Tina Turner renasce como ícone feminista em musical 24/02/2026

Tina Turner renasce como ícone feminista em musical – 24/02/2026 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Tina Turner encarnou diferentes mulheres ao longo da vida. Primeiro, ela foi a pequena Anna Mae Bullock, uma moça vibrante que cresceu num lar disfuncional na cidade americana de Brownsville, no Tennessee. Anos mais tarde, tornou-se Little Ann, aspirante a cantora que lutou para encontrar o sucesso em meio à violência do racismo e da misoginia.

Por término, ela se transformou na rainha do rock’n’roll, um ícone que deixava multidões inebriadas com a potência de sua voz, a ferocidade de seus movimentos e o magnetismo de suas apresentações. Essas diferentes mulheres povoam agora um músico que reconta a trajetória da artista, morta em 2023, aos 83 anos.

O espetáculo chega a São Paulo depois de ter montagens em países porquê Alemanha, Austrália, Estados Unidos e Reino Unificado, onde estreou há oito anos e foi visto por mais de dois milhões de pessoas.

A exemplo da própria cantora, a produção é enxurrada de sensualidade, dinamismo e efervescência, elementos que ficam evidentes durante a apresentação de músicas porquê “The Best”, “I Want To Take You Higher” e “River Deep Mountain High”.

Ao longo dessas performances, é porquê se o teatro se transformasse numa grande pista de dança, com luzes de néon, globos de espelho e figurinos resplandecentes.

“As cenas foram construídas porquê um filme, com a música apoiando o que está sendo narrado”, diz Katherine Hare, diretora do espetáculo. “Normalmente, no teatro músico, tudo é sobre a música. Mas cá, a história é tão importante quanto as canções.”

A diretora diz ainda que orientou os protagonistas a não imitarem as personalidades retratadas. “Nós não fazemos um show de tributo, mas sim contamos uma história sobre a vida de uma pessoa. O único jeito de fazer isso é encontrar alguém que não queira imitar a Tina, mas sim entender quem ela era.”

Essa tarefa ficou com Analu Pimenta, cantora e dubladora que recentemente emprestou sua voz para a protagonoista da animação “Guerreiras do K-Pop”. “Em universal, o público põe a Tina num altar, mas cá queremos mostrá-la enquanto um ser humano”, diz.

A tentativa de humanizá-la se faz sentir na primeira cena do músico, quando é encenado o show histórico em que a cantora reuniu no estádio do Maracanã 180 milénio pessoas —o maior público pagante de uma apresentação músico até portanto. Enquanto a plateia grita por seu nome, vemos a artista nos bastidores sentada no soalho com as pernas cruzadas para meditar.

Em paralelo, dezenas de pessoas trajando roupas que remetem aos anos 1940 entram em cena e se posicionam ao volta da cantora, porquê se fossem a materialização de suas memórias. A partir daí, a trama passa a seguir a pessoa que se escondia por trás do ícone.

É uma jornada que tem início ainda na puerícia, quando ela fazia secção do coro de uma igreja e era conhecida porquê Anna Mae Bullock, o seu nome de batismo. A alegria que a jovem encontrava na igreja, no entanto, contrastava com a violência em sua mansão, onde era testemunha das brigas entre os pais.

No músico, a mãe de Tina é retratada porquê uma figura fria e repressora. O clima em mansão era difícil também em razão das brigas entre os pais, embates que levariam à separação dos dois, quando ela tinha 11 anos. Tempos depois, Tina voltaria a saber a violência doméstica. Dessa vez, porém, não porquê testemunha, mas porquê vítima.

Aos 17 anos, ela foi contratada para ser vocalista da orquestra de Ike Turner, um dos músicos mais populares da estação. No primícias, ela adotou o nome artístico de Little Ann, mas Ike decidiu rebatizá-la de Tina Turner.

A parceria rendeu clássicos que estão no repertório do músico, porquê “A Fool in Love” e “River Deep Mountain High”.

A relação profissional entre os dois logo deu origem a um relacionamento amoroso de 16 anos marcado por abusos físicos e emocionais. Além de maltratar na cantora, Ike tinha o hábito de traí-la, praticar sexo violento e não consensual e obrigá-la a trovar mesmo que a artista não estivesse se sentindo muito.

O músico não se esquiva dos momentos de maior violência, tampouco esconde a tentativa de suicídio da cantora em razão dos abusos.

“Fazer essas cenas foi muito difícil porque a gente precisa acessar sentimentos ruins para vivê-las”, diz Pimenta, a tradutor de Tina. “O nosso corpo e o nosso cérebro não entendem que a gente está atuando. Embora não seja uma luta real, a reação precisa ser de quem está apanhando.”

Apesar da complicação das cenas, Pimenta diz que a história de Tina não pode ser edulcorada. “É preciso mostrar porquê as coisas aconteceram, e não passar tecido, principalmente num momento marcado por um índice tão superior de feminicídio.”

Opinião parecida tem César Mello, que encarna Ike no espetáculo. “Enquanto a Tina estava apanhando, outras milhares de mulheres estavam passando pela mesma coisa. O feminicídio é um dos crimes mais democráticos do mundo. Ele não se limita a linguagem, classe social ou cor da pele.”

Embora tenha praticado atos de extrema violência, Ike não é reduzido a um monstro na peça, mas sim retratado porquê um ser humano perseguido por traumas e frustrações.

Considerado o fundador do rock and roll, o músico se ressentia por não ter tido o reconhecimento que julgava merecer. “A frustração, a falta de reconhecimento profissional, o excesso de trabalho e a cocaína o tornaram um varão muito doente”, diz Mello. “Portanto, eu misturei tudo isso para produzir esse face manipulador e violento.”

Em 1978, Tina pediu divórcio posteriormente ter sido espancada em um quarto de hotel. Os problemas, porém, não acabaram com a separação.

Primeiro, ela precisou transfixar mão de quase tudo que tinha para manter seu nome artístico, já que o ex-marido tentou tirá-lo em uma guerra judicial. Depois, enfrentou um período de ostracismo no qual fez shows para pequenas plateias.

Esse cenário mudou quando ela lançou “Private Dancer”, em 1984. O disco emplacou hits, vendeu mais de 12 milhões de cópias e posicionou a artista porquê um nome incontornável da indústria músico.

Depois do álbum e da separação, a vida da cantora deu uma guinada. Ela não exclusivamente se transformou num ícone da cultura pop, mas também virou símbolo da luta contra a violência de gênero.

“Saudação é o que eu quero. Mas nem sempre conseguimos o que desejamos, mormente se você for mulher”, disse ela, durante um show na dez de 1970. “Mas seja lá o que estiver na rua, deve ser muito bom, porque os homens estão lá há muito tempo. Nós, mulheres, queremos trespassar às ruas e provar um pouco disso também.”

Folha

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *