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‘Um Lobo Entre os Cisnes’ traz drama de superação no balé – 27/07/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

O lance de Thiago Soares, personagem real vivido por Matheus Abreu, era dançar hip hop nas ruas ou nas quadras, por vezes em campeonatos que vencia com facilidade.

Quando ele chega num grupo de dançarino e abria a povaréu com os braços para se aproximar do núcleo da dança, lembra Tony Manero, personagem de John Travolta em “Os Embalos de Sábado à Noite”, 1977, de John Badham.

Mas não estamos no Brooklyn, na Novidade York nos anos 1970. Estamos no subúrbio do Rio de Janeiro, nos anos 1990. A música não é a disco, mas o hip hop. A fuga não está nas oportunidades de Manhattan, do outro lado do rio, está no balé, de um outro lado do espectro artístico.

Por isso o título, “Um Lobo entre os Cisnes”, que dá tanto a teoria da maçã estragada porquê de um ser bruto que precisará se adequar à vida dos cisnes. Porquê se na periferia carioca só houvesse maçãs estragadas e não pudesse ter cisnes.

O filme é dirigido por Marcos Schechtman e Helena Varvaki. O primeiro tem experiência na televisão, sendo um dos diretores da minissérie global “A Mansão das Sete Mulheres”. A segunda é estreante na direção.

A cinebiografia do comemorado bailarino Thiago Soares foi exibida pela primeira vez no último Cine Ceará, em novembro do ano pretérito. É filmado com alguma cultura, fundado em espelhamentos e oposições.

O lobo Thiago sente atração por uma bailarina chamada Germana, interpretada por Giullia Serradas, enquanto ela ensaia “O Lago dos Cisnes”. Começa o choque entre opostos. O malando da periferia vai se meter no mundo dos ricos. E vai vencer, porquê sua vida real nos mostrou.

O famoso balé de Tchaikóvski será logo sua ingressão num outro tipo de dança, tão visceral e exigente do corpo e do estabilidade quanto o hip hop. Mas em oposição às ruas e quadras, ele terá de fulgurar em imponentes teatros.

Thiago só tinha começado a frequentar a escola porque seu paraninfo artístico conseguiu uma bolsa. Mas ele precisa mourejar com seus preconceitos.

Vindo de um envolvente homofóbico, ele tende a descobrir o balé um pouco muito distante de sua masculinidade.

Sabemos que a vergonha dará lugar ao prazer e ao paixão à arte. Na verdade, Thiago vai se tornar um dos bailarinos mais respeitados do mundo, fazendo muito sucesso a partir de Londres e dirigindo o Ballet de Monterrey, no México. O filme mostra o momento anterior, da transformação.

Resta saber que preço Thiago deve remunerar pela arrogância e irresponsabilidade iniciais e o que exigirá de paciência e convencimento daqueles que o querem ajudar. E resta saber também porquê Matheus Abreu dará conta do personagem.

Nesse quesito, já vale proferir que ele se dá muito, apesar da afetação heterossexual. Espelhando o potencial evidente de seu personagem, dá para perceber que ele se livra com facilidade de ser exclusivamente o novo Cauã Reymond.

Não é fácil para Thiago. Tudo é distante de seu mundo. Um moço pobre numa escola de dança localizada num palacete clássico, com cortinas brancas esvoaçantes ecoando cinema publicitário dos anos 1990.

No longa há lições de moral e ensinamentos que lembram “Karatê Kid” –e até um pé machucado na jogada, além de momentos equivalentes ao “mostre pintar tapume”, “mostre encerar o carruagem”.

O protagonista é um brasiliano de periferia, ou seja, muito brasiliano, recebendo ajuda de uma portuguesa, Margarida Vila-Novidade, e um cubano, papel do prateado Dario Grandinetti —poucas vezes a escalação de atores de outras nacionalidades foi tão muito justificada.

Tem mais: é um mulherengo numa arte normalmente associada a homossexuais. Inepto de seduzir as mulheres à sua volta, parece inicialmente querer substanciar a pose de durão, chegando até à insubordinação. Tudo para justificar a sua quesito de másculo.

Às vezes o filme exagera nessa premência de reforçá-lo porquê um bailarino heterossexual. Mesmo com frases porquê “desde quando veado tem rostro?” em personagens que ele encontra, a premência de asserção hétero parece colocar um freio nas possibilidades da trama, porquê se de vestuário importasse a sexualidade de um bailarino para além da simples fofoca.

Também é meio óbvio que o instrutor cubano tenha a mesma teimosia na falta de desvelo com o corpo e a saúde que seu pupilo, fazendo com que ele se enxergue num espelho.

Mas esse espelho por vezes reflete imagens interessantes e quando associa a vida de um à possibilidade de sucesso do outro estamos num terreno fértil para um drama de superação de grande alcance com o público.

Folha

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