Vaidade moral, mentir e egoísmo são valores no século 21

Vaidade moral, mentir e egoísmo são valores no século 21 – 28/09/2025 – Luiz Felipe Pondé

Celebridades Cultura

Porquê podemos saber quais seriam os valores no século 21? A pergunta é rica em possíveis caminhos reflexivos e, por isso mesmo, muito interessante. Mas suspeito que qualquer reflexão mais consistente sobre esta questão não satisfaria as expectativas mais afeitas ao siso geral no que tange a temas que transitam por moral ou moral.

O sapiens parece tirar bastante prazer da teoria de que ele defina os valores em que acredita. Temo que não funcione assim, apesar de que eu estaria cometendo um vício capital ao manifestar isso. O grande filósofo Kant, no século 18, alimentava uma teoria semelhante, crendo que, uma vez provado que seria racional agir de forma x, agiríamos de forma x. Essa teoria ficou conhecida uma vez que imperativo peremptório: “aja de forma tal em que sua ação seja erguida em norma universal de comportamento”.

Por exemplo, quando for fazer x, se pergunte se todo mundo poderia fazer x. Se não, não faça x. Busque outro curso de ação em relação ao problema em questão. Apesar da elegância da fórmula, e de reconhecer que seria uma teoria boa para o convívio em grupo, e que de vestimenta ajuda quando viável, não creio que o sapiens seja capaz de agir assim só porque seria racional pensar no todo antes de fazer um tanto. E digamos de passagem que Kant não estava pensando exatamente em “valores” uma vez que hoje se costuma falar em qualquer propaganda de banco.

O siso geral entende que respondemos à pergunta que fiz na buraco dessa pilar supra a partir de uma abordagem pedagógica, isto é, ensinando as pessoas, nossas empresas, nossa família, o que quer que esteja em jogo, os valores certos que devemos ter. Muitos chegam mesmo a propor uma tábua de valores a serem seguidos ou tomados uma vez que “nosso DNA ético”. A fórmula chega mesmo ao montão do ridículo, mas o século 21 é o mais ridículo desde o paleolítico superior.

Nesse movimento, normalmente, seguimos na direção de uma pedagogia moral —ou política, o que seria ainda mais miserável estruturalmente— que pregaria valores uma vez que integridade, humanidade, honestidade, transparência, munificência, e por aí vai. A lista é tão bela que faria almas mais sensíveis entornar lágrimas de paixão à humanidade e a quem afirma ter tantos valores perfeitos idealmente.

Arrisco manifestar que para quem de vestimenta gostaria de pensar acerca dos “valores no século 21”, a melhor abordagem seria um olhar sociológico sobre o que de vestimenta valoramos, ou não atribuímos valor qualquer, em nosso cotidiano individual, social e político, porque, uma vez que sabemos, não existem valores —ou virtudes— teóricos, mas unicamente práticos. A moral é, sempre foi, e sempre será, uma vez que dizia o grande Aristóteles (384-322 a.C), uma ciência da prática.

Alguém já viu alguém ser corajoso em teoria? Generoso em teoria? Honesto em teoria? Evidentemente que não, a não ser que a pessoa em questão seja um político de curso.

Um problema a priori que impacta toda reflexão sobre valores é que a hipocrisia é a substância da moral pública. Hoje, talvez, mais do que nunca, porque quase 100% da humanidade sinaliza virtude no Instagram. Valores hoje são objeto do marketing e do branding, ciências sociais aplicadas da moca uma vez que método.

Aliás, o que podemos depreender dessas práticas listadas no parágrafo imediatamente supra? Podemos depreender que a vaidade moral —sinalizar virtude no Instagram— é um tanto que valoramos muito neste século 21, já que todo mundo reconhece na vaidade moral uma prática que agrega valor a sua marca pessoal ou da sua empresa.

Por outro lado, se as ciências máximas da moca no século 21, a saber, o marketing e o branding, são aplicadas hoje em todos os níveis da atividade humana, tais uma vez que saúde mental, instituições escolares, religião, revoluções políticas, causas sociais e moral, podemos descontar que um valor no século 21 é a moca uma vez que utensílio profissional.

Entendeu uma vez que proceder para identificar um valor ou desvalor na prática social? Veja o que as pessoas acreditam que agrega valor a elas e, portanto, praticam de vestimenta, e não o que elas dizem que valoram ou negam valor. Em resumo: não importa o que falam, mas o que fazem, aliás, uma teoria que até crianças conhecem, menos os “adultos” do século 21.

Outro exemplo: filhos são um não valor no século 21, porque caso fossem um valor, as pessoas os teriam, mas uma vez que não os têm, evidentemente veem a prática de pôr crianças no mundo uma vez que um não valor, logo, o valor que decorre dessa prática é não assumir responsabilidade por ninguém. Enfim, resumindo: vaidade moral, mentir e egoísmo são valores no século 21. Ter filhos, não.


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Folha

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