez que se falasse publicamente o que geralmente só é dito entre melhores amigos. Mas há também um apelo em uma vez que engendra palavras no som —não foge dos maneirismos do trap, mas também não abdica de tentar rimar e encaixar os versos nas batidas.

A persona que Duquesa exibe nas letras é uma empresária rica e bem-sucedida, consciente do próprio talento e venustidade e pronta para deixar uma horda de homens passando vontade.

Zero disso teria a mesma força se viesse da boca de outra pessoa. A baiana exibiu no palco uma postura em sintonia com o que ela canta por exemplo em “Turma da Duq”, em que afirma ter “vontade de gostosa, atitude de gostosa”. Soou espontânea e espirituosa ainda que a persona das músicas se porte uma vez que uma heroína infalível e sem defeitos.

Uma das mais celebradas no The Town foi “99 Problemas”, com participação de MC Luanna, em que Duquesa brincou com um clássico do rap —”99 Problems”, de Jay-Z. Porquê na música do americano, a música da brasileira retrata alguém importante que tem vários pepinos para resolver, mas nenhum deles é falta de mulher —no caso dele— ou de varão —no caso dela.

Para se conciliar ao envolvente, Duquesa mostrou um show versão light. Evitou trovar palavrões ou partes mais explícitas sobre sexo de algumas letras. Também contou com uma orquestra de guitarra, teclado e DJ, inteira formada por mulheres, e um balé.

Ao trovar “Primeiro de Maio (Gostosas Inteligentes)”, discursou sobre a pressão da indústria por corpos que estejam no padrão. “Quero que vocês se sintam incríveis com o corpo que têm”, afirmou.

Também dedicou “Gloria” ao pai, que “não está mais cá”, e aos primos, que “foram levados pela criminalidade”. Falou ainda com os fãs, que chamou de “jovens que estão correndo, fazendo curso, faculdade, trabalhando”. “Somos a novidade geração e podemos mudar o mundo.”

O show desacelerou na segunda metade, com músicas mais lentas uma vez que “Voo 1360”, “Toda Pequena Porquê Eu =(=)”, “Só Um Flerte” e “Purple Rain”, esta última com participação de Yunk Vino. Mas aqueceu de novo no termo, em peculiar em “Disk P@#$%&!”, com Tasha e Tracie engrossando o caldo no palco.

A música de Duquesa ressoou principalmente entre as mulheres, que cantaram em coro seus versos mais conhecidos —incluindo um de “Disk P@#$%&!”, “bumbum GG, peitinho P, não vou sufocar usando bojo”. Não era muita gente, mas o suficiente para quebrar o gelo.

Se no trap o estilo está geralmente ligado ao consumo de marcas de luxo, na obra de Duquesa bolsa da Gucci não dá em árvore. Porquê cantou em “Big D!!!!! Pt. 2”, “primeiro você foca no lucro, depois você foca no fútil”.

O quantia abunda nas rimas da baiana, uma vez que resultado não só do talento músico, mas de perceptibilidade financeira. Ele canta sobre tirar vaga gastando, e mais ainda sobre fazer investimentos e proteger sua riqueza de aproveitadores.

Seria interessante vê-la trovar no dia do trap do The Town, não só porque teria mais público e vontade no show. Em um gênero que muitas vezes espelha seu público —majoritariamente masculino e bastante jovem— ficaria ainda mais evidente uma vez que Duquesa é mais que um sopro de novidade, ela é a adulta da sala.

Folha

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