Wagner moura diz que americanos estão com inveja do brasil

Wagner Moura diz que americanos estão com inveja do Brasil – 14/09/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Recebido com euforia, aplausos e um coro digno de torcida de final de Despensa do Mundo no Recife para a estreia de seu filme “O Agente Secreto”, na última quarta-feira (10/09), o ator Wagner Moura diz ter se deparado com um clima muito ilustre quando a obra passou em festivais nos Estados Unidos.

“A gente está hoje vendo as instituições funcionando [no Brasil], vendo um delito contra a democracia sendo julgado pelo Supremo Tribunal Federalista, enquanto que nos festivais norte-americanos pelos quais o filme passou, a gente sentia uma certa tristeza dos americanos, quase uma inveja”, ele diz em entrevista à BBC News Brasil.

Moura se referia ao julgamento em que o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete membros de seu governo —incluindo membros da cúpula militar— foram condenados por golpe de Estado nesta semana.

Os acontecimentos que resultaram na pena do grupo são frequentemente comparados aos episódios ocorridos nos Estados Unidos, posteriormente a rota de Donald Trump para Joe Biden nas eleições de 2020

Lá, Trump também foi criminado de liderar uma rebelião contra o resultado eleitoral, mas não só foi absolvido uma vez que se reelegeu presidente, em 2024. Trump nega ter cometido qualquer ilegalidade.

Vivendo em Los Angeles, nos Estados Unidos, há sete anos com a esposa e os três filhos, Moura critica outro vista do governo Trump: sua postura com imigrantes sem documentos.

“É um horror, eu conheço muitos imigrantes ilegais. Eu moro em Los Angeles, é uma cidade onde vivem muitos latinos, muitos mexicanos, sobretudo, e as pessoas estão com temor”, diz.

“Porque eles atacam a pessoa na rua por uma identificação visual e racial. Se o rosto não tiver o documento, o rosto não volta para moradia nunca mais”, diz Moura.

“O que está acontecendo nos Estados Unidos hoje é grave. É um país que deixou de ser mesmo uma democracia e começou a ser um país com tendências autoritárias evidentes”, avalia.

A queixa de Moura sobre a postura da escritório migratória é ecoada por muitos grupos de resguardo de imigrantes nos EUA, que acusam o órgão de usar critérios raciais para abordar pessoas nas ruas e deportá-las se não estiverem no país legalmente.

Em uma decisão recente, no entanto, a Suprema Galanteio dos EUA decidiu que os órgãos migratórios podem adotar critérios raciais em suas abordagens. Trump se elegeu prometendo deportar milhões de imigrantes ilegais durante seu governo.

Baiano-pernambucano

A estreia de “O Agente Secreto” no Recife é sucedida por uma passagem pelo 50º Festival de Cinema de Toronto, no início de setembro.

Logo posteriormente vencer os prêmios de melhor diretor e melhor ator no Festival de Cannes, em maio, o filme teve uma agitada turnê internacional, passando por festivais na Polônia, na Austrália, Portugal e Novidade Zelândia.

Na exibição do filme, nos Cinemas do Teatro do Parque São Luiz, Moura disse “estar muito feliz e à vontade” em Recife.

“Eu sou baiano, mas nasci em Rodelas, muito na fronteira com Pernambuco, e tenho esse Estado no sangue”, afirmou.

A reportagem da BBC News Brasil acompanhou o ator enquanto ele arriscou passos de frevo embalado pela Orquestra Popular do Recife e o Grupo Guerreiros do Paço, rumo ao palco do Cine São Luiz, prédio histórico, que acaba de comemorar 73 anos.

Lá, uniu-se ao diretor, Kleber Mendonça, à produtora Emily Lesclaux e ao resto do elenco de “O Agente Secreto”.

Relembrando o início da curso, o ator citou duas passagens especiais pelo Recife. Em 2000, com a peça “A Máquina”, de João Falcão, com quem contracenou ao lado do conterrâneo Lázaro Ramos, no Arrecadação 14.

A parceria se repetiria dois anos mais tarde com o filme e a série “Ó Paí Ó”.

Em “O Agente Secreto”, o ator é o protagonista Marcelo, personagem em torno do qual se desenrola toda a trama do thriller e que marca o retorno de Wagner Moura ao cinema brasílio posteriormente 11 anos envolvido com produções internacionais.

A sua última atuação foi em “Praia do Porvir”, de Karim Aïnouz. “Não tinha momento melhor para voltar a filmar em português”, diz.

Para Wagner, “o filme é sempre a mistura entre o que um diretor e o roteirista querem proferir com o tempo em que esse filme é respeitado pelo público”.

Ambientado na segunda metade da dez de 70, “O Agente Secreto” aborda questões uma vez que o afronta de poder e ameaças à democracia.

Moura diz que o filme foi gerado “num momento difícil pelo qual artistas, universidades e a prelo brasileiras passaram entre 2018 e 2022”, durante o governo Bolsonaro.

O ex-presidente enxergava setores da prelo, das artes e das universidades uma vez que inimigos ideológicos e promoveu cortes de verbas federais a essas áreas.

A estreia de “O Agente Secreto” diadema o encontro artístico entre Wagner Moura e Kleber Mendonça Rebento, que “primeiro se aproximaram por razões políticas”, diz o ator baiano, citando os anos Bolsonaro.

Hoje, porém, afirma que o momento político é outro.

“Uma coisa que eu tenho certeza é que, tanto eu quanto o Kleber, estamos muito orgulhosos do momento pelo qual passa o Brasil, as instituições brasileiras, a democracia no Brasil”, diz.

“Uma das coisas que mais fez mal ao Brasil foi a Lei da Anistia [1979], que perdoou torturadores, assassinos, pessoas que cometeram crimes terríveis contra outros seres humanos e contra a democracia”, diz.

“É tão bonito ver que hoje, finalmente, o Brasil está reencontrando-se com sua memória”, afirma.

Leste texto foi publicado originalmente cá.

Folha

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