Três graças: aguinaldo silva faz vilã com grazi massafera

Três Graças: Aguinaldo Silva faz vilã com Grazi Massafera – 19/10/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Em um sábado ensolarado, a atriz Sophie Charlotte andava aflita por uma esquina da avenida Aclimação, no meio de São Paulo, de braço oferecido com Arlete Salles. Um sege de polícia dirigido pelo ator Rômulo Estrela para e as duas entram. “Você conhece a Chacrinha? É para lá que a gente vai”, diz Charlotte, e a viatura arranca. A gravação, em julho, da cena de “Três Graças” dava a dica aos passantes curiosos de que o tradicional bairro paulistano seria palco da novidade romance das 21h.

A partir desta segunda, o folhetim escrito por Aguinaldo Silva tem o repto de substituir, na filete das 21h, “Vale Tudo”, remake de Manuela Dias que, entre elogios, críticas e uma audiência oscilante, rompeu com um período de marasmo para as novelas da Orbe. A boa performance se deve, em grande secção, ao carisma de Odete Roitman, vilã de Débora Bloch ressuscitada nos minutos finais da atração.

Apesar de suas crueldades e preconceitos, Odete conquistou a simpatia do público com sarcasmo e empoderamento feminino. Segundo uma pesquisa do Datafolha, somente 4% do público queria que ela fosse assassinada, zero que era de 38% em 1988, quando a versão original, coescrita por Aguinaldo, foi ao ar. Na quadra, a romance se tornou um marco para a TV brasileira ao escancarar a desigualdade do país e debochar de sua escol.

“É um bom momento para as vilãs, sem dúvidas”, diz o responsável. Em “Três Graças”, as maldades ficam a incumbência de Arminda, socialite interpretada por Grazi Massafera. Ela despreza todos ao seu volta, até o rebento jovem, e seu marido desapareceu sem deixar rastros. “Ela é uma daquelas minhas vilãs completamente ensandecidas, que são capazes de fazer as coisas mais absurdas e, ao mesmo tempo, parecer que são engraçadas”, afirma Aguinaldo.

É no humor de Arminda que os espectadores órfãos de Odete devem encontrar um conforto. “Apesar dos assuntos densos que a romance traz e que se conectam à veras brasileira, teremos personagens com um tom mais intenso, que carregam o humor. Por fim, estamos fazendo uma tragicomédia. Arminda é uma mulher autocentrada, que acha que não existe zero mais importante no mundo do que ela. É a vilã perfeita.”

Arminda é filha de Josefa, personagem de Arlete Salles. Ela mora com a mãe em um casarão na Aclimação, onde começa a trabalhar Gerluce, a protagonista vivida por Charlotte. Ela substitui a mãe doente no serviço, Ligia, interpretada por Dira Paes, e espera poder dar um horizonte melhor para a filha, Joélly —que, assim porquê a mãe e a avó, engravida aos 16 anos.

É em torno dessas três mulheres que gira a trama. “A gravidez na mocidade é um problema social muito grande no Brasil. Vamos jogar luz sobre o tema, para o país repensar esse vista da nossa veras”, diz Charlotte.

Enquanto guerra por uma vida melhor e enfrenta as maldades de Arminda, sua personagem se envolve em um romance com o policial Paulo, vivido por Romulo Estrela. “É uma romance que se propõe a ser um folhetim clássico, com o qual estamos acostumados”, diz o ator.

Em evidente momento, Gerluce descobre que os remédios usados pela mãe são falsos. O esquema criminoso envolve Arminda e seu amante, Santiago, interpretado por Murilo Benício, um empresário poderoso. Ele é proprietário de uma instalação que distribui medicamentos para a população, que na veras serve de frontaria para um multíplice esquema de falsificação e venda de remédios. O sócio de Santiago, marido de Arminda, desapareceu em circunstâncias estranhas.

Elas moram na Chacrinha, comunidade fictícia localizada na Brasilândia, periferia da zona setentrião da cidade, e trabalham na Aclimação. “A Aclimação é um bairro que combina riqueza decadente a prédios de uma classe média emergente. Queríamos um lugar que tivesse a sensação de cidade abraçando um pretérito”, diz Luiz Henrique Rios, diretor artístico, depois pedir para um cinegrafista enquadrar um ponto de táxi com o nome do bairro. “Estamos o tempo todo contando onde estamos.”

Ortografar em São Paulo é uma novidade para Aguinaldo, e “Três Graças” é a primeira romance ambientada na cidade desde 2019. Nos bastidores, o movimento é visto porquê uma tentativa da Orbe de se aproximar daquele que é considerado o principal mercado publicitário do país. Uma pista da aproximação com esse nicho são as várias propagandas de produtos que invadiram “Vale Tudo” e viraram até meme nas redes sociais.

Aguinaldo parece à vontade em terras paulistanas. Em um evento para o lançamento de “Três Graças” na cidade, ele cumprimentava sorridente outros convidados e subiu ao palco, sob aplausos calorosos, para apresentar a sua 16ª romance ao lado de Virgílio Silva e Zé Dassilva, com quem divide a autoria do folhetim.

É um recomeço entusiasmado depois um término conturbado com a Orbe em 2020. Na quadra, a emissora rompeu com o responsável depois de 48 anos de contrato, na esteira do fracasso de audiência de “O Sétimo Guardião”. Eles reatam com um contrato por obra.

Aguinaldo, que costumava presenciar às novelas de olho nos números do ibope para ver quais cenas seduziam mais os brasileiros, agora diz seguir o engajamento do público nas redes sociais. A própria “Vale Tudo” foi alavancada pelas piadas e discussões diárias nas redes.

No dia da morte de Odete Roitman, a romance somou tapume de 130 milénio menções e 2,9 milhões de interações no X, segundo um levantamento da Instalação Getúlio Vargas. “Acredito, sim, que seja um termômetro, não só o que as pessoas escrevem nas redes, mas o que dizem pessoalmente”, diz Aguinaldo.

Ainda que estes sejam tempos áureos para as vilãs, o responsável aposta no carisma de Gerluce, Lígia e Joélly, três mulheres que, apesar do trabalho duro, mantêm o bom-humor sempre.

Charlotte também não se acanha. “Não acho que quando uma vilã faz sucesso significa involuntariamente que a mocinha não deu evidente”, diz ela, que classifica sua personagem, porquê uma heroína errante. “Prefiro me ocupar com o trabalho do que com a repercussão. Sempre existe o risco. Sem risco não tem perdão.”

Folha

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