Vera fischer vive atriz que sofre etarismo em nova peça

Vera Fischer vive atriz que sofre etarismo em nova peça – 21/08/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Nos anos 1990, a atriz Susan White era a namoradinha da América. Protagonista da série dramática de televisão “Residents”, era reconhecida na rua e festejada por fãs em todo o país. No auge da glória, porém, Susan deixou a série abruptamente e se recusou a voltar para o último incidente, ou para qualquer uma das temporadas de reencontro.

“Ela enfrentou um grave problema que eu também sofri no início da minha curso: assédio sexual”, conta a atriz Vera Fischer, que interpreta Susan White na peça “O Par Mais Sexy da América”, que chega em São Paulo no Teatro Liberdade.

“Já disse isso mais de uma vez: nos anos 1970, vivi a ditadura política e a do assédio. Mas, ao contrário da Susan, que se isola em silêncio, eu driblava aquela violência com originalidade e lucidez para não perder trabalhos e não entrar naquele sorvedoiro louco”, afirma ela, que chegou a simular uma mênstruo para não sentar no pescoço de um diretor. “Se fosse hoje, eu denunciaria nas redes sociais.”

Impulsionada por movimentos porquê #MeToo, a personagem Susan cria coragem e revela o que labareda de “quadra do apalpe”, derrubando mitos sobre seu inesperado desamparo. “Durante 30 anos, ela ouviu em silêncio que sua atitude foi fruto da vaidade de uma estrela, mas agora denuncia que foi assediada por uma pessoa da produção da série.”

Escrita pelo roteirista e dramaturgo norte-americano Ken Levine —responsável de séries de TV porquê “Cheers” e “M.A.S.H.”— , “O Par Mais Sexy da América” acompanha o reencontro de Susan White e Robert McAllister, dois atores veteranos que, décadas detrás, formaram um dos casais mais icônicos da TV americana.

Trinta anos depois, eles estão em um quarto de hotel, para o funeral de um vetusto colega de elenco e, diante da possibilidade de voltarem a trabalhar juntos, são levados a revisitar memórias, confrontar diferenças e encarar as transformações que marcaram suas trajetórias.

Leonardo Franco interpreta Robert McAllister enquanto Vitor Thiré vive um mensageiro tagarela e muitas vezes inapropriado, que comprova porquê o parelha de atores vive hoje no ocaso. Ao levar as malas de Susan para o quarto, ele revela totalidade ignorância da valimento que eles tiveram no pretérito. “Apesar da ingenuidade dos seus 22 anos, o boy do hotel traz à cena o universo contemporâneo das redes sociais e da internet”, diz Thiré, membro de uma dinastia de atores –é neto de Cecil Thiré e bisneto de Tônia Carrero.

Durante a hora e meia em que passam juntos no quarto do hotel, Susan e Robert compartilham problemas comuns. “Eles reclamam do etarismo porque não conseguem mais papéis principais. Enquanto ela participa de filmes de quinta categoria, Robert faz alguns poucos comerciais. Ele a acusa de não ter se valoroso, e ela responde que foi uma grande estrela”, conta Fischer.

O texto de Ken Levine traz momentos de humor agudo, mantidos na versão brasileira feita por Tadeu Aguiar, também diretor da peça. Susan reclama que as cartas que ainda recebe de admiradores vêm da prisão. “Porquê é que você reage quando seu maior fã é alguém réprobo a mais de 50 anos de prisão?”, lamenta-se ela que, em outra cena, critica os produtores que, ao invés de propostas, mandam roteiros para participar de testes de elenco. “Isso é um código, vá correndo visitar agora seu cirurgião plástico.”

“Ela diz frases fortes, porquê ‘os machos de Hollywood não querem mais me levar para a leito’ ou ‘Hollywood é porquê um Donuts com recheio de cocô'”, afirma Vera. Sentindo-se em ligeira vantagem, Robert responde: “Ainda estou melhor que você, querida, pois fui um traficante em ‘Breaking Bad’”.

“A peça tem camadas delicadas que tratam do etarismo, do machismo estrutural e da invisibilidade da mulher no mercado de trabalho”, afirma o produtor Eduardo Bakr. Ao fazer a tradução, Tadeu Aguiar inicialmente pensou em trazer a trama para o Brasil. “Mas percebi que ela é tão universal que bastava manter a ambientação original, permitindo que os atores imprimissem nossa maneira de manifestar e sentir”, conta ele, que orientou Vera a se soltar em cena, em contraste com a atuação de Leonardo Franco, para um personagem mais envelhecido e rabugento.

Aos 73 anos e ainda fantástico, Vera garante viver uma novidade temporada, mais resplandecente. “Aos 60 anos, eu me sentia rejeitada. Mesmo ainda contratada na televisão, eu não era chamada para fazer um pouco interessante. Vivia cercada de pessoas só interessadas em festas no meu apartamento gigante, no meu sítio monumental. Fui eliminando tudo isso e agora convivo com um círculo muito reduzido”, conta ela, tal qual talento, coligado a uma venustidade estonteante —foi Miss Brasil em 1969—, lhe abriu as portas do cinema e da TV.

E, mais recentemente, também das redes sociais, onde tem quase 2 milhões de seguidores no Instagram. Zero mal para quem promessa ter comprado o primeiro celular em 2020. “Meus seguidores sabem que não compro pugna com ninguém. Também sou sincera, raconto quando estou doente, faço vídeos sem usar maquiagem quando estou gripada”, conta ela, que até chegou a revelar o prazer que sente com a onanismo. “Eu não esperava mais isso na minha idade, seria normal para uma pequena, mas estou no lugar de que sabor.”

Folha

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