Dois shows no palco principal do festival The Town deste sábado (13) tiveram algumas coisas em geral —o pop de uma dez detrás, o sotaque britânico e um punhado de hits antigos capazes de sustentar carreiras. No caso, as de Natasha Bedingfield e Jessie J.
Perto das 16h, depois da tradicional apresentação da Flotilha da Fumaça cruzar o firmamento sobre o Autódromo de Interlagos, a cantora Natasha Bedingfield subiu no Skyline.
Por pouco menos de uma hora, se apresentou para um público pequeno, que foi enchendo à medida que ela avançava no repertório concentrado principalmente entre 2004 e 2008.
Foi neste período que a artista lançou os trabalhos que guardam seus dois principais sucessos, que dão nome a seus respectivos álbuns — “Unwritten”, de 2004, e “Pocketful of Sunshine”, de 2008.
As duas músicas tiveram caminhos parecidos. Foram os principais singles dos discos, fizeram Natasha depreender paradas e ganharam vida extra quando se tornaram segmento da trilha sonora de filmes.
“Pocketful of Sunshine” virou um hino para a personagem de Emma Stone em “A Peta” e “Unwritten” entrou na comédia romântica “Todos Menos Você”, que a fez viralizar no TikTok.
No palco, o resto do repertório tenta prender a atenção do público com faixas menos conhecidas e vários covers — “Running Up That Hill”, de Kate Bush, “Glory Box”, do Portishead, “Lose Yourself”, do Eminem, e “Birds of a Feather”, de Billie Eilish, foram alguns dos escolhidos. Natasha estende as notas e tenta colocar sua personalidade nas canções, arrancando comentários da plateia sobre seu vozeirão. Mas não passa disso.
É mesmo “Unwritten”, a última tocada, a música definitiva da cantora, uma que resume muito a sua obra, que parece ter a desejo de ser otimista e trilha sonora de bons momentos, mas não os mais importantes da sua vida.
A reação do público acompanhou a vigor, com pessoas se abraçando, dançando e fazendo vídeos para postar no Instagram, depois de um show inteiro esperando por uma música.
No meio da apresentação, ela perguntou quem estava entusiasmado para ver o show de Jessie J, que tocaria mais tarde. Além da nacionalidade, as duas dividem um jeito específico de fazer pop que vem da estação em que ascenderam.
Ambas baseiam suas obras na potência vocal, em acenos ao R&B e em bandas que ocupam espaço relevante nos shows. Com grandes solos, no caso de Natasha, e com o protagonismo que um show acústico garante, porquê na apresentação que Jessie J fez nesta noite.
Figurinha frequente no Brasil, ela fez neste sábado um show apropriado para o momento de sua vida. Ela foi diagnosticada com cancro de pomo em estágio inicial em junho, operou, passou um tempo fora dos palcos e voltou recentemente.
Logo no prelúdios da apresentação, disse que pessoas a perguntaram por que ela não cancelou a data. “Alguns tomam remédios, outros meditam. Essa é minha terapia”, disse.
Depois, falou um pouco sobre a doença, mandou um amplexo para quem está passando pelo mesmo processo e cantou “Living My Best Life”, lançada em maio e inspirada no tratamento.
A artista tocou num horário mais cedo do que foi previsto inicialmente e teve que escolher um formato mais tranquilo. Subiu no palco com um pianista, um baixista e um violonista vestidos com a camisa do Brasil e sustentou toda a apresentação no gogó que sempre foi seu isca.
Logo no prelúdios, praticamente emendou os hits que continuam sendo os maiores de sua curso — “Price Tag” e “Domino”, ambas do álbum “Who You Are”, de 2011, e “Bang Bang”, lançada três anos depois.
O resto do show assumiu uma vigor intimista, que caberia num sítio fechado e pequeno. “É estranho fazer um show assim para tantas pessoas”, disse. Apesar da tranquilidade, a artista conseguiu preencher o espaço com o que tinha na manga.
Ela fez os clássicos acenos à autoajuda, falando sobre relacionamentos tóxicos, vulnerabilidade, sobre abraçar a tristeza e largar empregos infelizes. Só deixou o momento acústico de lado para gravar o clipe de uma música novidade. “Finjam que se importam e fiquem à vontade para sovar palmas”, brincou.
Ela encerrou o show com “Flashlights”, emocionando o público que a elogiava. “Aproveitem a vida e amem a si mesmos. Eu vou voltar.”
