Wagner Moura fala de 'O Agente Secreto' ao NY Times;

Wagner Moura fala de ‘O Agente Secreto’ ao NY Times; leia – 10/01/2026 – Ilustrada

Celebridades Cultura

O novo drama brasiliano “O Agente Secreto” se passa em 1977, um período que os créditos iniciais descrevem, na tradução em inglês, porquê uma quadra de “great mischief”. Essa frase é uma tradução livre de pirraça, frase que o planeta do filme, Wagner Moura, tentou definir para mim recentemente.

“É porquê quando uma petiz faz um pouco que sabe que os pais não aprovam, mas faz mesmo assim”, disse ele. Ao descrever esse comportamento, Moura sorriu. “Eu tenho isso.”

Para Moura, essa veia travessa surgiu sempre que ele percebeu expectativas sobre porquê um ator latino deveria se comportar em Hollywood. Depois de seu papel de destaque porquê Pablo Escobar, há dez anos, na série “Narcos”, da Netflix, Moura frustrou seus agentes ao recusar muitos dos projetos lucrativos e de grande repercussão que lhe foram oferecidos.

“Eles diziam ‘ah, você é um ator brasiliano, deveria estar muito feliz com essa oferta’”, lembrou ele. “E uma segmento de mim sentiu uma espécie de prazer em expressar ‘não vou fazer isso’.”

Ironicamente, ao se manter leal às suas convicções e escolher projetos peculiares porquê “O Agente Secreto”, Moura agora parece estar prestes a viver o maior momento global de sua curso. O vibrante thriller político já lhe rendeu uma indicação ao Orbe de Ouro e prêmios de melhor ator no Festival de Cannes e da Associação de Críticos de Novidade York.

Embora enfrente uma concorrência acirrada com nomes porquê Leonardo DiCaprio, Timothée Chalamet e Michael B. Jordan na categoria de melhor ator, muitos especialistas acreditam que Moura conquistará sua primeira indicação ao Oscar por oriente filme.

Erigir uma curso de ator consistente em dois continentes não é tarefa fácil, mas Moura, de 49 anos, conseguiu, trazendo sensibilidade e lucidez a obras com temática política, porquê “Guerra Social”, de 2024, a série “Ladrões de Drogas”, da Apple TV, e uma adaptação da peça “Um Inimigo do Povo”, de Henrik Ibsen, que ele apresentou recentemente em sua cidade natal, Salvador.

O diretor Kleber Mendonça Fruto, que concebeu “O Agente Secreto” pensando em Moura, elogiou sua nitidez progressista porquê artista. “Seu carisma vem da sua persistência”, disse Mendonça Fruto.

Moura atribui essa firmeza ao seu pai, já morto, um sargento da Aviação. “Ele não era politicamente ativo, mas havia uma questão de valores, de porquê você deve se comportar porquê pessoa”, afirmou. “Não quero me vender porquê uma bússola moral, mas me mantenho leal a quem sou e às coisas em que acredito ser notório.”

Brincando, ele acrescentou: “É meio arrogante expressar isso, mas vou expressar mesmo assim. Estou quase fazendo 50 anos, logo que se dane”.

Pouco antes do Natal, encontrei Moura em Los Angeles, onde ele mora há vários anos com sua companheira de longa data, a fotógrafa Sandra Fino, e seus três filhos. Em conversa, ele se mostrou entusiasmado e opinativo, com um tino de humor irreverente, seu rosto jovial contrastando com os cabelos grisalhos e uma voz tão profunda e retumbante que parecia um efeito peculiar.

“Leste filme não precisa de Dolby Atmos”, brincou Mendonça Fruto, “porque a voz de Wagner já tem”.

Mesmo assim, “O Agente Secreto” usa esse recurso com parcimônia, extraindo ainda mais força do olhar sisudo e compassivo de Moura. Ele interpreta Armando, um pai viúvo em fuga durante a ditadura militar brasileira. Perseguido por assassinos de aluguel, Armando assume uma novidade identidade e se abriga com outros refugiados políticos enquanto aguarda uma passagem segura para fora do país.

Até lá, ele enfrenta a tarefa quase impossível de manter a calma e passar despercebido em um lugar onde a violência pode eclodir sem aviso prévio.

Depois o drama brasiliano “Ainda Estou Cá” ter ganhado o Oscar de melhor filme internacional no ano pretérito, muitos no país natal de Moura esperam que “O Agente Secreto” se torne outro sucesso na temporada de premiações. Ainda assim, ele sabe que nem todos no Brasil o apoiam.

Há poucos anos, quando Jair Bolsonaro era presidente, ele ajudou a virar grande segmento da população contra Moura pelo vestuário de o ator criticar claramente o governo de direita. “Politicamente, nunca me esquivei de expressar o que achava notório, mesmo que tivesse que arcar com as consequências”, disse Moura.

Dessa forma, ele pôde se identificar com Armando, que não é um guerrilheiro, mas um ex-professor que não se curva à devassidão sancionada pelo governo. Simplesmente por se manter firme aos seus valores, oriente varão generalidade é tachado de inimigo do Estado. “E eu me senti assim muitas vezes no Brasil.”

Apesar dessas experiências, Moura fala de seu país natal com profundo carinho. O Brasil o tornou famoso duas vezes —primeiro por meio de telenovelas e depois porquê protagonista de um drama policial de enorme sucesso, “Tropa de Escol”, cujas falas muitos brasileiros ainda sabem de cor.

No dia em que conheci Moura, ele se preparava para um feriado em família em Salvador, cidade que descreveu porquê um dos lugares mais diversos do planeta. “O passaporte brasiliano é o mais procurado no mercado preto porque qualquer um pode ser brasiliano”, disse. “Você não olha para o passaporte e pensa ‘acho que não’. Qualquer um pode ser brasiliano —você, eu, todo mundo.”

Mas, apesar de tudo o que governanta no Brasil, porquê o calor de seu povo e ícones culturais porquê os cantores Caetano Veloso e Gilberto Gil, Moura não hesitará em confrontar seus problemas ou os políticos que os exploram.

“É lindo, mas o Brasil também é violento, elitista, misógino e homofóbico”, disse ele. “E Bolsonaro é a personificação de tudo isso.”

À medida que artistas porquê Moura e Mendonça Fruto se tornavam mais falantes sobre a guinada conservadora do Brasil, também enfrentavam reações negativas da direita, vindas do governo Bolsonaro e nas redes sociais.

“Quando dizem que nós, artistas, somos essa escol intelectual contra o povo, as pessoas acreditam”, disse Moura. “É porquê o velho manual do fascismo, em que atacam a prensa, artistas, universidades, coisas assim. E ele foi muito eficiente.”

Moura sentiu essa hostilidade com mais intensidade em seguida sua estreia na direção com “Marighella”, uma cinebiografia política também ambientada durante a ditadura militar brasileira. Embora o filme tenha estreado no Festival de Berlim no início de 2019, o governo Bolsonaro efetivamente bloqueou seu lançamento no Brasil até o final de 2021.

Nessa quadra, Moura já havia sido retratado de forma tão controversa pela direita que alguns cinemas instalaram detectores de metal quando ele comparecia às sessões. “O que a extrema direita teme não é o que dizemos, mas o que fazemos”, observou Moura. “Se eu tivesse redes sociais, poderia ter pretérito todos os dias dizendo que ele [Bolsonaro] era fascista, mas isso não o incomodaria tanto quanto o filme que fiz.”

As atitudes nacionais começaram a mudar depois que Bolsonaro perdeu a eleição presidencial há quatro anos e foi réprobo por planejar um golpe para se manter no poder. Ainda assim, Mendonça Fruto acredita que, mesmo hoje, se os brasileiros fossem entrevistados nas ruas, murado de um quarto continuaria a vê-lo, assim porquê Moura, de forma negativa.

“Um segmento da sociedade brasileira nos olha porquê se fôssemos comunistas”, disse Mendonça Fruto.

Esse sentimento de perseguição política permeou “O Agente Secreto”, ambientado no final da violenta ditadura militar brasileira, que começou com um golpe de Estado em 1964 e durou 21 anos. “Leste é um filme sobre um país que tem um problema com a memória”, disse Moura, ressaltando que, quando o regime militar terminou, uma lei de anistia livrou os perpetradores da punição.

“Bolsonaro não teria existido sem essa lei”, afirmou.

Mais recentemente, porém, Moura percebeu sinais de reconciliação. Em novembro, quando “O Agente Secreto” estreou no Brasil, foi recebido com grande exaltação. “Vendemos 1 milhão de ingressos, foi um grande sucesso”, disse Moura. “E eu adoro o vestuário de que oriente filme está sendo lançado no Brasil em um momento em que finalmente estamos, de certa forma, acertando as contas com a nossa memória.”

Moura destacou que, assim porquê o presidente Donald Trump, Bolsonaro alegou que a eleição foi roubada e incentivou seus apoiadores a invadirem a capital. A diferença crucial veio depois, quando o Supremo Tribunal Federalista respondeu condenando Bolsonaro à prisão domiciliar e o impedindo de exercitar cargos políticos até 2060.

“Foi fascinante porquê o Brasil foi extremamente rápido em mandar pessoas para a cárcere, encontrar os financiadores e caçar os direitos políticos de Bolsonaro”, disse Moura. “As instituições no Brasil são mais fortes que as dos Estados Unidos? Acho que não. Mas, na minha opinião, isso aconteceu porque os brasileiros sabem o que é uma ditadura.”

E se há pessoas que não se lembram das lições aprendidas em seguida o regime militar brasiliano, Moura espera que filmes porquê “O Agente Secreto” e “Ainda Estou Cá” sirvam porquê um lembrete. É mais difícil enterrar a história quando os cineastas estão determinados a trazê-la à vida de forma vívida, argumentou ele, acrescentando que a vida útil dos políticos de um país pode ser insignificante em confrontação com a de seus artistas.

“Todos eles desaparecem, é porquê uma vaga”, disse ele. “Bolsonaro está recluso agora, logo nos livros de história, ele será esse fascista eleito pelos brasileiros que tentou um golpe de Estado. Já Caetano Veloso será sempre Caetano Veloso.”

Quando Moura começou a trabalhar em Hollywood, um agente o aconselhou a ser menos seletivo, argumentando que todo trabalho serve de porta de ingressão para o próximo. Mas mesmo assim, Moura tinha um saudável ceticismo em relação ao jogo de Hollywood.

“Talvez seja uma espécie de anticolonialismo”, brincou. “Nunca fiz zero por verba ou porque é um grande sucesso em Hollywood que todo mundo vai ver. E mormente depois de ‘Narcos’, não quero fazer zero que estereotipe os latinos.”

Talvez por sua disposição em expressar não, Moura nunca se tornou a primeira escolha latina de Hollywood. Mas ele também não estava exatamente buscando isso.

“Quero interpretar os mesmos personagens que os atores brancos americanos da minha idade estão buscando”, disse ele. “Quero interpretar personagens chamados Michael que falem porquê eu falo.”

E se Hollywood não puder proporcionar isso, ele mesmo fará suceder. Ainda oriente ano, Moura dirigirá seu primeiro filme em inglês, “Last Night at the Lobster”, sobre o último vez em uma rede de restaurantes prestes a fechar.

“É um filme muito político”, disse Moura, observando que atuará ao lado de Brian Tyree Henry e Elisabeth Moss. “É um filme natalino anticapitalista.”

Embora Moura tenha sido indicado ao Orbe de Ouro por “Narcos”, desta vez a sensação é dissemelhante, disse ele. Talvez seja porque está ficando mais velho e essas coisas passam a ter um novo significado. Ou talvez seja porque “O Agente Secreto” é um projeto tão pessoal e distintamente brasiliano, e toda essa atenção global soa porquê uma certeza inesperada, mas adorável.

Ainda assim, ele não quer se perder em uma temporada em que os egos costumam se tornar gigantescos. Quando a campanha para o prêmio começou neste outono, Moura estava envolvido com seu compromisso com a peça de Ibsen em Salvador, o que limitava sua disponibilidade para a prensa.

“Todo mundo dizia ‘você tem que se livrar da peça e ir para a campanha. Você entende a preço deste momento para você?’”

Porquê você pode imaginar, essa pressão só alimentou o espírito aventureiro de Moura, e ele permaneceu em edital com a peça. “É um pouco de que me orgulho”, afirmou. “Não faço concessões.”

Se “O Agente Secreto” lhe terebrar novas oportunidades em Hollywood, ele espera que esses projetos o queiram por justificação de sua personalidade firme, e não porque haja uma expectativa de que ele se adapte. Até agora, manter-se leal a si mesmo parece ter lhe servido muito.

“Alguém me disse uma vez que sucesso é quando você continua fazendo o que sempre fez, mas as pessoas de repente começam a prestar atenção.”

Folha

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