O calendário cultural paulistano de janeiro de 2026 está repleto de estreias teatrais que prometem deleitar a diversos públicos, do infantil ao adulto, passando por musicais, dramas intensos e reflexões sobre a contemporaneidade. As peças trazem nomes consagrados, textos inéditos e releituras de clássicos, ocupando palcos de várias regiões da cidade.
A início do mês fica por conta do músico “Domingo no Parque”, que estreia no dia 3, no Teatro Evidente Mais. Sob direção e texto de Alexandre Reinecke e direção músico de Muito Gil, o espetáculo reinventa o clássico, mesclando canções de Gilberto Gil, Chico Buarque, Tom Jobim, Jorge Ben Jor e outros grandes compositores com músicas inéditas criadas pelos próprios diretores.
“A Manhã Seguinte”, comédia com Carol Castro, Bruno Fagundes, Gustavo Mendes e Angela Rebello faz temporada no Teatro Villa Lobos, a partir de 9 de janeiro. Do dramaturgo inglês Peter Quilter, a peça é uma comédia ligeiro e enxurrada de reviravoltas sobre encontros inesperados, famílias zero convencionais.
No dia 13, o Teatro Estúdio recebe “Habitat”, texto de Rafael Primot que coloca em cena um debate urgente: o julgamento popular na era das redes sociais. Com direção de Lavínia Pannunzio e Eric Lenate, o elenco traz Fernanda de Freitas, o próprio Primot, e Rogério Brito.
Já no dia 14, chega ao Teatro Itália a montagem brasileira de “O Sigilo de Brokeback Mountain”. Sob direção de Moacyr Góes, a adaptação do longa de 2005, do diretor Ang Lee, tem no elenco Marcéu Pierrotti e Júlio Oliveira.
O palco do Teatro Raul Cortez, no Sesc 14 Bis, recebe no dia 15, “Mulher em Fuga”, primeira adaptação pátrio de “Lutas e Metamorfoses de uma Mulher” e “Monique se Liberta”, obras do noticiarista gaulês Édouard Louis. A dramaturgia inédita é assinada por Pedro Kosovski, com direção de Inez Viana e atuação de Malu Galli e Tiago Martelli.
O circo preto é o território de “{Fé}sta”, novo espetáculo do Coletivo Prot{agô}nistas, que estreia no Sesc Pompeia no dia 16. Com concepção e direção de Ricardo Rodrigues, a obra combina acrobacias, música ao vivo e dança para festejar a espiritualidade, a coletividade e o renascimento da cultura preta.
No mesmo dia, “Dois Patrões”, versão inédita de “Il Servitore di Due Padroni”, de Carlo Goldoni, estreia no Teatro Itália. Com dez atores em cena, entre eles Felipe Hintze e Gabriel Santana, a peça é ambientada em uma sarau de noivado caótica e interminável. A direção é de Neyde Veneziano e Giovani Tozi.
Para o público infantil, uma estreia importante é “Prisma – Eu Sou Assim”, no Sesc Consolação, a partir do dia 17. Com texto de Marcelo Romagnoli e direção de Cris Lozano, a peça apresenta, com humor e sensibilidade, o ponto de vista de uma moça autista, explorando seu promanação, suas relações familiares e suas descobertas.
O Teatro Arthur de Azevedo recebe duas atrações. No dia 22, estreia “Entre a Cruz e os Canibais”, com texto e direção de Marcos Damigo, um drama histórico. Já nos fins de semana, a partir de 24 de janeiro, é a vez do infantil gratuito “As Pedras de Javier”, do Grupo XPTO, uma narrativa poética conduzida por um contador de histórias.
Grandes produções e nomes conhecidos também marcam a temporada. “O Retorno”, peça do norueguês Fredrik Brattberg, estreia no Sesc Santana no dia 23, com o atrativo de reunir no palco, pela primeira vez, a dupla mãe e fruto –Helena Ranaldi e Pedro Waddington–, sob direção de José Roberto Jardim. O drama aborda o luto e o desaparecimento misterioso de um fruto.
No mesmo dia, duas outras estreias de peso agitam a cena. Eduardo Moscovis sobe ao palco em “O Motociclista no Orbe da Morte”, de Leonardo Netto, dirigido por Rodrigo Portella. O solilóquio investiga as raízes da violência a partir da história de um matemático pacífico envolvido em um ato extremo.
Paralelamente, o Teatro Renault recebe a novidade montagem da “Ópera do Malandro”, de Chico Buarque, quase 50 anos em seguida sua geração. Com direção de Jorge Farjalla, a produção terá José Loreto no papel de Max Overseas e promete uma abordagem que explora a brasilidade e a cultura popular.
No dia 24, o Teatro Sérgio Cardoso recebe “Cá, agora, todo mundo”, primeiro solo teatral de Felipe Barros, livremente inspirado no livro de Alexandre Mortágua. Dirigido por Heitor Garcia, o espetáculo mergulha na mente de um varão gay que reconstrói sua história, tendo a discografia de Jaloo porquê trilha sonora.
O Sesc Consolação apresenta “Medea”, a partir do dia 29. O clássico atemporal, sob a direção de Gabriel Villela, que também assina os figurinos, conta com um elenco estelar incluindo Rosana Stavis, Mariana Muniz, Jorge Emil e a atriz convidada Walderez de Barros, prometendo uma releitura impactante do mito helênico sobre paixão, traição e vingança.
Para fechar o mês, Gerald Thomas e Danielle Winits chegam ao Teatro Faap no dia 30 com o espetáculo “CHOQUE! Procurando Sinais de Vida Inteligente”. A obra disseca dilemas da vida moderna e as irracionalidades que carregamos. Winits interpreta diversos personagens, tecendo com humor uma narrativa que transita por diferentes épocas e realidades sociais.
Com uma programação tão diversa, janeiro de 2026 será um mês de renovação e efervescência para o teatro na capital paulista, oferecendo opções para todos os gostos e idades.
