Um ano depois, paris 2024 celebra legado visível e invisível

Um ano depois, Paris-2024 celebra legado visível e invisível – 21/07/2025 – Esporte

Esporte

Um ano depois, existe um legado visível das Olimpíadas e das Paralimpíadas de Paris. Mais de 20 milénio pessoas nadaram neste mês no antes poluído rio Sena, liberado para o banho depois um século. Dez estátuas de heroínas francesas, negligenciadas pela história e usadas na cerimônia de franqueza, agora têm lugar permanente. O imenso balão com a labareda olímpica continuará deslumbrando o público a cada verão até Los Angeles-2028. A periferia ganhou ciclovias, estações de metrô, os apartamentos da Vila Olímpica.

Para o presidente do Comitê Organizador de Paris-2024, porém, o legado mais importante é o que ele labareda de intangível. “O poder do esporte de congregar as pessoas, de emocioná-las, é o fundamental. Porque toca milhões, quiçá bilhões de pessoas”, disse Tony Estanguet em entrevista à Folha.

No próximo sábado (26), os parisienses comemoram, com uma série de eventos, o primeiro natalício dos “seus” Jogos, que vão figurar por muito tempo entre os melhores da história. Previsões pessimistas de atentados terroristas, caos no trânsito e calor sufocante não se concretizaram. Ficaram na memória coletiva imagens icônicas, da equitação em Versalhes, do ciclismo em Montmartre ou do futebol de cinco ao pé da Torre Eiffel.

Segundo pesquisa recente da empresa Harris, 83% dos franceses “têm uma imagem positiva dos Jogos” de um ano detrás. “O legado é verdadeiramente concreto, a estrear pelos habitantes de Seine-Saint-Denis, onde concentramos muitos dos nossos investimentos”, disse à reportagem a ministra francesa dos Esportes, Marie Barsacq, referindo-se ao departamento pobre da Grande Paris onde foi construída a Vila Olímpica.

A franqueza de 26 de julho de 2024 foi, segundo Tony Estanguet, o pior e o melhor momento da organização dos Jogos. A cerimônia idealizada por ele, ao ar livre, com um desfile de barcos ao longo do Sena, quase foi estragada pela chuva. “Foi um dia muito intenso, muito difícil”, conta. “No termo da cerimônia, eu estava completamente esgotado. Mas disse a mim mesmo: se sobrevivemos a isso, somos imparáveis.”

Mais que pelo mau tempo, a sarau principiante será lembrada pela performance final de Céline Dion, que entoou do cume da Torre Eiffel o “Hino ao Paixão” de Édith Piaf. “Para mim, foi um consolação, uma liberação e uma energizada repentina, pelo orgulho de ter conseguido organizar a cerimônia”, lembra o dirigente.

Os Jogos que começaram tensos terminaram em glorificação para Estanguet, com o público no Stade de France gritando “Tony! Tony!” na cerimônia de fechamento. Cogitado até para o incumbência de primeiro-ministro, o ex-campeão olímpico de canoagem de 47 anos optou por um período longe dos holofotes. Mudou-se com a família para a cidade natal, Pau, no sudoeste da França.

O papel de presidente do comitê de 2024 exigiu visitas periódicas a Paris até junho, para as reuniões do juízo de governo. Era preciso fechar a contabilidade –eterno motivo de polêmica a cada edição dos Jogos. No mês pretérito, um relatório prévio do Tribunal de Contas gálico estimou em quase € 6 bilhões (tapume de R$ 39 bilhões) o dispêndio do megaevento, sendo 46% despesas de organização, e o restante gastos com infraestrutura.

Estanguet e o comitê organizador contestaram o relatório, segundo eles pelo menos um terço supra do dispêndio real. “Não se pode misturar investimentos perenes e temporários”, alega ele. “Infelizmente, muitas vezes querem somar tudo para inflar a conta o sumo verosímil.”

O dirigente vem desempenhando o papel de consultor, tanto junto ao comitê organizador de Los Angeles-2028 quanto dos próximos Jogos de Inverno, que serão nos Alpes franceses, em 2030. Segundo ele, seu projeto não é político. “Não tem zero muito concreto ainda, mas a partir de setembro vou trabalhar no esporte, seja em eventos, seja porquê consultor. Mas no esporte.”

Das lembranças que Estanguet tem de 2024, uma das melhores tem a ver com o Brasil. “Sem refletir muito, penso na hora no Gabrielzinho, que marcou a mente de bilhões de pessoas”, diz sobre Gabriel Araújo, ganhador de três ouros na natação paralímpica. “Ele nos conquistou. Encarna tudo o que amamos: sucesso, vantagem, alegria de viver, superação, solidariedade. Devemos muito a ele o sucesso de Paris-2024”, completa.

Folha

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