Vision Pro da Apple não é o fracasso que parece

Vision Pro da Apple não é o fracasso que parece – 19/11/2025 – Tec

Tecnologia

A estratégia da Apple para produtos de tecnologia de consumo é praticamente infalível desde o lançamento do iPod, em 2001. Ou melhor, era, até o Vision Pro.

Marcando a primeira investida da empresa em veras aumentada, o headset é uma conquista tecnológica extraordinária. Também é pesado, tem bateria de curta duração e custa a partir de US$ 3.500 (R$ 18,6 milénio, sem considerar impostos). Não surpreende que as vendas tenham sido escassas e que a Apple, depois lançar um padrão levemente cortês, esteja recuando de novas atualizações.

Parece um fracasso, visível? Muito, sim. Mas, olhando além do fiasco subitâneo, a trajetória do Vision Pro é um sinal evidente de que a Apple —que talvez tenha criado mais produtos revolucionários para o consumidor do que qualquer outra empresa da história— ainda entende porquê produzir inovações que mudam o mundo.

A primeira coisa a saber sobre o Vision Pro é que ele realmente é um prodígio tecnológico. Quando foi lançado, em fevereiro de 2024, a PCMag descreveu sua combinação de rastreamento ocular e gestual com telas de subida solução porquê “um salto geracional no design de interfaces de veras mista”.

E, no ano e meio desde logo, a Apple aprimorou tanto o hardware quanto o software. Assim porquê o iPhone original oferecia uma experiência de uso fundamentalmente dissemelhante dos smartphones anteriores, o Vision Pro parece mais alguma coisa saído de um filme de ficção científica do que qualquer resultado disponível hoje.

A segunda coisa a entender é que, apesar de ser fruto de bilhões de dólares em investimentos e anos de P&D, o Vision Pro está longe da visão original da Apple: óculos que você poderia usar o dia inteiro.

Na verdade, o Vision Pro é alguma coisa que você pode usar por, no supremo, algumas horas —e definitivamente não é alguma coisa para usar na rotina diária. Isso não se deve somente à bateria limitada ou ao peso; o dispositivo também isola o usuário do mundo extrínseco. E seus casos de uso são muito restritos (o mais óbvio é consumo de mídia, e mesmo assim ele carece de recursos, porquê um app da Netflix).

Dadas essas limitações e o preço muito cima, o fracasso do Vision Pro era tanto previsível quanto inevitável. Eu adoro gadgets mais do que a maioria das pessoas (irracionalmente, segundo minha esposa). E nunca considerei comprar um Vision Pro. Pelo que parece, não estou sozinho. De trajo, muitos dos que compraram o dispositivo acabaram devolvendo-o porque não conseguiram usá-lo o suficiente para justificar o preço.

Portanto por que acredito que a Apple gastar bilhões desenvolvendo um resultado talhado a ser um fiasco mercantil é um bom sinal para o porvir da empresa?

Por pretexto do que isso revela sobre a contínua disposição da Apple de desafiar consensos e usar seus recursos virtualmente infinitos para impulsionar a tecnologia nas direções que mais provavelmente levarão ao seu próximo resultado revolucionário.

Pense no lançamento do primeiro iPhone. Ele tinha vantagens tecnológicas importantes sobre smartphones anteriores, porquê a tela multitouch e o teclado virtual. Desenvolver essas tecnologias exigiu ao menos US$ 150 milhões em investimentos —uma quantia enorme para a Apple na estação.

Avanços desse tipo frequentemente exigem esse nível de aposta, mesmo quando significa malparar a própria empresa, porquê fez a Boeing com o 707.

Hoje, a Apple é tão lucrativa que não precisa malparar sua sobrevivência para fazer grandes apostas. Mas, mesmo enquanto enfrenta críticas por supostamente permanecer para trás em IA, ela tem feito enormes investimentos tecnológicos —somente de formas diferentes do restante da indústria.

Gastar verba em alguma coisa quase certamente fadado ao fracasso pode parecer uma má teoria, mas é fácil olvidar que, enquanto as piores ideias frequentemente parecem condenadas desde o início, o mesmo vale para muitas das melhores.

Hoje, o sucesso do iPhone parece inevitável. Mas, no lançamento, muitos achavam que ele fracassaria. Até o professor Clayton Christensen, da Harvard Business School, pai da influente teoria da inovação disruptiva, tinha certeza disso.

A disposição da Apple de seguir em frente depois o Vision Pro mostra que ela não se apaixona pelas próprias ideias. A empresa avançou a tecnologia de maneiras que certamente serão úteis em futuras investidas em veras aumentada, aprendeu que o mercado prioriza acessibilidade e ergonomia em vez de pura engenharia —e cortou suas perdas antes que elas se tornassem mais que um pormenor contábil.

Os maiores retornos são resultado de ir contra a fluente. A maioria dessas tentativas fracassará. Mas a Apple opera numa graduação que poucas empresas conseguem imaginar.

Uma vez que apontou recentemente o técnico em marketing Michael Miraflor, a dimensão de serviços da empresa gera mais receita do que a Target, o iPad fatura o equivalente à AMD e o iPhone mais do que o Bank of America.

Riscos porquê o Vision Pro são exatamente o tipo de aposta que a Apple precisa fazer para movimentar a agulha —e não há melhor sinal para seu porvir do que continuar disposta a tomá-los agora.

Folha

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